Confira dicas para se tornar um jovem empreendedor de sucesso

Os erros podem ensinar lições valiosas para quem está começando no mundo do empreendedorismo. Ainda que a melhor forma de aprender seja criando sua própria empresa, quem ainda não quer se arriscar pode procurar as dicas de quem já obteve sucesso com seus negócios.
Confira os conselhos mais essenciais para criar um bom empreendimento. Eles vão desde elaborar um plano de negócios certeiro até controlar indicadores importantes das finanças empresariais.

Conheça a si mesmo
A primeira dica para abrir um negócio próprio é fazer um processo de autoconhecimento – saber qual é o seu perfil e como ele pode se relacionar com sua futura empresa.
Diogo Amato, fundador da rede de cuidados com estofados Doutor Sofá, elenca algumas perguntas que você deve se fazer no processo de autoconhecimento.
“Tenho conhecimento dessa área? Vejo-me trabalhando nesse segmento daqui a cinco anos? Qual é a necessidade de tempo que esse negócio exigirá de mim. Essas são perguntas de grande importância e suas respostas podem lhe dizer se está, ou não, no caminho certo”, afirma. A Doutor Sofá faturou cerca de R$ 1 milhão em 2017.

Defina sua principal contribuição ao negócio
Reconhecer qualidades e pontos a melhorar não apenas ajuda a decidir qual empreendimento tocar, mas também a definir em qual área você será mais estratégico para sua empresa – o que aumenta as chances de sucesso do negócio como um todo. Se você é experiente em desenvolvimento de produto, por exemplo, pode ajudar a desenvolver uma experiência do usuário incrível.
“Sem essa percepção, você ficará como mais um funcionário da sua própria empresa, apenas apagando incêndios. Dificilmente você terá a visão para crescer seu negócio e obter sucesso”, afirma Meriellin Albuquerque, do empreendimento de desenvolvimento de mulheres Todas em Uma, negócio que faturou R$ 150 mil em 2017.

Tenha uma proposta de negócio simples
Você consegue explicar sua ideia de negócio em poucas palavras? Se não consegue, provavelmente será difícil conquistar clientes – e talvez você tenha de refletir mais sobre qual problema sua empresa resolve e de qual forma.
“Tenha diferenciais de mercado que sejam fáceis de serem compreendidas pelo público-alvo. Se tiver que explicar muito quais são seus pontos fortes, é provável que tenha dificuldade de aceitação, afirma Bruno Magalhães, CEO da rede de franquias Grupo Odontológico Unificado. Com investimento inicial de R$ 1 milhão, o negócio faturou R$ 50 milhões no ano passado.

Faça um bom plano de negócios e mantenha-se focado
Após uma ideia, o próximo grande passo para criar uma empresa é elaborar um plano de negócios. Ele deve conter aspectos como formas de receita e de despesas, quantidade de funcionários, estratégia de vendas e previsão de alcançar o ponto de equilíbrio financeiro, por exemplo.
“O plano de negócios nada mais é do que um grande roteiro sobre tudo aquilo que vai acontecer, desde a realização do pré-operacional até o dia a dia do negócio em si”, afirma Paulo Conrad, da rede Restaura Jeans, que faturou R$ 86 milhões em 2017. “O plano de negócios não serve para ter certeza de que tudo dará certo, mas, para minimizar os riscos de insucesso”, ressalta.
Mas como elaborar esse roteiro na prática? Marcelo de Freitas, da Academia do Rock, lista algumas perguntas a serem respondidas. O faturamento da rede de escolas de música foi de R$ 1,4 milhão em 2017.
“Responda: quanto eu preciso investir, qual a necessidade de capital de giro e quais são os meus custos fixos? De quantas pessoas eu preciso para iniciar as operações e em quais funções? O que eu faço diferente, melhor ou com um custo bem mais baixo que do meu concorrente e como eu comunico isso? E, por fim, como eu posso melhorar meu resultado?”, lembra.

