Diesel em Ribeirão Preto acumula alta de 5,4% em 2018; veja a evolução dos preços

Em menos de cinco meses, a alta do óleo diesel comum em 2018 acumula uma variação próxima da metade de todo o ano passado em Ribeirão Preto (SP).

Com cotação atual de R$ 3,43, a maior desde 2013, o combustível que em geral influencia nos custos do transporte de cargas, da produção agrícola e da indústria, já subiu 5,4% entre janeiro e a primeira quinzena de maio, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No mesmo período de 2017, quando custava na faixa de R$ 2,90, o combustível praticamente não teve variação. Se considerado todo o ano passado, a alta foi de 11%.

Para se ter uma ideia, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)acumulado entre abril do ano passado e abril deste ano foi de 2,76%. No mesmo período, o combustível em Ribeirão subiu 3,04%.

“Está difícil pra gente trabalhar, porque o diesel vai subindo aos poucos, essas poucas porcentagens não repassam pra gente no frete”, reclama o motorista José Ferreira.

Segundo a ANP, entre os 27 postos consultados na cidade, o diesel pode ser adquirido por preços entre R$ 3,25 e R$ 3,69 o litro e sai das distribuidoras entre R$ 2,617 e R$ 3,17.

Na região, o valor médio nas bombas em maio é ainda maior em Monte Alto (SP) – R$ 3,66 -, Sertãozinho (SP) – R$ 3,53 -, Barretos (SP), R$ 3,53 -, Jaboticabal (SP) – R$ 3,47 – e Bebedouro (SP) – R$ 3,44.

Segundo o presidente do Sindicato Brasileiro das Distribuidoras de Combustíveis, Valdemar de Bortoli Júnior, a alta do diesel tem relação direta com o aumento do barril de petróleo no mercado externo e com a alta do dólar.

“Todo dia praticamente a Petrobras vem aumentando e repassa esses aumentos para as distribuidoras. As distribuidoras consequentemente repassam para os postos”, diz.

Esse repasse acontece, segundo o consultor em agronegócio José Carlos de Lima Júnior, porque a maior parte do diesel utilizado no Brasil é importada. “A Petrobras nos últimos tempos passou por um processo de desinvestimento em refinaria, que é onde você pega o petróleo e refina nos produtos que consumimos”, afirma.

As elevações repercutem diretamente no preço dos produtos em geral, como alimentos. De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), mais de 60% dos bens de consumo dos brasileiros são transportados pelas rodovias.

“Os caminhões utilizam o diesel como base de energia, portanto qualquer tipo de produto que é transportado pelas rodovias do Brasil acaba ficando mais caro com o aumento. Isso impacta a agricultura, dentro dos campos, quando você considera os tratores, os maquinários que trabalham, encarece a indústria quando a gente pensa que ela vai comprar suprimentos pra produzir e depois levar esse produto pronto para o varejo”, explica Lima Júnior.

Fonte: g1.globo.com