Aplicativos prometem rápido atendimento na área de saúde

 

Pessoas podem marcar consultar através de aplicativos

Através de smartphones, pacientes agendam consultas com médicos, que muitas vezes fazem atendimento em residência 

Com a realidade da tecnologia presente em todo o mundo, os aplicativos hoje também fazem parte da vida de milhões de brasileiros. Dentro do repertório desta ferramenta e plataformas online, os apps que promovem a interação de usuários têm se destacado por diversos motivos, e nesses últimos dias, médicos e usuários também têm se utilizado deste recurso como meio de driblar a crise.
A crise econômica brasileira e o aumento do desemprego, superior a 12 milhões, são responsáveis pela crise também no setor de saúde. Deste número, muitos desempregados perderam o plano de saúde corporativo, o que aumentou a demanda por meios alternativos de acesso à saúde.
Resultado da observação deste cenário de dificuldade para médicos e usuários, empreendedores criaram uma plataforma com o objetivo de promover a interação entre profissionais da saúde e usuários que precisam marcar consultas e exames médicos.
“Estamos trabalhando na adaptação dos serviços para o mercado português. A RedeCare é uma plataforma tecnológica para localização de serviços médicos”, explica Joilton Mello, “e surgiu pela observação das necessidades das pessoas em realizar consultas e exames. Atualmente os planos de saúde, além de caros, restringem o acesso de pessoas físicas, crianças menores de 6 anos e idosos”, acrescenta.

Cotação
De acordo com o empreendedor Gilson Burmann, foi identificado que atualmente muitas pessoas fazem cotação de planos de saúde, mas são praticamente proibidas de aderir, muitas vezes mesmo tendo dinheiro para pagar, casos em que os usuários em questão são pessoas acima de 58 anos, crianças menores de 6 anos ou pessoas que não possuem uma formação superior.
Ainda de acordo com Gilson, atualmente as operadoras maiores só comercializam planos empresariais ou os coletivos por adesão, o que impede o acesso de quem está em situações diferentes.
Segundo Jorge Botelho, outra consequência da crise brasileira e suas implicações no segmento da saúde se reflete na vida profissional dos médicos. “Esses profissionais vivem brigando com os planos de saúde por receber pouco nas consultas e demorar para receber”, afirma. “Apesar de alguns médicos questionarem, muitos só têm a opção de se filiar a planos de saúde para conseguir pacientes para atender e, por outro lado, não sabem como vender os serviços de forma acessível à população”, acrescenta.

Valores

Tradicionalmente, um médico recebe pela consulta de um plano de saúde entre R$ 60 e R$ 80, pagamento que pode ser em até 60 dias. Contudo, quando um paciente faz orçamento, o valor da consulta particular invariavelmente custa cerca de R$ 220. Segundo o também sócio do empreendimento, Ângelo Epifanio, “muitas vezes esse paciente está disposto a pagar um valor de até R$ 150 ou mesmo tem plano de saúde que o reembolsa esse valor. O médico acaba perdendo esse paciente”.
“Nosso site e aplicativo têm feito muito sucesso por atender a demanda dos brasileiros que já não contam com planos de saúde, e que precisam de um guia médico. Observamos a demanda, especialmente a procura de clínica popular e consultas médicas por parte da população das classes B, C e D. Já os profissionais da área da saúde, estes são atraídos e também têm se sentido muito confortáveis para credenciar consultório médico conosco”, finaliza Ângelo.
O aplicativo RedeCare está disponível gratuitamente para download. Mais informações podem ser obtidas no site: www.redecare.com.br.

Cremesp quer regras mais claras sobre atuação dos aplicativos 

Hoje, além da RedeCare, existem outras plataformas em que as pessoas se cadastram, encontram um médico da especialidade e do preço desejados e agendam a consulta. Em algumas, os profissionais atendem em casa; em outras, só em clínicas e consultórios.
Há pelo menos sete aplicativos de consultas médicas atuando no país, com cerca de 6 mil médicos cadastrados. As consultas custam entre R$ 50 a R$ 960, e o pagamento é feito diretamente ao médico ou à clínica-após o atendimento. As empresas ficam com uma fatia de até 15%.
Segundo Lavínio Camarim, vice-presidente do Cremesp, o conselho paulista em conjunto com o CFM (Conselho Federal de Medicina), está elaborando nova resolução com regras mais claras sobre a atuação dos aplicativos.

Registro
Uma delas será a necessidade de a empresa ter responsável técnico médico e registro no Conselho de Medicina. Também é vetada a divulgação dos valores da consulta.
Para Camarim, essa prática caracteriza “exercício mercantilista da medicina”, além de gerar uma concorrência desleal, o que contraria o artigo 58 do código de ética.
Outra questão é a taxa de intermediação que, para o Cremesp, também configura infração ética. Ele diz que uma resolução de 2008 do CFM proíbe o vínculo dos profissionais com intermediadoras comerciais de serviços.
“Não somos contra nenhum avanço tecnológico que leve a uma disponibilização maior ou um acesso mais rápido entre o paciente e o profissional médico. Mas temos compromisso com a legalidade, com as normas”, afirma.