Pense grande, mas comece pequeno
Muitos empreendedores de primeira viagem querem que seu negócio comece perfeito. Porém, ter um escritório perfeito ou criar um site extremamente bem desenvolvido não são investimentos baratos. Quem já obteve sucesso com seus negócios recomenda começar pequeno, ainda que suas ambições sejam grandes.
A marca de brindes e lembranças comestíveis Give a Gift Gourmet foi fundada em 2011, com apenas R$ 5 mil. O negócio faturou R$ 125 mil em 2017, atendendo clientes como HP, Itaú e Porto Seguro.
“O importante é aprender a crescer com segurança e solidez. Assim, caso ocorram erros, eles serão em tamanhos contornáveis”, afirma a CEO e chef Luciana dos Santos.
“Tanto o empresário quanto a empresa se tornam maduros para conquistar mercados cada vez maiores, o que também é importante para consolidar parcerias com os fornecedores certos e para atender clientes maiores com segurança”, diz.

Saiba onde você está pisando
Simultaneamente ao plano de negócios, outro ponto essencial para empreender é a pesquisa prévia de mercado. Isso fará com que você conheça melhor sua própria empresa, seus concorrentes e seu público-alvo.
Um dos pontos mais importante dessa pesquisa de mercado é definir suas personas, ou perfis de clientes. “É preciso realmente conhecer o consumidor do seu produto ou serviço porque ajuda que outros investimentos, como localização do ponto de venda, ações de marketing e campanhas publicitárias, sejam precisos”, afirma Renato Kuyumjian, da Quinta Valentina. A rede de franquias de venda direta de calçados faturou R$13 milhões em 2017.
A pesquisa de mercado também pode mitigar o risco do investimento – que é alto, como em todo empreendimento. “Muitas pessoas vão com tanto ímpeto atrás de um sonho que acabam não se planejando tanto quando deveriam. Depois, têm surpresas desagradáveis no meio do caminho: muita concorrência, preço impraticável e margem insuficiente, por exemplo”, afirma José Carlos Semenzato, fundador da holding de franquias SMZTO. O grupo faturou R$ 1 bilhão em 2017.

Não espere a perfeição e construa logo um protótipo
Quando têm uma ideia de negócio, muitos empreendedores já imaginam seu negócio funcionando perfeitamente. Porém, a realidade não é bem assim: seu produto ou serviço sempre está passível de ajustes e, quanto antes você perceber as falhas, melhor.
Para fazer o primeiro teste da sua ideia, crie um protótipo com os recursos disponíveis no momento – uma iniciativa conhecida como mínimo produto viável, ou MVP.
“Utilize sua criatividade e construa um mínimo produto viável. Com ele definido, vá ao mercado e faça uma pesquisa para validar sua solução”, explica Gustavo Mota, CEO da WeDoLogos. O marketplace de designers faturou R$ 7,2 milhões em 2017.

Elenque dores reais – e não  tenha medo de mudar
Muitos empreendimentos nascem a partir de uma intuição do próprio empreendedor. Isso não é um problema, desde que o futuro dono de negócio consulte outras pessoas e perceba que está vendo uma oportunidade de mercado – e não apenas seus sonhos.
“Hoje percebo que um dos erros que cometi em negócios anteriores foi tentar criar algo que não existia, algo que só eu pensava ser inovador e que as pessoas fariam fila para comprar”, afirmas Felipe Rodrigues, criador da startup Enviou. O negócio de ferramentas para lojas online faturou R$ 700 mil em 2017.
Por isso, olhe menos para suas próprias percepções e mais para as dores do seu público-alvo. “Nenhuma ideia ‘brilhante’ no mercado se sustenta se não resolver problemas, reduzir custos, alavancar resultados ou agilizar o dia a dia do cliente”, completa André Krummenauer, diretor comercial e financeira da desenvolvedora de tecnologia para gestão de marketing Involves. O negócio começou com um investimento de 600 reais, fora computadores e cadeiras, e faturou R$ 18 milhões em 2017.

