Cuidados para proteção durante pandemia pode evitar outras doenças

É preciso higienizar todos os alimentos após realizar a compra no mercado pode livrá-lo de uma série de doenças.

Nos últimos tempos, tornou-se ainda mais necessário higienizar alimentos e produtos ao chegar em casa

Diante da pandemia do novo coronavírus, é preciso repensar a maneira como consumimos, manuseamos e armazenamos alimentos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 600 milhões de pessoas por ano adoecem leve ou gravemente após comer algo contaminado.
A necessária e desagradável tarefa de higienizar todos os alimentos após realizar a compra no mercado pode livrá-lo de uma série de doenças.
Essa rotina criada ou intensificada durante a pandemia de Covid-19 tem eficácia contra o novo coronavírus – embora não seja o meio principal de transmissão -, mas também para eliminar bactérias, vírus, parasitas ou substâncias químicas nocivas.
De acordo com a OMS, alimentos inseguros podem causar mais de 200 doenças diferentes – desde diarreia a cânceres. Myrna Campagnoli, endocrinologista do Laboratório Exame, ressalta a importância de não esmorecer o hábito de higienização, não só pelo risco de Covid-19, mas também por doenças até então bem mais comuns.
“No caso do coronavírus, é importante dizer que a tosse, a fala e o espirro soltam gotículas com o vírus que podem ou não ser depositadas em cima dos produtos”, disse.

Outros germes

Mas outros germes, muito mais frequentes, com certeza podem estar ali. Eles podem trazer substâncias químicas, danosas para o nosso corpo. É muito importante a higienização das embalagens, dos produtos, sobretudo os alimentos in natura (verduras, legumes e frutas)”, alerta a especialista.
Após sete meses de pandemia, a OMS reforçou em rede social a importância de evitar a contaminação de alimentos. No alerta, a organização ressalta que cerca de 600 milhões – quase 1 em cada 10 pessoas – adoecem por ano após comer alimentos contaminados, resultando em 420 mil mortes.

Como higienizar alimentos

Com já se sabe, o novo coronavírus pode sobreviver em superfícies de vários objetos. Se alguém contaminado não toma os cuidados necessários e espirra na mão, por exemplo, ele pode infectar qualquer objeto que tocar. Diante dessa possibilidade, em tempo de pandemia, tornou-se ainda mais necessário higienizar o que for trazer para casa ao fazer as compras.
Para garantir que as suas compras não tenham o coronavírus em suas superfícies, é preciso ficar atento ao tipo de embalagem de cada produto. O médico infectologista do Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Rodrigo Souza, esclarece que, embora não existam evidências sobre a transmissão de coronavírus por meio da ingestão ou da manipulação de comidas, existem os chamados fômites, ou seja, “superfícies e objetos inanimados nos quais, dependendo do material, o vírus pode ficar vivo e infectante durante horas”.
“A contaminação do coronavírus depende do contato das mucosas com a secreção vinda de uma pessoa já infectada: ela pode vir diretamente, quando alguém tosse, espirra diretamente nos seus olhos, nariz e boca; através do contato com as mãos, que depois entram em contato com nossas mucosas; ou pelo toque de objetos contaminados, os fômites”, esclarece Souza.

Compras limpas, segurança garantida

Um estudo publicado pelo New England Journal of Medicine aponta que o novo coronavírus pode sobreviver por horas em superfícies como papelão e plástico (até 24 e 72 horas, respectivamente). O pesquisador do Departamento de Nutrição da UFJF, Renato Nunes, explica que, embora o risco de contaminação ao tocar embalagens de comidas seja baixo, há razão para adotar cuidados.
Confira abaixo quais são as formas de higienização e conservação de frutas, verduras, alimentos industrializados e comidas entregues em casa

Frutas e verduras

Nunes explica que, no caso de frutas e verduras, existem cuidados para guardá-las e, depois consumi-las. Antes de armazená-las em sua casa, lave as frutas e verduras com um sabão líquido neutro, enxaguando-as e secando-as bem.
Já antes de preparar esses alimentos, é importante a higienização com uma solução para sanitização que, segundo o professor, é encontrada nos mercados.
Caso não seja possível, ele ensina como fazer a solução de forma caseira: “basta diluir, em um litro de água filtrada, uma colher de sopa de água sanitária sem cheiro ou cor”.
Após deixar as frutas e verduras nesta solução por dez minutos, é necessário lavá-las com água filtrada e só então cortá-las. “Isso evita que outras contaminações que estão na casca passem para o interior do alimento”, aponta o pesquisador.