Argumentos das empresas
A empresa Dr. Já ingressou com mandado de segurança com pedido de liminar para voltar a atuar em São Paulo. Após o imbróglio com o Cremesp, ela saiu de São Paulo, mas segue ativa no Rio de Janeiro e em outros Estados.
Segundo Gustavo Valente, um dos sócios da empresa, a ação judicial questiona se o conselho paulista tem poder de interferir no mercado. “Tentamos um acordo, mas não tivemos sucesso”, afirma.
Para ele, o posicionamento do Cremesp representa um desvio de função e uma interferência na livre iniciativa. “A função do conselho é regular e fiscalizar o ato médico.”
A plataforma é aberta a todos os médicos, por isso não haveria concorrência desleal. “Ela agiliza o processo da escolha do profissional. É uma evolução do catálogo de serviços”, diz.
Quanto a divulgar o preço da consulta, Valente diz que isso traz transparência e pesa na decisão do paciente.
Outra incoerência, segundo ele, é o Cremesp proibir a taxa de intermediação (no caso da Dr. Já, de 13%). “O conselho quer decidir como o médico gasta o seu dinheiro. Para ele, é vantajoso ao médico cobrar R$ 100 por uma consulta e pagar 13% de taxa para o aplicativo. Isso não é ético? É mais ético receber R$ 40 dos planos de saúde?”, defende.

Nova regulamentação
Sobre a necessidade de registro no conselho e responsável técnico, Valente diz não ser contra, mas argumenta que os profissionais cadastrados na plataforma estão vinculados a clínicas que já cumprem os requisitos técnicos.
Camarim, do Cremesp, defende a necessidade de uma nova regulamentação em razão de irregularidades que já estão sendo investigadas envolvendo os aplicativos. O conselho recebeu, por exemplo, denúncias de médicos registrados em aplicativos se dizendo de uma determinada especialidade, quando eram de outra. “Precisamos tomar muito cuidado enquanto instituição que normatiza o bom exercício profissional”, destaca.

Regulamentação

Para Fábio Tiepolo, criador da empresa Docway, é salutar que os conselhos médicos e as empresas pensem em uma regulamentação que não inviabilize o negócio.
A empresa, criada há quase dois anos, possui responsável médico técnico e aval do conselho médico do Paraná. Diz ter seguido as orientações e feito alterações a pedido do conselho, como divulgar a nota que os pacientes dão ao atendimento.
“Concordamos porque avaliar um médico não é tão simples como avaliar o Uber. Um pode ser supersimpático e não acertar no diagnóstico, o outro pode ser menos simpático, mas ser eficiente e resolver logo o problema do paciente. Não queremos expor o médico a uma situação que não seja a realidade”, ressalta.
Ele é contra, porém, o veto à divulgação do preço das consultas. “É uma questão de transparência, ninguém compara sem saber o preço”, argumenta.
Sobre a taxa de intermediação, que no caso da Docway é de 15%, ele diz que a cobrança é em comum acordo com o médico. “Desde que fique claro, haja transparência, não vejo malefício”, enfatiza.

Aplicativo de atendimento médico deverá ter regulação  

O CFM (Conselho Federal de Medicina) decidiu regulamentar o funcionamento de aplicativos que ofertam consulta médica em casa. Entre as exigências previstas estão a indicação de um médico como diretor-técnico do serviço e a comprovação de que todos os profissionais listados no aplicativo estão inscritos no registro de especialistas, para evitar fraudes.
A nova resolução prevê que os aplicativos sejam cadastrados nos conselhos regionais de medicina e realizem o arquivamento de prontuários, que poderão ser solicitados pelos pacientes caso decidam migrar para outro serviço.
Segundo o conselho, o objetivo é aumentar a segurança de médicos e pacientes diante do crescimento na oferta desses aplicativos. Até então, não havia regulamentação específica sobre o tema.
Hoje, não há dados exatos do total desses aplicativos em funcionamento no país. Um dos primeiros do gênero, porém, passou a funcionar no Brasil há dois anos, após ter sido lançado também nos EUA. Atualmente, já soma 2.750 médicos cadastrados.
Desde então, outros têm sido divulgados. Segundo o CFM, as especialidades mais solicitadas são clínica médica, pediatria, clínica geral e medicina da família.
Além dessas medidas, a nova resolução também veta a criação de rankings de médicos pelos aplicativos e a divulgação de anúncios promocionais com valores de consultas e procedimentos.

Atendimento domiciliare rapidez são diferenciais 

Bom preço, atendimento domiciliar, rapidez no atendimento são algumas das razões que estão levando pacientes a agendar consultas por meio de aplicativos.
Através desses aplicativos, os pacientes têm variadas opções de especialidades médicas e podem solicitar consultas em qualquer uma delas pelo celular. Depois de marcar a consulta, o médico se dirige à residência, faz a consulta e recebe (em dinheiro ou cartão de crédito) ou pelo aplicativo.
O profissional repassa parte desse valor (geralmente em torno de 15%) à empresa responsável pelo aplicativo.
Um importante ponto positivo é que o médico tem acesso à ficha clínica do paciente no próprio aplicativo, que é importante para o profissional se informar sobre a vida clínica da atendido, mesmo antes de fazer a consulta.
Vale lembrar, entretanto, que os aplicativos ainda não estão disponíveis na região, mas sim em grandes centros brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, mas não há dúvida, que não deve demorar e se espalhar por todos o país

Clínicas

Outras plataformas, como o Dr. Já, só oferecem atendimento médico em clínicas. Maria Mercês Lima Monteiro, de Maricá (Rio), usou o aplicativo para encontrar um ortopedista para o filho João Pedro, 20, que lesionou o pé.
“Pelo plano de saúde, ia demorar um mês. Pelo aplicativo, consegui no dia seguinte, em pleno sábado, perto de casa”, conta. A família paga R$ 1.800 de convênio.
Outro que ficou satisfeito com consulta agendada pelo aplicativo foi o aposentado Sérgio de Almeida, 76. Usuário do SUS, ele está sem sensibilidade na mão esquerda. “Não consigo segurar nada. As coisas caem.”
Segundo ele, um neurologista da rede pública diagnosticou no início do ano um “atrofiamento dos nervos” e recomendou fisioterapia. Mas, para Almeida, o tratamento não está funcionamento. Ele procurou então uma segunda opinião médica por meio da plataforma.