Curso de Medicina. O sonho não acabou!

Governo Federal suspende novos cursos de Medicina, mas Ituverava seguirá na luta por essa conquista

O presidente da FE, Pedro César Galassi, e o diretor da FFCL, Antônio Luís de Oliveira (“Toca”), são recebidos pelo jornalista José Luiz Alves Cassiano

Ontem, sexta-feira, o presidente da Fundação Educacional de Ituverava, Pedro César Galassi esteve na Tribuna de Ituverava para discutir sobre a cidade se unir para se preparar para receber o curso de Medicina, depois de o governo anunciar que não serão abertos novos curso de Medicina pelos próximos cinco anos. Ele, que esteve acompanhado pelo diretor da FFCL, Antônio Luís de Oliveira (“Toca”), foi recebido pelo jornalista José Luiz Alves Cassiano, diretor do semanário.
Na edição de 5 de outubro de 2013, a Tribuna de Ituverava lançou um desafio, a união da sociedade para a instalação de um Curso de Medicina na cidade. Em reportagem o jornal escreveu. “O momento é ideal para a cidade lançar-se a novos desafios e, voltar a sonhar com uma nova conquista: a instalação do curso superior de Medicina. O momento não poderia ser melhor.
A Tribuna de Ituverava, cumprindo o seu papel como órgão de imprensa, conclamou a população, políticos, autoridades e todos os segmentos da sociedade para que se unam exatamente como ocorreu na criação da FFCL e da Fafram em décadas anteriores.
Vale lembrar que no final da década de 60, idealistas sonharam com algo que parecia impossível: a instalação de uma faculdade em Ituverava. Na época, o Ensino Superior era oferecido apenas em grandes centros, o que poderia ser uma barreira para a realização do projeto. Porém, a união de representantes dos mais diversos setores da sociedade comprometidos com o desenvolvimento do município, e que colocaram os interesses da cidade acima dos pessoais, fez do sonho uma realidade. O resultado deste trabalho em equipe surgiu em 1971, quando foi criada a Fundação Educacional de Ituverava e posteriormente a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL).
Nos anos 80, o ituveravense voltou a sonhar. Dessa vez, para a conquista de um curso de Agronomia. Mais uma vez a união e um árduo trabalho de grandes homens, fez com que o município alcançasse o que parecia utópico. Em 1989, foi inaugurada a Faculdade Dr. Francisco Maeda, que a princípio oferecia apenas o curso de Agronomia”.

Aceitação
Na época, a ideia foi imediatamente abraçada por autoridades e a população. Na ocasião o prefeito era o empresário Walter Gama Terra Júnior, que não só abraçou a causa, como também se disponibilizou a trabalhar.
O jornal também ouviu o então presente da Fundação Educacional de Ituverava, Paulo César da Luz Leão. “Acredito que é um grande desafio, mas é possível tornar este sonho uma realidade, porém é necessário realizar um trabalho com seriedade e competência, contando com o envolvimento da comunidade para superar os obstáculos. A abertura de um curso de Medicina em Ituverava proporcionaria uma educação voltada para o bem-estar da comunidade, com a presença e atendimento de profissionais altamente qualificados, além de contribuir de forma significativa para o aumento da renda, criando novos empregos e contribuindo para o desenvolvimento da economia do município e da região”.
Também foram ouvidas várias autoridades, profissionais nas mais diversas áreas, e foram unânimes que era um sonho possível, porém difícil. Mas como a estrutura da Santa Casa de Misericórdia e de Fundação Educacional eram (e são excelentes) vislumbrou-se a possibilidade, e, mais uma vez, homens de bem e que colocam os interesses da cidade acima dos seus particulares.

