Abril Marrom propõe prevenção da cegueira

No país, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, são 1,2 milhões de pessoas cegas

Com o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção da cegueira, a campanha Abril Marrom aborda a importância de cuidados com a saúde ocular. A cor marrom foi escolhida pois representa a cor da íris – parte colorida do olho da maioria dos brasileiros.
Ter informações a respeito das doenças que podem levar à cegueira é o primeiro passo para a população adotar medidas preventivas. Dentre algumas das doenças que podem levar à cegueira, algumas são muito frequentes em nosso cotidiano mas infelizmente negligenciadas por falta de conhecimento sobre suas consequências a longo prazo.
Dados divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) apontam que no Brasil, existem cerca de 1,2 milhões de pessoas cegas. O dado é preocupante, levando em consideração que 60% das doenças oculares que causam a cegueira são tratáveis, porém, a única maneira de identificar essas doenças é por meio de exames e consultas oftalmológicas, de preferência periódicas.


Catarata
A catarata é a principal causa de cegueira reversível no Brasil. Ela é responsável por 47% dos casos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença afeta principalmente a população acima de 60 anos, e deve ser tratada cirurgicamente.
Estima-se que são realizadas 280 mil cirurgias de catarata através do SUS, e entre 80 e 100 mil através de médicos particulares. Entretanto, o número deve aumentar devido ao envelhecimento da população.
A doença é caracterizada pela perda de transparência (opacidade) do cristalino (lente localizada atrás da íris). A catarata pode ser classificada como senil ou secundária, a senil ocorre devido ao envelhecimento natural do cristalino, já a catarata secundária pode estar relacionada a inúmeros fatores, tanto oculares quanto problemas sistêmicos.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 85% das cataratas são classificadas como senis, com maior acometimento na população acima de 50 anos.

Facectomia
Por se tratar de uma doença progressiva, somente a facectomia (cirurgia de substituição do cristalino), gera resultados efetivos e definitivos para a recuperação da visão. Sendo um procedimento muito seguro e com retorno as atividades habituais em curto intervalo de tempo.
Ao notar qualquer sinal de embaçamento na visão, dificuldade para dirigir à noite por conta do brilho dos faróis, visão com feixes de luz, é necessário buscar ajuda do oftalmologista.

Glaucoma
Segundo o oftalmologista ituveravense, Dr. André Favaro, que atende na Clínica Fávaro em Franca e na Santa Casa de Ituverava, o glaucoma desafia a medicina e é a principal causa de perda irreversível da visão. Isto se deve ao fato de ser uma doença silenciosa. Quando surgem os primeiros sinais, o risco de o paciente ter importante perda da visão é iminente e definitivo.
O principal fator é o aumento da pressão intraocular, que atinge o nervo óptico. Apesar de não ter cura, o glaucoma pode ser tratado com diversos medicamentos como os colírios.
Resumidamente, a doença surge quando o nervo óptico começa a apresentar danos. A informação deixa de percorrer de forma correta o trajeto entre o olho e o cérebro. De maneira gradual, lenta e imperceptível, surgem “pontos cegos”, que só serão percebidos depois de um dano considerável. Quando todo o nervo é destruído, ocorre a cegueira. Como o nervo ótico é o responsável por levar as informações que vemos ao cérebro, qualquer dano nessa região pode interferir na qualidade da visão.

Diagnóstico precoce
O mais importante é o diagnóstico precoce feito através de consultas periódicas ao oftalmologista, já que a doença é silenciosa e exatamente por não apresentar sintomas precoces, o glaucoma é extremamente perigoso.
As pessoas não percebem os sinais da doença até perder parte significativa da visão. O diagnóstico precoce e o tratamento imediato é a melhor forma para evitar essa perda.

Retinopatia Diabética
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a doença atinge mais de 15 milhões de brasileiros. Se não for tratada corretamente, pode interferir diretamente na função dos vasos sanguíneos que levam sangue e oxigênio para as células da retina, desencadeando a retinopatia diabética, com evolução para a cegueira. Trata-se de uma doença assintomática no início, porém, em estágio avançado, surgem alterações visuais súbitas e indolores. Para não ter de chegar a este estágio, é importante que os portadores de diabetes visitem regularmente o oftalmologista para realizar o mapeamento de retina, além de manter o diabetes sob controle.

Tratamento
O tratamento para retinopatia diabética, junto com o controle do diabetes, impede sua evolução, tornando o diagnóstico precoce fundamental para impedir a perda de visão. É composto por medicamentos, fotocoagulação a laser ou procedimentos cirúrgicos. A terapia mais recente é a aplicação injetável intravítreo de anti-angiogênicos.

Prevenção
As tecnologias estão sempre avançando e trazendo não somente novas possibilidades para o combate às doenças que causam cegueira, como também para auxiliar os pacientes com perda visual acentuada. Obviamente casos avançados possuem prognósticos reservados e delicados, mas na grande maioria das vezes a evolução clínica é satisfatória e melhora a qualidade de vida dos pacientes.”, destacou o especialista
Independe de sintomas de perda de visão ou não, é muito importante que se consultem um médico oftalmologista pelo menos uma vez no ano. Além disso, cuidados simples do dia a dia como, não coçar os olhos, não usar óculos de sol sem proteção adequada, tem uma alimentação balanceada e não fumar são importantes para manter uma boa saúde dos olhos.

O médico

Dr. André Fávaro, que é especialista em oftalmologia

Dr. André Fávaro tem Especialização em Oftalmologia pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, é Especialista em Oftalmologia pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Fellowship em Uveítes pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Fellowship no Instituto Suel Abujamra de São Paulo, em Retina e Vítreo Clínica e Cirurgia e Membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo.
Ele é filho do também oftalmologista, Dr. Carlos Roberto Lourenço Fávaro e Maria da Glória P. da S. Fávaro e tem a irmã Raquel Fávaro, que é médica dermatologista.

Uso de aparelhos tecnológicos também prejudica os olhos

Uso excessivo de equipamentos eletrônicos pode trazer consequências para a saúde da visão

Conviver com a era da tecnologia é inevitável. Afinal, quem não usa os smartphones, tablets e computadores? Porém o uso excessivo desses equipamentos pode trazer consequências para a saúde da sua visão.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) cerca de 69% dos jovens de 9 a 17 anos utilizam algum tipo de aparelho eletrônico para se conectar à internet, por mais de uma vez ao dia. Essa intensa exposição as telas de eletrônicos tem sido correlacionada ao aumento significativo dos casos de miopia. As crianças cujos pais ou familiares próximos possuem miopia, já possuem uma tendência maior a desenvolver esse quadro. Então, o cuidado no número de horas que a elas passam na frente do computador tem que ser maior, sendo importante que elas tenham contato com os ambientes externos, com atividades que a façam olhar para longe.

Envelhecimento das células
O envelhecimento das células da retina, mais comum a partir dos 70 anos, pode acontecer precocemente com uso exagerado dos aparelhos eletrônicos causando a degeneração macular. Há um processo de aceleração de envelhecimento por essa luz azul, que causa a oxidação das células. O que se recomenda é a adequar a intensidade dessa luz ao ambiente.
Consultar um especialista é fundamental. Por isso, até mesmo o uso de lubrificantes oculares deve ser prescrito por um médico para definir um colírio ideal.