Brasileiros comem menos peixe do que o recomendado

Brasileiro consome em média 9,5 kg de peixe por ano, ante uma média mundial de
mais de 20 kg/habitante/ano

No país, consumo médio é de 9 kg por pessoa, número menor que o mínimo indicado pela ONU: 12 kg 

Nas festas de final de ano, o brasileiro tem o hábito de comer carnes gordurosas como leitoa, tender, frango e outros tipos, e esquece que é uma boa hora para incluir peixes no cardápio.
Tilápia, tambaqui, pacu, tambacu, pirapitinga e tambatinga são peixes com excelentes “virtudes gastronômicas”, mas pouco presentes na mesa da população. Isso foi apontado pela Tribuna de Ituverava há cinco anos, quando o semanário mostrou que os brasileiros comiam, em média, 9 kg de peixe por ano. De lá para cá, pouca coisa mudou.
Segundo o IBGE, o brasileiro consome em média 9,5 kg de peixe por ano, ante uma média mundial de mais de 20 kg/habitante/ano. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), por sua vez, recomenda que o ser humano ingira 12 kg/hab/ano.
A explicação para o baixo consumo, segundo os produtores, vem da própria cultura de consumo do brasileiro, mais afeito às carnes de gado, frango e suína. Além disso, a piscicultura nacional ainda está se firmando como indústria, com boas possibilidades de crescimento.
Por isso, a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) está lançando uma campanha justamente para incentivar o consumo interno do produto.
Segundo Mauro Tadashi Nakata, diretor da PEIXE BR, o consumo interno absorve mais de 90% da produção nacional, principalmente de tilápia. “Existe um movimento inicial de exportação, principalmente de tilápia, mas ainda não é significativo”, explica.

Água doce
Quase a totalidade da produção de peixes no país é de água doce. Dos 9,5 kg per capita consumidos hoje, apenas 1/3 é de peixes de cultivo produzidos no Brasil. A maior parte é cultivada em outros países, entre elas o panga e o salmão.
Mas a maior concorrência da piscicultura não são os pescados, e sim as proteínas tradicionais dos rebanhos de corte. Para Nakata, no entanto, o aumento do consumo de peixe seria a principal mola para incentivar a produção e o consumo nacional.
Nesse cenário, o Paraná seria o mais beneficiado, já que a Região Oeste do Estado é o principal polo de peixes cultivados do país, seguida da Região Noroeste de São Paulo. No caso de peixes nativos, chamados de redondos, a produção se concentra em Rondônia e Mato Grosso. Em 2017, o Paraná produziu 112 mil toneladas de peixe, aumento de 19,3% em relação a 2016. O Estado representa 16% da produção nacional.
Em 2017, a cooperativa C.Vale inaugurou em Palotina, no Oeste do Paraná, o maior abatedouro de peixes do Brasil. Construída em tempo recorde, apenas nove meses, a nova indústria consumiu R$ 110 milhões em investidos.

Ministério extinto

A extinção do Ministério da Pesca e Aquicultura, em 2015, atrapalhou um pouco os planos de expansão do setor, pois travou alguns licenciamentos de propriedades para exercerem a piscicultura.
Atualmente, a atividade está vinculada à Secretaria Especial da Aquicultura e da Pesca, ligada à Secretaria-Geral da Presidência da República. “Agora, com a troca de governo vai começar um ciclo novo e as coisas devem voltar à normalidade”, afirma Nakata.
Um dos argumentos dos produtores para abrir o apetite da população é de que a carne de peixe é mais saudável, além de ser um alimento rico em nutrientes. Para isso, as ações da campanha envolvem sensibilizar e engajar os vários agentes da cadeia produtiva, como produtores, indústrias, varejistas, restaurantes e food service.
A cadeia da piscicultura, segundo a PEIXE BR, gera 1 milhão de empregos diretos em todo o Brasil. Em 2017, a produção nacional atingiu 691.700 toneladas, sendo 51,7% de tilápia (357.639 t), 43,7% de peixes nativos (302.235 t) e 4,6% (31.825 t) de carpas e trutas. A produção do setor cresceu a taxas médias de 10% ao ano na última década, mas pode crescer ainda mais, segundo os produtores.