Armazenamento

Ele também ensina formas de armazenamento para que frutas e verduras durem por mais tempo, evitando, assim, gastos desnecessários ou a necessidade de idas às feiras ou aos supermercados para repô-las.
“Algumas frutas emitem um gás chamado etileno, que acelera o amadurecimento (banana, maçã, melão, tomate, mamão, abacate, manga, pimentão, abacaxi, pera, uvas, figos). Elas devem ficar afastadas dos alimentos que estragam com facilidade, como batatas, folhas, cenouras, aspargos, brócolis e pepino”.
“É importante deixar maçãs e peras separadas das bananas; já o alho, as cebolas e as batatas devem ficar longe da luz direta, evitando a aceleração dos seus amadurecimentos e o surgimento de brotos. Ervas frescas podem ser conservadas em um pote com água, desde que ela seja trocada todos os dias. Folhas de hortaliças podem ser embaladas em um saco plástico umedecido e armazenado na parte de baixo da geladeira; isso faz com que algumas dessas folhas durem até 15 dias”, observa Nunes.

Alimentos industrializados

O pesquisador chama atenção para o fato de que as embalagens de produtos industrializados são manipuladas desde a fábrica até a sua disposição nas prateleiras e gôndolas de estabelecimentos comerciais.
“Além disso, podem ser manuseadas por outras pessoas durante essa exposição. Recomendo higienizar os alimentos embalados com água e sabão, ou passar um pano limpo ou guardanapo com álcool em gel. Se possível, isso deve ser feito do lado de fora de casa ou na área de lavagem de roupas, antes de guardá-los nos armários e na geladeira”, pontua.
Nunes chama a atenção para outros tipos de riscos que podem ficar acentuados caso não ocorra uma higienização, além do coronavírus. “Essas embalagens podem conter urina e fezes de insetos e outros animais, como roedores e aves. Essas práticas de higiene são recomendações universais, mesmo para períodos quando não ocorrem pandemias”, lembra.
“Neste momento em particular, não podemos nos contaminar com outros organismos e contrair doenças que podem fragilizar nosso sistema imunológico e, por isso, devemos ter os cuidados básicos de higiene em todos os momentos”, destaca.

Comidas entregues em casa

Sobre as recomendações em relação aos alimentos pedidos por delivery, o pesquisador ressalta que, se o estabelecimento tomar todas as medidas necessárias de combate e controle dos possíveis agentes causadores de doenças infectocontagiosas, a entrega pode ser considerada geralmente segura.
Existem, no entanto, algumas condições para isso: “você precisa escolher um estabelecimento de sua confiança que garanta que os alimentos perecíveis (como a carne, leite e ovos) sejam de boa procedência e estejam frescos. O processo de produção deve ser limpo e de qualidade”, observa.
Nunes reforça que sua recomendação é voltada para estabelecimentos que possuem um responsável técnico para assegurar a qualidade e a higiene correta dos alimentos.
“Caso o estabelecimento não possua um nutricionista, é preferível que sejam solicitados apenas alimentos cozidos, tendo em vista que as temperaturas acima de 52 graus eliminam o vírus da Covid-19.

Saladas e alimentos crus

No caso das compras de saladas e alimentos crus, a recomendação é ainda mais restrita. Por isso, o especialista sugere evitar pedir esses tipos de comida em locais que não sejam de confiança do cliente ou não estão acompanhados por um profissional de nutrição.
Outro momento de preocupação é o da entrega. “Caso as pessoas estejam preocupadas com o risco de contato e transmissão de gotículas durante a interação com os entregadores do alimento comprado, peça para que a comida seja colocada na porta, em uma caixa ou um local onde você possa pegar em seguida”, enfatiza.
“Assim que pegar, retire as embalagens da sacola e faça a higiene delas da mesma forma que se faz com as compras do supermercado. É importante lembrar que estas recomendações são para o bem de todos nós e, apesar de parecerem extremas, são necessárias para diminuir a curva de contaminação”, declara o pesquisador do Departamento de Nutrição da UFJF, Renato Nunes.

Cinco principais chaves para ter alimentos mais seguros

No caso das compras de saladas e alimentos crus, a recomendação é ainda mais restrita. Por isso, o especialista sugere evitar pedir esses tipos de comida em locais que não sejam de confiança do cliente ou não estão acompanhados por um profissional de nutrição.
Outro momento de preocupação é o da entrega. “Caso as pessoas estejam preocupadas com o risco de contato e transmissão de gotículas durante a interação com os entregadores do alimento comprado, peça para que a comida seja colocada na porta, em uma caixa ou um local onde você possa pegar em seguida”, enfatiza.
“Assim que pegar, retire as embalagens da sacola e faça a higiene delas da mesma forma que se faz com as compras do supermercado. É importante lembrar que estas recomendações são para o bem de todos nós e, apesar de parecerem extremas, são necessárias para diminuir a curva de contaminação”, declara o pesquisador do Departamento de Nutrição da UFJF, Renato Nunes.

Cinco principais chaves para ter alimentos mais seguros

Mantenha o alimento limpo
Separe alimentos crus e cozidos
Cozinhe bem os alimentos
Mantenha os alimentos em
temperaturas seguras
Use água potável e materiais limpos

Principais causadores de doenças transmitidas por alimentos

Salmonella
Escherichia coli
Staphylococcus aureus
Coliformes

Bacillus cereus
Rotavírus
Norovírus

Principais sintomas de doenças alimentares

Náuseas
Vômitos
Dores abdominais

Diarreia
Falta de apetite
Febre