Câmara afasta prefeito de Morro Agudo acusado de desvio

Prefeitura de Morro Agudo

Por sete votos a um, os vereadores de Morro Agudo aprovaram segunda-feira, 11 de março, o afastamento do prefeito Gilberto Barbeti (PDT), acusado pela Operação Eminência Parda de agir no desvio de R$ 1 milhão destinado a obra para tratamento de esgoto.
A votação foi realizada com base em requerimento do vereador Wellington Floriano Rosa (PSDB) pela abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o chefe do Executivo. Barbeti deve ficar afastado por 180 dias, que é o tempo para conclusão da CP. O pedido do parlamentar foi protocolado duas semanas depois de o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) – onde o processo tramita – decidir pelo retorno de Barbeti ao cargo. Ele estava afastado desde abril do ano passado, quando foi deflagrada a força-tarefa.
Outro pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) chegou a ser protocolado por um grupo de advogados, em agosto do ano passado, mas a proposta não foi acatada pelo Legislativo.
Segundo o presidente da Câmara, as informações levadas pelos advogados já tinham sido apuradas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os advogados discordam e defendem que a proposta deles é mais consistente.
À EPTV, afiliada da TV Globo, Barbeti disse que tomaria providências judiciais cabíveis em caso de aprovação do afastamento e que a CP proposta tem base em fatos anteriores à sua atual gestão, o que não legitimaria a abertura da Comissão.

Operação Eminência Parda

Deflagrada em 11 de abril do ano passado, a Operação Eminência Parda investiga esquema de fraudes em licitações envolvendo secretários, vereadores, funcionários públicos e um ex-servidor de Morro Agudo, que já teve os direitos políticos suspensos pela Justiça.
As suspeitas surgiram em novembro de 2017, após a deflagração da Operação Purgamentum, que apurava fraudes em contratos de coleta de lixo não região de Ribeirão Preto e no Sul de Minas Gerais, e que levou o ex-prefeito de Passos (MG) Ataíde Vilela (PSDB) à prisão.
Segundo o Gaeco, os suspeitos direcionavam contratos a pessoas que integravam o esquema, incluindo parentes, vereadores e laranjas, dispensando processos licitatórios para contratação de prestadores de serviços à Prefeitura. A fraude teria desviado ao menos R$ 1 milhão.