Confira dicas para a compra e o consumo do alimento 

Um dos principais cuidados que se deve ter no consumo do peixe é saber a procedência do alimento. Na hora de escolher o peixe, é necessário que ele esteja com o olho saltado e brilhante, a guelra bem vermelha e o cheiro não pode ser muito forte.
Também é aconselhável que se evite a compra de filés congelados. O manuseio desse alimento é muito delicado. Ele pode ter sido congelado e descongelado várias vezes.
Se não tiver outra opção, é importante ficar atento à presença de cristais de gelo no peixe. Isso indica que ele já foi descongelado.

Preparo

Na hora de preparar, é preferível fazê-lo ao forno, pois assim é possível preservar melhor as propriedades do alimento. Mas também pode ser feito grelhado, cozido ou consumido cru, como em receitas da culinária japonesa.
Nessas preparações, é importante utilizar pouco óleo e prefira os vegetais, como canola, milho e girassol, e evite utilizar margarina, manteiga e creme de leite, que são fontes de gordura saturada.
Se for acrescentar azeite, quem estiver preparando o prato deve fazer isso apenas quando o fogo estiver desligado. Também se deve evitar fritar o alimento, pois o óleo quente é rico em gordura saturada.

Além de ser um alimento muito saboroso, o peixe também pode
fazer muito bem para a saúde.

Consumo de peixe traz diversos benefícios à saúde física e mental 

O peixe é um alimento muito consumido em todo o mundo e faz parte de receitas deliciosas, como moqueca, peixe com açaí, costela de tambaqui grelhada, pirarucu de casaca e muito mais.
Além de ser um alimento muito saboroso, ele também pode fazer muito bem para a saúde.
Assim como o boi, o porco e o frango, o peixe também é uma excelente fonte de proteína. Eles são ótimos para dar aquela variada no cardápio e para quem busca uma alimentação mais leve. Os peixes brancos menos calóricos são a tilápia, o namorado e a corvina.
Os peixes fornecem gordura boa para o organismo: o ômega 3 é um tipo de gordura boa encontrada em peixes de água salgada como o atum e o salmão. Ela ajuda a proteger contra doenças cardiovasculares, além de melhorar o sistema imunológico.
A nutricionista ituveravense Tatiane Avanci Lopes Mauad, 33 anos, há cinco falou à Tribuna de Ituverava sobre o assunto. “O ideal é consumir a carne de peixe pelo menos três vezes por semana, sempre acompanhado de fontes de carboidrato, como arroz, massas, batata, feijão, além de legumes e verduras”, afirmou na época
“Os brasileiros, hoje em dia, ainda preferem a carne vermelha. Entretanto, isso vem mudando ao longo do tempo, pois eles estão se preocupando mais com a saúde e incluindo o peixe na alimentação. Mas, ainda o consumo é baixo”, complementou a nutricionista.
Agora Tatiane Avanci Lopes Mauad volta a explica que a população precisa ter consciência do valor nutricional do peixe. “O peixe é uma carne de alto valor biológico e que contém Ômega 3, que é um tipo de gordura insaturada que reduz a quantidades de colesterol ruim no sangue, além de conter também ferro, vitamina B12 e cálcio”, observa.
A nutricionista, que atende no setor Viver Bem, da Unimed Norte Paulista, é casada com o advogado Marcelo Sandoval Mauad, e tem os filhos Marcelo Sandoval Mauad Filho e Isadora Lopes Mauad.
Ômega 3
A ação do ômega 3 combinada com o cálcio e o fósforo presente nos peixes faz com que esse alimento seja ótimo para a memória, auxiliando na prevenção de doenças como o Alzheimer.
Alguns tipos de peixe como o atum e a cavala possuem propriedades anti-inflamatórias, o que os tornam grandes aliados de quem sofre de doenças como artrite.
Os peixes também são ricos em vitamina D, principalmente os que têm mais gordura, como a anchova. Ela ajuda na prevenção de doenças como diabetes e câncer, além de ajudar na absorção do cálcio no organismo.

Água doce e água salgada

Existem algumas diferenças básicas entre as espécies de mar e de rio. Ambas são fontes de proteína e vitaminas de excelente qualidade, mas os peixes de água salgada levam vantagem na quantidade de ômegas 3.
Em contrapartida, os peixes de água doce são mais leves e mais facilmente digeridos. A textura é suave e sua carne se desfaz rapidamente durante a digestão. Já os peixes de água salgada precisam ter uma parede celular firme para garantir o equilíbrio das concentrações de sal e água no corpo, o que nos rios isso não é necessário.