Conheça 5 livros essenciais para ler Clarice Lispector

Quando nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, em Chechelnyk, na Ucrânia, Clarice Lispector se chamou Chaya Pinkhasovna Lispector. Mas de ucraniana só teve o local nascimento: ao longo de sua carreira, ela dizia literalmente nunca ter pisado lá, visto que foi carregada no colo. Em 1921, ela e a família migraram para o Brasil fugindo da perseguição a judeus durante a Guerra Civil Russa.
Instalaram-se primeiro em Maceió, e logo mudaram para o Recife, tanto que Lispector se considerava pernambucana. Aos 14 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro com o pai e as irmãs após a morte da mãe. Lá estudou direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, embora já se interessasse mais pelo meio literário. Aos 19 anos, publicou seu primeiro conto. Pouco depois, começou a trabalhar como jornalista na Agência Nacional, onde conheceu Lúcio Cardoso, um jornalista respeitado no meio literário. Passou a frequentar o círculo de literatos cariocas. Em 1943, publicou Perto do Coração Selvagem, que ganhou o Prêmio Graça Aranha de melhor romance do ano.
Lispector morreu um dia antes de completar 57 anos, vítima de um câncer de ovário. Sua obra, composta de romances, novelas, contos, crônicas e literatura infantil, foi traduzida para mais de dez línguas. Veja cinco livros essenciais para conhecer o legado da autora:

Perto do Coração Selvagem (1943)
Em seu primeiro romance, a autora surpreendeu a crítica ao trazer uma narrativa existencialista. Na história, a vida da protagonista Joana é contada da infância até a idade adulta. O destaque, porém, está no conflito interno da protagonista, que se faz muitas perguntas, mas nunca encontra respostas.

Laços de Família (1960)
O livro reúne 13 contos, escritos muito antes da publicação. Os protagonistas são pessoas comuns abaladas por uma epifania durante atividades do dia a dia. Em sua maioria, as personagens são mulheres que lutam para balancear as exigências do casamento e da família com uma vida menos controlável. O livro recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura em 1961.

A Maçã no Escuro (1961)
Outro livro com tom existencialista, é a história de Martim, que se descobre como homem após fugir da cena do crime do assassinato da mulher. Em busca por uma nova existência, ele despreza os antigos valores estabelecidos em sua vida.

A Paixão segundo G.H. (1964)
Identificada apenas pelas iniciais G.H., uma mulher demite a empregada e decide limpar o quarto dela, certa de que vai encontrar um local imundo. Depois de encontrá-lo limpo e organizado, ela vê uma barata na porta do armário e a esmaga. G.H. relata então a perda da individualidade e a própria impotência diante do ocorrido.

A Hora da Estrela (1977)
Último livro publicado da autora, conta a história de Macabéa, uma sonhadora e inocente alagoana que se muda para o Rio de Janeiro. Lá, tem uma vida pacata, sem grandes emoções, até descobrir que tem tuberculose.
Ao buscar consolo em uma cartomante, ela recebe a previsão de um futuro feliz, no qual conheceria um homem estrangeiro loiro com quem se casaria. De certa forma, a previsão se realiza. Ao sair da cartomante, Macabéa é atropelada por uma Mercedes guiada por um homem loiro — mas não sobrevive.