Comércio ambulante coopera com desemprego em Ituverava

Número de ambulantes cresce na cidade e prejudica vendas do comércio local

Comércio ambulante, na Praça 10 de Março

A Tribuna de Ituverava publicou reportagem bastante preocupante: dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) demonstraram que Ituverava foi o município da microrregião a obter o pior índice de geração de empregos ao longo de 2018.
Ao invés de ter aumentado o número de trabalhadores com carteira registrada entre 2017 e 2018, o município teve queda de 81 vagas no mercado de trabalho.
Mesmo no setor varejista – responsável por gerar grande número de empregos em Ituverava – foi registrado déficit ao longo do ano de 2018. Somando os doze meses, o município teve 678 admissões e 737 desligamentos, o que representa a eliminação de 59 vagas no mercado de trabalho.
A crise financeira que o país atravessa é um dos principais motivos para o resultado negativo. No entanto, existe outro fator que certamente prejudica a cidade, tanto os comerciantes como também para preenchimento de vagas de trabalho: os vendedores ambulantes.

Constatação
Basta passar rapidamente pelo centro da cidade para constatar a presença de ambulantes, principalmente de outras cidades e, mais ainda, nos finais de semana. A princípio, o consumidor pode até pensar que é um fato positivo, pois representa mais uma opção de compras. No entanto, a situação não é bem assim.
Ao comprar de um vendedor ambulante ao invés de em uma loja do comércio, o consumidor deixa de investir na economia local e, como consequência, a queda nos índices de vendas, o que prejudica, não só a criação de empregos, como também demissões (como as registradas em Ituverava ao longo de 2018).
É importante lembrar ainda que a maioria dos ambulantes é de outras cidades, ou seja, eles vêm a Ituverava, comercializam seus produtos, arrecadam dinheiro e voltam às origens. Com isso, o dinheiro não circula no município, ao contrário do que acontece quando as pessoas compram nas lojas locais.
Alguns dos principais produtos vendidos no comércio paralelo são, móveis, assessórios para automóveis, sapatos, CDs e DVDs, roupas, frutas, entre outros.

Dificuldades
Ser empreendedor no Brasil não é tarefa fácil. A burocracia e o difícil acesso ao crédito fazem com que as pessoas precisem trabalhar duro por anos para que consigam abrir a própria empresa, que geram empregos e renda.
O empresário ainda precisa lidar com alvará, Plano de Prevenção de Incêndios (PPCI), impostos e encargos. São muitos gastos na busca de um sonho, o que não acontece com os ambulantes. Isso porque eles não precisam lidar com a burocracia e nem sequer pagam impostos, ou, às vezes, uma pequena taxa.
Imposto, inclusive, é outro fator que deveria fazer o consumidor pensar duas vezes antes de comprar de um ambulante. Isso porque as lojas pagam impostos ao município e esses recursos são revertidos em benefício da própria população, em áreas primordiais, como Educação, Saúde e Segurança Pública.
Quando a compra é feita com um ambulante, esse retorno simplesmente não existe.
A opinião de 12 entrevistados pela Tribuna de Ituverava se divide, pois muitos entenderam que o cidadão vai para a informalidade por sobrevivência. No entanto, o enfoque do jornal são os ambulantes que vêm de outras cidades para promover uma concorrência desleal com o comércio da cidade.
Em entrevista por e-mail, o contador David Carrer, do Escritório Contábil Previal considera a reportagem da Tribuna de Ituverava pertinente. “Achei a matéria oportuna, pois estamos no início de mês de abril e, nesses três meses, só microempresas que prestam serviços já fecharam oito e, no mesmo período, só duas foram abertas e, portanto, precisam ser preservadas. Sem dúvida, os ambulantes foram fatores de reflexo negativo”, afirma o contador.

Compras com ambulantes não dão direitos ao consumidor

Outra questão que deve ser repensada antes de comprar do vendedor ambulante, é que se refere aos direitos do consumidor. Quando o cliente faz uma compra em lojas do comércio local, ele está protegido pelo Código de Defesa do Consumidor, mas com um ambulante não.
Pode, por exemplo, efetuar trocas caso o produto apresente defeitos ou não seja exatamente o que o consumidor acreditou ser. Outro aspecto que merece atenção se refere aos eventuais riscos à saúde do consumidor. No caso de alimentos, o cliente não sabe a procedência do produto e, muito menos, se ele passou por algum tipo de controle de qualidade. Dessa forma, é possível colocar em risco a própria saúde em troca de uma pequena economia no momento da compra.
O mesmo pode acontecer com eletrônicos, que na maioria das vezes são produtos piratas. Uma bateria de celular comprada de um ambulante, por exemplo, está sujeita a graves problemas, como até mesmo explodir durante o uso. Isso também se aplica a itens que podem danificar aparelhos dos consumidores, como CDs e DVDs piratas; cabos de notebooks e pendrives.

Prejuízos
Diante de todos os prejuízos causados pela presença de ambulantes no município, é importante que o Poder Público se atente à questão e passe a promover constantes fiscalizações a fim de coibir essa prática. Existe uma taxa cobrada pelo município que é no valor de R$ 250, mas é preciso que se estabeleça regras mais rígidas e valores que inviabilizem esta prática. Também é importante aumentar o número de fiscais e intensificar o trabalho, pois os prejuízos para o município – como demonstrou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – são grandes.
Esse é o momento de as autoridades agirem em defesa, não só do comércio local, mas da própria cidade, pois os comerciantes realmente licenciados são responsáveis pela geração de empregos e renda para o município, contribuindo de maneira significativa para o crescimento de Ituverava.

Comprar com ambulantes não garante direito ao consumidor

Presidente do SINCOVAMI defende o comércio da cidade

O jornal entrevistou o presidente do SINCOVAMI (Sindicato do Comércio Varejista do Município de Ituverava) Edelberto Diniz Costa, que foi enfático ao defender o comércio de Ituverava. “É importante expor os prejuízos causados, não apenas para a classe empresarial, como também para a população, pois a economia e o desenvolvimento de uma cidade dependem dos impostos e tributos arrecadados pelos dois pilares principais, ou seja, recolhimento dos impostos pagos pelas empresas e os pagos pela população”, alerta.
“A população também tem responsabilidade de influenciar nos resultados negativo ou positivo de um cenário econômico, pois através do consumo é que permite o fortalecimento econômico de uma cidade; em poucas palavras: ‘o dinheiro precisa ter movimentação no comércio’. Isso gera empregos e renda, beneficiando a própria a população, pois o dinheiro circulando na cidade faz com que as empresas consigam manter o quadro de funcionários ou até mesmo ampliar, contratando mais trabalhadores, o que gera uma corrente positiva”, observa Beto.
“A lógica é simples e clara: o consumo da população, quando direcionado para ambulantes de outras cidades ou empresas que vêm para Ituverava apenas para explorar datas especiais temporariamente, é como pegar toda a riqueza da cidade e investir em outra. Essas empresas ou ambulantes pegam o dinheiro e levam para suas respectivas cidades, onde pagam impostos e geram empregos, fortalecendo, desta maneira, a cidade de origem. Pense nisso. O Sindicato do Comércio Varejista do Município de Ituverava (SINCOVAMI), a Associação Comercial Industrial de Ituverava e outras entidades defendem uma economia saudável e uma concorrência leal”, finaliza Edelbeto, que foi muito feliz nas suas explicações.

Edelberto Diniz Costa (“Beto”), presidente do SINCOVAMI

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