Torne-se um bom administrador
Empreendedorismo se aprende muito na prática. Mesmo assim, não dá para ignorar que estudar conceitos de comércio, finanças, gestão de pessoas e marketing fará seu negócio ser mais bem administrado – e, assim, as chances de sucesso aumentam.
“No mundo competitivo, burocrático, de altos impostos e ainda em crise que temos no Brasil, a pessoa só deve buscar o próprio negócio se ela estiver disposta a aprender a empreender e gerir”, afirma Paulo Vieira, fundador da Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico (Febracis).
“O primeiro erro dos empreendedores é se apaixonar por um produto ou serviço e se lançar sem ter o menor preparo como gestores”. A federação fechou o último ano com faturamento de R$ 120 milhões de reais.

Tem pouco dinheiro para investir? Foque no essencial
Se você possui pouco capital para investir no seu primeiro negócio, é fundamental priorizar os aportes. Isso é especialmente verdade no começo da empresa, quando os investimentos em máquinas, em pontos comerciais ou em itens de mobiliário e papelaria se fazem mais presentes.
“Nesses exemplos, um negócio pode achar uma máquina extremamente essencial, enquanto os itens de papelaria não seriam tão importantes na primeira etapa do negócio. Você precisa focar no que que agrega valor ao seu produto e traz retornos concretos à sua empresa”, afirma o empreendedor Gustavo Brunello, do negócio de alimentação saudável LuccoFit. Com investimento inicial de R$ 1 mil, o negócio faturou R$ 2 milhões em 2017.
Além de priorizar investimentos, pense em atividades que você consegue desempenhar sozinho. Depois, quando seu negócio levantar voo, você pode contratar funcionários e focar apenas na parte estratégica da empresa.
“Ocupe-se não somente de setores gerenciais, mas também de áreas como atendimento ao cliente e cobrança, por exemplo. Outra alternativa é realizar a permuta de serviços, cobrindo custos de recursos fundamentais para o crescimento do negócio”, afirma Raphael Mattos, fundador da rede de publicidade PremiaPão. O negócio começou com R$ 16 mil e faturou R$ 6,6 milhões em 2017.

Por fim, seja resiliente
A última grande dica dos empreendedores é não desistir diante da primeira dificuldade. Afinal, muitos empresários que hoje alcançaram o sucesso já tiveram de fechar muitos outros negócios e tomar decisões de vida difíceis.
“Em um país como o nosso, o mais importante é manter-se focado e aceitar as adversidades como uma realidade dos negócios – e, com isso, criar bases sólidas para manter a empresa viva”, afirma Bruno Sindona, da incorporadora social Sindona, que faturou R$ 25 milhões em 2017. “Essa capacidade de resistir aos erros e continuar é o que faz o negócio prosperar”, completa.

Fique de olho nas suas finanças

As finanças são uma parte essencial de todo negócio: afinal, nenhuma ideia pode sobreviver mais do que alguns meses sem se tornar rentável.
Um primeiro conceito importante para os empreendedores é o fluxo de caixa. Ele mostra como estão as receitas e despesas da sua empresa em um determinado dia, semana ou mês.
“A maior causa de mortalidade de startups é a falta de dinheiro para girar o fluxo de caixa. Geralmente, a demora entre a aceitação do produto, o início das vendas e a sustentabilidade do fluxo de caixa é de seis meses”, afirma Flávio Pereira, da empresa de automatização para empresas Nuveo Technologies. O negócio faturou R$ 7,5 milhões em 2017.
Para deixar seu fluxo de caixa saudável, é requisito ter um capital de giro – dinheiro reservado para honrar contas com fornecedores enquanto pagamentos dos clientes não chegam. “Inclusive empresas rentáveis quebram sem ele, visto que tiram dinheiro do futuro para pagar contas do passado”, alerta Fábio Marques Jr., da rede Detroit Steakhouse, que faturou R$ 72 milhões em 2017.