Obstáculo
Na ocasião esbarramos em mais um obstáculo. O curso de Medicina só poderia funcionar em cidades acima de 70 mil habitantes e com 250 leitos hospitalares para atenderem o SUS.
A FE elaborou um projeto que foi encaminhado aos Ministérios da Educação e da Saúde.
As exigências que o município deveria atender eram: número de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) equivalente ao número de alunos do curso; existência de Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMAD); número de alunos por Equipe de Atenção Básica (EAB); existência de leitos de urgência e emergência ou Pronto-Socorro; grau de comprometimento dos leitos do SUS para utilização acadêmica; existência de Programas de Residência Médica nas especialidades prioritárias, conforme legislação de vigência; adesão pelo município ao Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica (PMAQ); existência de Centro de Atenção Psicossocial (Caps), e Hospital de Ensino ou Unidade Hospitalar com potencial para ser certificado como hospital de ensino, conforme legislação de regência.
Com relação ao número de leitos necessários para cada aluno, Ituverava fez parceiras com os municípios vizinhos, para que esse critério seja cumprido. Dessa forma, Ituverava tentou se enquadrar ao edital como polo regional de Saúde, entretanto, não obteve êxito.

Situação atual
No ano passado, foi anunciado um novo edital que, ao contrário do que havia ocorrido no anterior, Ituverava, atendia plenamente o que o edital determinava. No entanto, não contemplava a região Sudeste do país, o que deixou Ituverava de fora mais uma vez.
Agora, o Governo Federal anunciou que não abrirá cursos de Medicina no Brasil pelos próximos cinco anos. “O MEC levou em conta os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que apontam que o Brasil já atingiu as metas de alunos/vagas estabelecidas, de cerca de 11.000 por ano”, informa o Ministério da Educação.
A pasta diz que a medida foi uma proposta do ministro Mendonça Filho ao presidente Michel Temer. “A medida visa a sustentabilidade da política de formação médica no Brasil, preservando a qualidade do ensino, já que o Brasil é referência na formação médica”, diz.
Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) disse que a medida é um retrocesso. “Estancar a criação de novas graduações na área não tem qualquer relação com a garantia da qualidade dos serviços prestados e nem dos profissionais que são disponibilizados no mercado de trabalho.
As instituições de ensino passam anualmente por avaliações feitas pelo próprio Ministério, cujo processo inclusive está sendo reformulado”, diz Janguiê Diniz, diretor presidente da ABMES.

Presidente da FE 

“Acredito que o prazo de cinco anos será bastante positivo, pois permitirá mais tempo para trabalharmos para nos adequarmos a todas as exigências do MEC. A Santa Casa está em plena expansão e a FE está prestes a abrir um campus em São Joaquim da Barra e a implantar o curso de Engenharia Elétrica na FFCL. Essas iniciativas são ferramentas para que a cidade firme parcerias para que consiga todos os leitos do SUS exigidos para a instalação do curso superior de Medicina”, afirma.
“É importante lembrar que a FE tem toda a possibilidade para receber o curso de Medicina, pois dispomos que uma ótima estrutura e excelente corpo docente. Para tanto, lembro que é essencial que a população seja consciente no momento de votar em 2018, e que escolha políticos honestos e comprometidos a trabalhar por Ituverava, para que essa conquista seja efetivada”, completa.

Presidente da Santa Casa 

O empresário Luiz Carlos Rodrigues (“Busa”), presidente da Santa Casa de Ituverava, afirma ver com bons olhos a decisão. “O Governo Federal suspendeu a criação de novos cursos de Medicina por cinco anos, mas, por parte da presidência da Santa Casa, considero algo positivo, pois agora temos cinco anos para adequarmos perfeitamente a todas as exigências para a instalação do curso”, afirma.
“Estamos trabalhando bastante para atender tudo que é necessário, pois entendemos que dentro de cinco anos haverá novamente a demanda por cursos de Medicina, e com a nossa cidade pronta para recebê-lo, conseguiremos a instalação do tão sonhado curso de Medicina”, destaca.
Para tanto, Busa lembra da importância do apoio político. “Em 2018, devemos escolher bons candidatos, pois será fundamental que tenhamos políticos comprometidos com Ituverava para dar o apoio necessário para que possamos conseguir a instalação do curso”, completa o presidente.