Amputada tem benefício negado

José Eduardo Mirandola Barbosa é advogado e jornalista

Uma cidadã, brasileira, de cor parda, pobre na acepção legal a palavra, foi pedir (aliás hoje é implorar o verbo mais aplicável a espécie) um benefício assistencial junto ao órgão previdenciário brasileiro – INSS Instituto Nacional do Seguro Social, em razão de ter suas mãos e pernas amputadas em virtude de uma infecção.
Olhe só a situação da pessoa, mãos e pernas amputadas.
Agendou, aliás, agendaram para ela o dia de solicitação do benefício (que aliás é um martírio) e na agência quando ia conseguir o benefício teve o mesmo negado ao vivo e a cores, pelo fato de não poder assinar os documentos oficiais que autorizam o pagamento do auxílio.
Na ocasião, segundo relato da mesma ao G1, foram várias as dificuldades impostas pelo órgão previdenciário, sendo que “uma das servidoras puxou os papéis e perguntou: quem vai assinar ? Você assina ?”.
Claro que não é a resposta, era visível e ridícula a pergunta.
Então em razão de não ter quem assinar a servidora rasgou os papéis e o benefício foi indeferido.
E isso em pleno mundo digital, onde quase tudo agora é assinado eletronicamente.
O benefício foi negado dessa forma mesmo com várias leis que garantem proteção a pessoa portadora de deficiências.
Agora, restará ela ingressar em Juízo, para já assolar ainda mais o Judiciário com o pedido que poderia ser resolvido nas instâncias administrativas, sendo certo ainda que terá que provar (ai já não sei como) documentalmente que o benefício foi negado na seara administrativa.
Pois bem. E com o indigitado servidor público federal ? Cabe ao INSS orientar e treinar melhor esses servidores.


José Eduardo Mirandola Barbosa é advogado e jornalista