Delegado e vereador são presos em operação do Gaeco

Cinco policiais civis que atuam em Ituverava, Guará e Rifaina também foram alvos de mandados de prisão temporária

O delegado João Paulo
de Oliveira Marques. No destaque o vereador “João do Guincho”

Em operação realizada na última quinta-feira, 5 de agosto, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil, foram presos em Ituverava e outras cidades da região, um Delegado de Polícia, cinco policiais civis e um vereador.
A operação foi batizada de QSJ em referência à linguagem informal usada em comunicações de radiofrequência, que quer dizer “dinheiro, grana”.
Segundo informações do MP, um dos delegados de Ituverava, João Paulo de Oliveira Marques e o parlamentar, João Batista Nogueira (PSDB), foram alvos de mandados de prisão temporária. No total, foram cumpridos sete mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão em Cristais Paulista, Guará, Rifaina, Sacramento, além de Ituverava.
Segundo informações oficiosas, a prisão temporária é de 5cinco dias, podendo ser prorrogada por outros cinco, despois os suspeitos podem ser soltos ou se tornar prisão preventiva.

Vereador ituveravense

João Batista Nogueira (“João do Guincho” é proprietário de um estabelecimento comercial na cidade, que realiza serviços de guincho e transporte de veículos apreendidos. De acordo com o Ministério Público, ele é suspeito de pagar policiais civis em troca da indicação para sua empresa operar. Além do delegado, segundo o Gaeco, cinco policiais civis que atuam em Ituverava, Guará e Rifaina também são investigados por suspeita de integrarem um esquema criminoso para obter vantagens financeiras indevidas para devolver bens às vítimas de roubos e furtos de animais, tratores e caminhões.
O advogado que assumiu a defesa do delegado, Marcos Diniz, afirmou que não há dúvidas sobre a inocência do seu cliente. “O que temos é só especulação até o momento. Eu não tenho dúvidas de que ele é inocente. É uma operação deflagrada por um outro caso que não envolve nosso cliente. Agora precisamos ter calma nesse momento e aguardar”, disse.
Os presos foram levados para a unidade do Gaeco, em Franca. Já o delegado João Paulo, foi transferido para a Corregedoria da Polícia, em Ribeirão Preto.

Justiça manda reabrir plantões policiais em várias cidades da região

Delegacia de Polícia de Ituverava

A Justiça determinou, em decisão assinada dia 29 de agosto, que a Delegacia Seccional de Franca retomasse o funcionamento dos plantões da Polícia Civil em Aramina, Buritizal, Guará, Igarapava e Miguelópolis, no prazo de 48 horas, sob pena de multa mensal de R$ 50 mil por unidade fechada.
Desde maio, por decisão do governo paulista devido à escassez de policiais civis, os crimes ocorridos nesses municípios diariamente entre 18h e 8h, aos finais de semana e feriados eram registrados no plantão regionalizado em Ituverava.
A mudança, no entanto, gerou uma série de questionamentos de prefeitos da região, que alegaram que ela prejudicaria o patrulhamento da PM, já que as equipes teriam que se deslocar a outras cidades para registrar os boletins de ocorrência.
O Ministério Público, contrário a mudança, entrou com uma ação alegando que ela fere “direitos humanos fundamentais”, que não houve estudo técnico para verificar o impacto dela na segurança pública e que a população fica desamparada sem o serviço da Polícia Civil.

Sentença
Acatando as justificativas, o juiz Leonardo Breda, da 1ª Vara de Ituverava, afirmou na sentença que os moradores também correm o risco de ficarem sem as guarnições da Polícia Militar, que são obrigadas a se deslocar a outras cidades para o registro do boletim de ocorrência.
“Tal circunstância desguarnece a já combalida segurança pública dessas cidades, que muitas vezes possuem apenas uma viatura policial durante o período noturno, conforme noticiou o Ministério Público”, diz o magistrado na decisão, assinada no dia 29 de agosto. A liminar suspende os efeitos da Portaria n.º 4/2019, restabelecendo os plantões da Polícia Civil em Aramina, Buritizal, Guará, Igarapava e Miguelópolis no prazo de 48 horas. A Delegacia Seccional de Franca tem o prazo de 15 dias para contestar a decisão.

Plantões regionalizados

A Delegacia Seccional de Franca adotou em maio, o esquema de plantões regionalizados. Além das ocorrências das cidades citadas passarem a ser registradas no Plantão de Ituverava; os crimes que ocorrem em Cristais Paulista, Itirapuã, Patrocínio Paulista, Restinga, Ribeirão Corrente e São José da Bela Vista também passaram a ser registrados no Plantão de Franca.
Em agosto, o plantão regionalizado foi estendido a Rifaina, Pedregulho e Jeriquara. Nesse caso, os crimes também passaram a ser registrados no Plantão de Franca.