Cinco coisas para ficar atento na trama do novo Toy Story

Em novembro de 1995, o mundo conheceu o garoto Andy e seus brinquedos favoritos – o cowboy Woody e o patrulheiro espacial Buzz Lightyear. Mal sonhava Andy que, quando não tinha ninguém olhando, seus brinquedos ganham vida.
Era a estreia de Toy Story, primeiro filme longa-metragem inteiramente realizado em computação gráfica – que revolucionou a história da animação.
Ali também ficou mundialmente conhecido o estúdio responsável por toda a produção criativa do longa, a Pixar. O sucesso foi tanto que Toy Story foi o primeiro filme de computação gráfica indicado para um Oscar de melhor roteiro original. Em 2010, 15 anos após o primeiro capítulo dessa saga, chegou aos cinemas o avassalador Toy Story 3, arrecadando mais de US$ 1 bilhão só de bilheteria. E, acredite, melhor que seus números foi sua história de encerramento: com a temática do garoto que está indo para a faculdade e precisa inevitavelmente se despedir de seus brinquedos, o filme conquistou pais que levaram seus filhos para ver a franquia desde os anos 90, jovens adultos que cresceram como o Andy (e também estavam na faculdade) e toda uma nova geração de crianças.
As cenas do incinerador e da varanda são antológicas, e estão entre as sequências mais emocionantes da história da Pixar (e olha que o estúdio tem Up – Altas Aventuras e Coco no currículo.) Era o fim perfeito para uma franquia que fez história. A Disney, porém, se deslumbrou com os números do terceiro longa. Ela até inaugurou em seus parques em Orlando (EUA), ano passado, uma área totalmente dedicada àquele universo. Lógico, ninguém inaugura atrações de uma franquia que acabou há 9 anos atrás – mais velho que muitas das crianças que passeiam por lá. Só havia uma solução: era hora de Woody e Buzz voltarem à vida.
Chegamos a Toy Story 4, que estreou no dia 21 de junho nos cinemas brasileiros. Confira cinco pontos que merecem atenção no filme:

Muitos, muitos easter eggs
Toy Story 4 tem referências a absolutamente todos os filmes da Pixar! Exatamente, todos. Como esse filme chega quase 25 anos após o início da franquia, que foi o primeiro longa do estúdio, os produtores acharam que era o momento ideal para reverenciar toda essa história.
Eater eggs não é bem novidade: a Pixar sempre incorporou referências de outros filmes em seus filmes – além de piadas internas, como a clássica A113.
Essa prática é tão comum que os fãs criaram até a famosa Teoria da Pixar, que tenta explicar como todos os filmes do estúdio realmente acontecem dentro do mesmo universo. Não se sabe como Toy Story 4 se encaixa na teoria, mas ter muitas cenas em uma loja de antiguidades foi um prato cheio para as mentes do estúdio colocarem referência a rodo. Vale prestar muita atenção nas estantes para tentar pegar o mais número possível.

Garfinho
O novo personagem central do filme, Forky (ou Garfinho, na versão dublada) é um dos pontos altos do longa.
Muito se discutiu nos confins da internet como Garfinho poderia ter vida igual aos brinquedos se ele é um garfo, objeto inanimado até quando ninguém está olhando.
Teorias afirmavam que, por Bonnie (a garotinha para quem Andy deixou seus brinquedos no fim de Toy Story 3) colocar olhinhos e bracinhos nele, ele automaticamente ganharia vida. Mas essa teoria não convenceu os mais puristas, que insistiam que isso era quebrar um cânone estabelecido pelo universo da série.
O que todo mundo esqueceu é que estamos falando de um roteiro da Pixar. O próprio personagem encontra o mesmo problema que os debatedores: a crise existencial dele é justamente essa – e gera uma saga excelente do talher para se aceitar como um brinquedo. Vale prestar bastante atenção nela.
A relação dele com Woody consegue desenvolver muito bem os dois personagens ao mesmo tempo, além de render cenas bem engraçadas – não quero dar spoilers, mas deixo registrado que o Cowboy precisa se virar nos 30 para tomar conta de Garfinho.

