Edição – 3308 Estudo diz que falta de exercício é pior para a saúde do que cigarro

O sedentarismo deveria ser tratado como uma doença para qual o tratamento é a atividade física

De acordo com pesquisadores, o sedentarismo aumenta em até 500% a probabilidade de morte prematura 

Não se exercitar regularmente traz mais prejuízos para a saúde do que tabagismo, diabetes e doenças cardiovasculares, revela estudo publicado recentemente no periódico JAMA Network Open.
Para os pesquisadores, o sedentarismo deveria ser tratado como uma doença para qual o tratamento é a atividade física, assim, um número maior de pessoas passaria a se exercitar com maior frequência. A pesquisa ainda salientou que o exercício pode ser benéfico para pessoas de qualquer idade e sexo.
O hábito de manter-se fisicamente ativo também pode aumentar a expectativa de vida — em comparação com pessoas ativas, os sedentários apresentam risco 500% maior de morte prematura — e diminuir gastos com saúde.
“Doenças cardiovasculares e diabetes são as doenças mais caras (nos Estados Unidos). Em vez de pagar somas enormes pelo tratamento de doenças, devemos incentivar os pacientes e comunidades a se exercitarem diariamente”, disse Jordan Metzl, do Hospital for Special Surgery, nos Estados Unidos.
Para chegar a essa conclusão, a equipe de pesquisadores da Fundação Clínica de Cleveland, nos Estados Unidos, avaliou o desempenho físico — por meio de uma rotina de exercícios na esteira — de 122.007 pessoas.
Os voluntários passaram por testes de stress, que levaram em consideração idade, sexo, altura, peso e índice de massa corporal (IMC), além de medicamentos utilizados e comorbidades (diabetes, hipertensão, hiperlipidemia, doença renal terminal e tabagismo).

Exercícios
Segundo a revista Time Health, após oito anos de acompanhamento, a principal conclusão do estudo foi o papel da atividade física na longevidade. Os resultados também mostraram que pessoas que se exercitam demais não apresentam maior risco de morte, contrariando o que se acreditava previamente. “Uma vez liberados por seus médicos, os pacientes não devem ter medo da intensidade do exercício”, disse Metzl.
Para a equipe, a aptidão cardiorrespiratória está inversamente associada à mortalidade a longo prazo, ou seja, uma boa respiração durante a realização de atividades físicas indica maior expectativa de vida. A alta aptidão aeróbica (bom desempenho durante exercício) foi associada à maior sobrevida e trouxe inúmeros benefícios para pacientes idosos e/ou hipertensos.
Por outro lado, a falta de exercício pode ser extremamente perigosa. “Não ter aptidão física (capacidade de realizar atividades com tranquilidade e menor esforço) para exercícios físicos deve ser considerado um fator de risco para mortalidade da mesma forma que doenças, como hipertensão, diabetes e tabagismo — se não for mais forte do que todas elas”, alertou Wael Jaber, principal autor do estudo.

Maior mortalidade
De acordo com os cientistas, o dado mais impressionante encontrado no estudo é o fato da falta de atividade física ser tão prejudicial à saúde quanto doenças graves.
O risco de morte para os participantes que tiveram baixo desempenho nos testes foi maior do que a de pacientes diagnosticados com insuficiência renal e passavam por diálise semanal. Já indivíduos que passam muito tempo sentados apresentaram risco três vezes maior do que o de fumantes.
No resultado geral, a falta de exercício físico aumentou em 500% a probabilidade de morte. Quem se exercita pouco teve um risco 390% mais elevado do que pessoas que se exercitam regularmente.
Esses números são preocupantes, especialmente diante do relatório divulgado no mês passado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que revelou que 1,4 bilhão de pessoas são sedentárias em todo o mundo.
“Sedentarismo e estilos de vida ocidentais têm levado a maior incidência de doenças cardíacas e isso (novo estudo) mostra que é modificável. Nós estamos destinados a andar, correr, se exercitar”, comentou Satjit Bhusri, cardiologista do Hos- pital Lenox Hill, nos Estados Unidos.

Pessoas de meia idade podem reduzir e até mesmo reverter o risco cardíaco causado por décadas de sedentarismo por meio da atividade física

Atividade física reverte danos causados pelo sedentarismo  

A ciência acaba de trazer mais um incentivo para quem quer começar um ano mais saudável e melhorar a forma física. De acordo com um estudo publicado recentemente no periódico científico Circulation, pessoas de meia idade podem reduzir e até mesmo reverter o risco cardíaco causado por décadas de sedentarismo por meio da atividade física.
No entanto, esse objetivo só é alcançado com um comprometimento de longo prazo: é necessário praticar exercício aeróbico de quatro a cinco vezes por semana, por cerca de dois anos.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram o coração de 53 adultos saudáveis com idade entre 45 e 64 anos que não se exercitavam regularmente.
Em seguida, os participantes foram divididos em dois grupos: no primeiro, os voluntários seguiram uma rotina de exercícios aeróbicos que foi aumentando de intensidade ao longo de dois anos e, no segundo, as pessoas deveriam praticar yoga, musculação e exercícios de equilíbrio, três vezes por semana, pelo mesmo período.

Melhora

Os resultados mostraram que os participantes do grupo de exercícios aeróbicos apresentaram uma melhora de 18% na sua ingestão máxima de oxigênio durante o exercício e uma melhora de mais de 25% na “plasticidade” do músculo ventricular esquerdo do coração – ambos marcadores de um coração mais saudável. Por outro lado, esses benefícios não foram vistos nos participantes do segundo grupo.
“A chave para um coração mais saudável na meia idade é a dose certa de exercícios, no momento certo da vida. O resultado foi a reversão do risco cardíaco causado por décadas de um estilo de vida sedentário, para a maioria dos participantes.”, disse Benjamin Levine, principal autor do estudo e diretor do Instituto de Exercício e Medicina Ambiental.

Atividade física precisa ser parte da rotina de higiene, como escovar os dentes

Exercícios devem fazer parte da rotina de todas as pessoas  

A rotina seguida pelos participantes consistia em sessões de 30 minutos de exercícios, mais aquecimento e resfriamento. Nos primeiros três meses, eles praticaram apenas três sessões de exercícios moderados.
Após esse período, foi incluída uma sessão de atividade aeróbica de alta intensidade (quatro minutos de atividade intensa com frequência cardíaca máxima de 95%, seguida por três minutos de recuperação com frequência cardíaca entre 60% e 75%).
Também foi recomendado pelo menos uma sessão semanal de treinamento de força e uma sessão de treinamento aeróbico longo, o que corresponde a uma hora de tênis, ciclismo, corrida, dança ou caminhada rápida.
Em entrevista à rede britânica BBC, Levine disse que a mensagem principal do estudo é que a atividade física precisa ser parte da rotina de higiene, como escovar os dentes.
“Não é algo que se adiciona ao final do dia: você escova seus dentes, você muda suas roupas, come comida e bebe água. Você faz essas coisas para higiene pessoal. O exercício é igualmente importante. Você precisa encontrar maneiras de incorporá-lo em suas atividades diárias”, relata Benjamin Levine, principal autor do estudo e diretor do Instituto de Exercício e Medicina Ambiental.
Para Richard Siow, vice-reitor da Faculdade de Ciências da Vida e Medicina da King’s College London, o estudo também tem ramificações para condições relacionadas ao declínio cognitivo, como a demência, porque a função cardíaca melhorada facilita o fluxo sanguíneo para o cérebro.
“As ramificações mais amplas deste estudo para o envelhecimento sau- dável precisam ser exploradas”, completou o vice-reitor.