Bebianno diz em nota que não escolheu candidatas que receberam dinheiro do PSL

O ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, divulgou uma nota na noite desta quinta-feira (14) para afirmar que não é o responsável pela escolha das candidatas que receberam dinheiro do PSL.

No último fim de semana, o jornal “Folha de S. Paulo” informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que o ministro era presidente do partido.

“Reafirmo que não fui responsável pela definição das candidatas de Pernambuco que foram beneficiadas por recursos oriundos do PSL Nacional”, afirmou Bebianno na nota.

De acordo com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, a Polícia Federal investigará as suspeitas de irregularidade nos repasses.

Em uma entrevista à TV Record, nesta quarta (13), Bolsonaro afirmou que, se Bebianno estiver envolvido em irregularidades, não terá outro “destino” a não ser “voltar às ruas origens“.

“Se estiver envolvido, logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens. Em nenhum momento conversei com ele”, afirmou o presidente.

Versão sobre o repasse

Na nota, Gustavo Bebianno diz que assumiu interinamente a presidência da Executiva Nacional do PSL pelo período de 5 de fevereiro a 29 de outubro de 2018. O ministro afirma que executou um trabalho “com total transparência e lisura”.

Afirma, ainda, que os repasses de recursos para os candidatos a deputado estadual e federal e a governos dos estados são realizados pela Executiva Nacional do partido “por conta e ordem” dos diretórios estaduais.

Ele afirma também que compete a cada candidato a prestação das contas, “cabendo-lhes também a responsabilidade pelos atos praticados”.

De acordo com o ministro, Maria de Lourdes Paixão e Érika Siqueira Campos, citadas pela reportagem da “Folha”, receberam recursos para as campanhas “por conta e ordem” do diretório estadual do PSL em Pernambuco.

Bebianno também diz, na nota, que os recursos transferidos à candidatura de Maria de Lourdes não têm origem no fundo público de financiamento de campanhas. Segundo o ministro, o dinheiro veio de recursos acumulados pelo PSL Mulher, abastecido com verba do fundo partidário – que também é irrigado com dinheiro público.

Diante disso, ele argumenta que os recursos do PSL Mulher não poderiam ser utilizados para fins eleitorais e, por isso, não tinham sido distribuídos inicialmente. O ministro afirma que uma decisão do STF, do dia 3 de outubro de 2018, autorizou os partidos a utilizar o dinheironas campanhas de candidatas.

“Por esse motivo, os recursos do PSL Mulher foram transferidos para as suas candidatas apenas no final da campanha, no mesmo dia em que o STF assim autorizou”, disse Bebianno.

Presidente Jair Bolsonaro enfrenta maior crise do governo

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Crise com filho de Bolsonaro

Gustavo Bebianno enfrenta uma crise envolvendo Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente. Nesta quarta (13), o vereador do Rio divulgou um áudio do pai para dizer que Bebianno mentiu ao afirmar ao jornal “O Globo” que conversou com Bolsonaro na terça (12).

A publicação de Carlos foi compartilhada pelo presidente, horas depois. Em uma entrevista, Bolsonaro disse ser “mentira” que tivesse falado sobre o assunto com Bebianno.

Segundo o colunista do G1 e da GloboNews Valdo Cruz, há pressões no Palácio do Planalto pela demissão de Bebianno, em razão da crise entre o ministro e o filho do presidente.

À colunista do G1 Andréia Sadi, Bebianno afirmou que não pretende pedir demissão e que aguarda uma decisão de Bolsonaro.

Fonte: www.g1.globo.com