As letras das novas músicas
A trilha sonora que embala a série Toy Story é um show à parte. Mesmo a franquia não sendo de musicais, as canções sempre foram essenciais, ajudando a contar as histórias.
Para quem cresceu assistindo aos filmes, é impossível não se emocionar ouvindo Amigo Estou Aqui (“O tempo vai passar, os anos vão confirmar, às três palavras que eu proferi, amigo estou aqui!”), Coisas estranhas (“Eram coisas mesmo estranhas demais para mim! Estranhas demais para mim, acho que é o meu fim!”) ou Quando eu era amada (“Quando eu era amada, via o mundo todo azul, tudo o que passamos juntas, fala ao coração”).
Finalmente, com o terceiro longa em 2010, veio o Oscar de canção original com Para Sempre Unidos.
O responsável por todos esses hinos se chama Randy Newman. De volta ao quarto filme, ele traz duas ótimas canções originais: “Seu Destino”, que entoa a trajetória de Garfinho, e “The Ballad of the Lonesome Cowboy“, música dos créditos, interpretada pelo vencedor do Grammy Chris Stapleton.
Como sempre, elas não estão ali à toa, e são cruciais para o enredo. Fique ligado nas letras delas. Muitos elogios também para a adaptação para o português, que segue fazendo um ótimo trabalho na franquia – por exemplo, “I can’t let you throw yourself away” virou “seu destino não é no lixão” na música de Garfinho.

A volta de Betty
A pastora de ovelhas Betty – que fazia parte de um abajur de porcelana de Molly, irmã de Andy – aparece nos dois primeiros longas da franquia, mas ficou fora de Toy Story 3.
Segundo alguns produtores, a personagem não sobreviveria a crucial cena do incinerador, devido ao seu material frágil. A solução foi não tê-la no filme, e declarar que ela foi “perdida” entre os dois últimos longas.
Para o quarto capítulo, resolveram trazê-la de volta. Na verdade, a relação amorosa entre a pastora e Woody seria o tema central desse filme – pensado, inicialmente, como uma comédia romântica.
Mas, os produtores logo perceberam que seria uma história humana demais para ser protagonizada por brinquedos. Querendo ou não, fazer parte desse universo imaginário ainda é o diferencial franquia.
Bem, numa mudança total de roteiro, Betty largou o vestido e o chapéu rosa para usar uma calça azul, capa roxa e um laço no cabelo. A personagem, que antes era só crush do Woddy, está forte e independente, e acabou virando o que o cowboy mais temia: um brinquedo perdido – sem “uma criança para chamar de sua”.
Mas isso não é um problema para ela. Todo o desenvolvimento da personagem começa em flashbacks, para explicar o que aconteceu todos esses anos. Fez bem para a personagem. Acabou que, agora, as meninas fãs da franquia é que tem uma heroína para chamarem de sua.

Dublagem afiada
Toy Story tem um time de dubladores originais invejável: Tom Hanks e Tim Allen dão vida a Woody e Buzz. Nesse novo longa, Keanu Reeves se junta ao elenco para dar voz ao icônico dublê Duke Caboom. Mas a dublagem brasileira não deixa a desejar – e você vai se divertir se prestar atenção nos detalhes.
As vozes originais estão de volta (Marco Ribeiro como Woody e Guilherme Briggs como Buzz), mas são os personagens inéditos que conquistam – para dar vida a Patinho e Coelhinho, novos ótimos alívios cômicos.
Suas vozes, em inglês, são dadas por uma dupla absolutamente icônica de comediantes americanos: Keegan-Michael Key e Jordan Peele.
Na versão brasileira, entram em cena os humoristas Marco Luque e Antônio Tabet. A química dos dois, as mudanças nas vozes de acordo com a personalidade de cada um (Patinho sofre na mão de Coelhinho) e as piadas prontas têm um timing perfeito.