Cursinho online oferece mais de 800 horas de aulas gratuitas

Com os vestibulares cada vez mais próximos, o ritmo de preparação para as mais importantes provas do ano aumenta. A pandemia mudou a forma de ensinar, e cursinhos buscam a melhor solução para seus estudantes.
Especializado principalmente em medicina, considerados um dos cursos de mais difícil ingresso, o Hexag investiu mais de US$ 200 mil (cerca de R$ 1 milhão) para criar um sistema de sala de aula virtual, uma plataforma de streaming inspirada no Netflix e agora vai oferecer mais de 800 horas de aulas gratuitas na internet.
A ideia surgiu, conta o diretor pedagógico Herlan Fellini, em 2014, durante uma viagem para a Finlândia, da qual também trouxe o conceito de estudo orientado (onde um conteúdo é apresentado pelo professor e depois estudado e testado no mesmo dia), que norteia o método da instituição.
“Quando surgiu a greve dos caminhoneiros, em 2018, foi que continuamos com o projeto que tínhamos visto na Finlândia de ensino híbrido, e foi quando criamos nossa plataforma. Já com o estudo orientado bem colocado”, diz.

Aulas gravadas
Para evitar que os estudantes perdessem conteúdo durante a greve, foram feitos estúdios para os professores gravarem suas aulas. A quarentena ofereceu desafios maiores e, por isso, foi criado um novo sistema.
“Partimos para transformar cada sala de aula do Hexag numa sala-estúdio. Contratamos um pessoal de midiologia da Unicamp. Onde o professor fica tem placas acústicas, microfone embutido no teto, iluminação especial. Então, começamos a transmitir a aula ao vivo, dentro do horário de aula”, explica.
Segundo o Governo de São Paulo, a previsão é de que as aulas, em todas as esferas de ensino, voltem a funcionar também em esquema híbrido, mesclando aulas presenciais e virtuais, e escalonando alunos.

Protocolo
Tanto escolas regulares quanto cursinhos terão que seguir protocolos de distanciamento social e higienização, e começarão a funcionar, em um primeiro momento, com a capacidade reduzida.
O sistema da Hexag permitirá que a mesma aula seja lecionada para uma parcela da turma presencialmente e, para o restante, virtualmente. Fellini diz que a instituição deve adotar uma escala para revezar quem sai e quem fica em casa.

Custo
Atualmente, o cursinho conta com cerca de 3 mil estudantes inscritos em matrículas presenciais e 3,5 mil para aulas online. Enquanto uma mensalidade tradicional pode custar até R$ 2.620,00 (o diretor diz que, por conta das bolsas, o valor médio pago de fato gira em torno de R$ 1,6 mil), o curso virtual custa R$ 293 por mês.
No sistema virtual, às 7h15 toca o sinal, como no prédio do cursinho. A transmissão começa, o professor entra na sala e uma câmera de 180° permite que tanto ele quanto a lousa estejam na imagem.
Por um chat, os alunos podem enviar dúvidas escritas, que serão respondidas pelo professor durante a aula ou pela equipe de plantonistas auxiliares.
Para diminuir os riscos de que o aprendizado fique prejudicado por conta da qualidade da internet na casa de cada um, o Hexag usa uma plataforma de streaming própria, que assim como o Netflix, adapta a transmissão à conexão do estudante — e também deixa disponível o vídeo para quem quiser assistir depois ou fazer o download para ver offline.

Provas a distância
Com a possibilidade de assistir a aula gravada, transmitida ou presencialmente, o diretor acredita que cada estudante possa se adaptar para como melhor lhe convir. Para provas a distância, é necessário ligar uma webcam para que o professor possa monitorar possíveis colas ou de consulta não autorizada durante.
“O aluno passa a se tornar ativo no processo, e não passivo. O princípio básico é o de aula dada e estudada no mesmo dia. O aluno pode assistir em outra hora, mas ele precisa cumprir os exercícios e as tarefas daquele dia”, conta.
Com a estrutura pronta e ativa, Fellini transmitiu no último sábado, dia 18, a primeira de 100 aulas que serão exibidas de forma pública e gratuita no canal do Youtube do cursinho.

Conteúdo disponível

Com foco no Enem, serão cerca de 800 horas de conteúdo no total, disponíveis sem custo, além de material didático disponibilizado em PDF. A intenção é alcançar pessoas de todo o Brasil, e não apenas das cinco cidades onde a instituição tem sede (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas e São José dos Campos).

Provas do Enem foram remarcadas para 2021

Em razão da pandemia, o Governo Federal remarcou o Enem para 2021. As provas em papel vão ocorrer nos dias 17 e 24 de janeiro e as digitais, em 31 de janeiro e 7 de fevereiro do próximo ano.
Os resultados serão divulgados dia 29 de março de 2021. O governo também agendou para 24 e 25 de fevereiro do próximo ano as datas de reaplicação das provas.
Para Fellini, o principal objetivo das aulas gratuitas é atender ao público que não tem condição de pagar nenhuma das opções oferecidas.
Neste ano, o Enem recebeu mais de 6,2 milhões de inscrições. Segundo levantamento da Folha com base em exames anteriores, 34% dos estudantes da rede pública que prestaram a prova em 2018 não tem acesso à internet em casa.
Na escola privada, 3,7% disseram não ter internet em casa. Entre pobres e ricos, o abismo é ainda maior. Ao dividir os concluintes no Enem em quatro faixas de renda, 51% do quartil mais pobre não tem internet. Na outra ponta, o acesso atinge 96%.