Bullying é capaz de afetar até a estrutura cerebral de adolescentes

Schoolgirl crying on background of classmates teasing her

Só quem passou por bullying sabe como é se sentir excluído e julgado por todos a sua volta. Isso não causa apenas uma tristeza momentânea. Um estudo descobriu que o bullying causava não só consequências para a saúde mental dos adolescentes, mas também uma diminuição de duas estruturas do cérebro: o núcleo caudado e o putâmen.
“A importância das mudanças estruturais no putâmen e do caudado no desenvolvimento da ansiedade provavelmente está em sua contribuição para comportamentos relacionados, como sensibilidade à recompensa, motivação, condicionamento, atenção e processamento emocional”, explica Erin Burke Quinlan, pesquisador da King’s College London
O estudo foi feito com 682 adolescentes. Os pesquisadores analisaram dados, entrevistas e exames de imagem cerebrais deles quando eles tinham 14 e 19 anos. Os questionários buscavam entender se os jovens tinham sido vítimas de bullying. A partir daí, os pesquisadores descobriram que 36 jovens deste grupo tinham sofrido bullying crônico.
Ao comparar o volume cerebral e os diagnósticos de doenças psiquiátricas nestes adolescentes, perceberam que os que haviam sofrido bullying tinham prejuízo no núcleo caudado e no putâmen. Além disso, o estudo confirmou que a violência levou a maior predominância de problemas de saúde mental.
De acordo com a psicóloga Thainá Matos, as vítimas do bullying acabam sofrendo caladas por terem medo de revelar a violência sofrida. Porém, existem sinais comuns apresentados que podem ser observados pelos pais, como resistência em ir à escola, alterações de sono e apetite, baixa no rendimento escolar, dentre outros. Esses sinais devem ser observados com atenção, pois podem ser um indicador da ocorrência do bullying.

Cyberbullying  

Cerca de um milhão de pessoas já interagiram com a ferramenta de inteligência artificial sobre segurança online, fruto da parceria do Unicef e do Facebook.
Jovens a partir de 13 anos interagem no Messenger durante pelo menos 48 horas com a personagem fictícia Fabi —que descobre que seu ex-namorado vazou um vídeo íntimo dos dois.
E uma pesquisa realizada com 238 mil pessoas mostra que dos adolescentes que chegaram até o fim da experiência com a Fabi, apenas 40% declararam que sabiam como se proteger de violência online e cyberbullying antes de conversar com a ferramenta. Esse percentual cresceu para 90% depois da troca de mensagens.
Durante o diálogo com o robô, são discutidas formas de lidar com situações de vazamento de imagens íntimas. Os participantes também têm acesso a formas efetivas de buscar ajuda em situações de violência online.