Brasil pode ultrapassar EUA na produção soja em 2019

10Dados iniciais apontam país na frente dos EUA na oferta da oleaginosa, com 120 milhões de toneladas colhidas 

O presidente do Sindicato Rural de Ituverava, Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia

O agronegócio, que tem sido a tábua de salvação do Brasil na travessia de sua pior crise econômica, traz mais uma importante perspectiva. O Brasil poderá ultrapassar os Estados Unidos na produção de soja já em 2019 e tornar-se o líder mundial na oferta da oleaginosa. Os EUA cairiam para o segundo lugar.
Segundo analistas, a área de plantio no Brasil, dependendo da margem de ganho do produtor neste ano, poderá subir em até 1 milhão de hectares, para 36 milhões em 2018/19. Mantida a produtividade média do país, a safra iria para 120 milhões de toneladas.
Na contramão, os Estados Unidos devem colher 116,7 milhões de toneladas. O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou nos números no final do mês de fevereiro, os primeiros para a próxima safra de soja do país. A área de plantio não teria grandes mudanças.
Ainda são estimativas, no entanto os dados iniciais referentes aos dois países apontam para esse novo cenário. A inversão de posição entre Brasil e EUA depende, porém, de alguns fatores que influenciam a decisão dos produtores dos dois países nos próximos meses.
De acordo com a Agroconsult, neste ano, algumas regiões do país surpreendem, e a safra está estimada em 117,5 milhões de toneladas. O volume, contudo, poderá ser ainda maior e superar os 118 milhões, devido ao bom desempenho de algumas regiões, como o Nordeste.
Boa produção
A boa produção nacional e a sustentação dos preços externos, devido à quebra de safra na Argentina, darão margem melhor ao produtor brasileiro. Se isso ocorrer, Centro-Oeste e Nordeste aumentarão a área de plantio de soja. Em algumas regiões, a soja poderá ocupar parte da área de milho semeado no verão.
Esse cenário brasileiro depende, porém, também dos produtores americanos. Eles estão próximos do plantio de soja de 2018 e sempre levam em consideração a relação dos preços do milho com a oleaginosa. Neste ano, essa relação indica condições financeiras melhores para o plantio da soja nos Estados Unidos.
A decisão de plantio no Brasil, que ocorre depois do dos americanos, também vai ser influenciada pelo desempenho da safra dos americanos. Uma boa safra por lá eleva ainda mais os estoques mundiais.
Afinal, 2018/19 poderá ser o quinto ano em que a safra de sojas dos EUA supera os 100 milhões de toneladas. O Brasil, que colhe safra recorde em 2017/18, poderá ter a terceira produção superior a 100 milhões de toneladas. Houve aumento de área, e o clima está ajudando nas principais regiões produtoras do país.

Otimismo
O presidente do Sindicato Rural de Ituverava, Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia, que é também presidente da Aprosoja São Paulo, entidade criada com o intuito de levantar as necessidades do Estado nesta área e buscar soluções para a produção da leguminosa, acredita na evolução da área plantada da safra brasileira. Segundo ele, o comércio bilateral com países asiáticos, será decisivo para essa decisão.
“A região de Ribeirão Preto tem a soja, como uma cultura de reforma de canaviais, ou seja, a cada 5 anos é para a reforma com plantio de soja no lugar do canavial. O Estado de São Paulo – o 8º produtor nacional de soja (3 milhões de toneladas) – tem a região de Assis como a maior produtora com 650 mil toneladas, enquanto a região de Ribeirão Preto, se encontra no ranking como a segunda maior produtora, com 350 mil toneladas”, afirma Chavaglia.
“Além do mais, o estado também detém infraestrutura (armazéns), logística com distâncias mais próximas de portos para exportação e também é hoje, o maior centro consumidor, portanto, poderá reagir de forma positiva, proporcionando melhores preços, como já os tem em condições normais”, observa.

Demanda aquecida

“Caso o Brasil venha a se tornar de fato o líder mundial na produção de soja, a demanda aquecida (consumo interno e consumo mundial), fará com que outros países necessitem da produção brasileira, causando um impacto positivo na produção, principalmente ao Estado de São Paulo, assim como em nossa região, que tem os grãos no mix da produção agrícola”, destaca.
Ainda segundo ele, para assumir o ranking do mercado mundial na produção de grãos, o Brasil terá que intensificar o comércio bilateral, com países asiáticos, como tem feito a China e outros países parceiros, promovendo a venda direta entre eles.
“O que determinará o avanço na produção e exportação de grãos pelo Brasil, será o crescimento da demanda mundial, e por conseguinte maior remuneração, dando rentabilidade ao produtor, para que ele invista no aumento da produção”, conclui Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia.

Safra de soja deste ano será a segunda maior da história 

O banco Rabobank estimou no início de janeiro, que a safra de soja 2017/18 do Brasil, alcançará a segundo maior da história. De acordo com a mais recente pesquisa da Reuters sobre o ciclo atual, no mês de fevereiro o otimismo do mercado em relação à safra de soja brasileira aumentou, e consultorias e instituições já projetam, em média, uma produção mais próxima do recorde registrado na temporada anterior – 114 milhões.
Na penúltima semana do mês, uma enxurrada de vendas de soja pelos produtores do Brasil, em função de preços mais altos devido à quebra de safra na Argentina, potencializou a comercialização da safra brasileira, que vinha atrasada, e deve ajudar também a indústria processadora e exportadora no país.
Segundo a Reuters, a comercialização de soja atingiu o maior volume semanal da temporada, com produtores negociando cerca de 3,5 milhões de toneladas. Com as vendas, o volume comercializado representa 40,6 por cento da safra de soja estimada para o Brasil em um recorde de 116,2 milhões de toneladas. Na comparação com a segunda semana de fevereiro, a comercialização de soja do Brasil avançou 3 pontos percentuais.

Levantamento do CATI mostra estimativa da safra 2017/2018 de soja na região  

No mês de janeiro, a Tribuna de Ituverava divulgou o Levantamento Subjetivo de Previsão da Safra 2017/2018, da Secretaria de Agricultura, através do Escritório de Desenvolvimento Rural de Orlândia, elaborado pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de Orlândia e pelo Instituto de Economia Agrícola – IEA.
Além da cana-de-açúcar, a cultura da soja também é destaque na região, ocupando uma área de 65.900 hectares, com produtividade média estimada de 55 sacas por hectare (133 sacas por alqueire), com uma estima da colheita de 3.656.000 sacas de 60 quilos.
Morro Agudo é o maior produtor da oleaginosa na região com 14.000 hectares, seguido por Miguelópolis – 12.000 hectares, Ipuã – 10.000 hectares. em Ituverava, a estimativa de área plantada de soja é 9.000 hectares.

Previsão de área plantada de soja na região 

Municípios
Aramina
Buritizal
Guará
Igarapava
Ipuã
Ituverava
Miguelópolis
Morro Agudo
Nuporanga
Orlândia
Sales Oliveira
S. Joaquim da Barra
Total
Área (ha) Produção (sc 60Kg) Rendimento (sc/ha)
2300 126500 55
1100 55000 50
4000 220000 55
2200 110000 50
10000 500000 50
9000 558000 62
12000 600000 50
14000 840000 60
4000 240000 60
2000 100000 50
2300 126500 55
3000 180000 60
65.900 3.656.000 55,47