Edição – 3310 Trabalhadores devem ter cautela no momento de usufruir o 13º

42,9% dos brasileiros pretendem usar a primeira parcela do décimo terceiro para o pagamento de dívida

42,9% dos brasileiros pretendem usar a primeira  parcela do 13º para o pagamento de suas dívidas   

Até o final do ano, cerca de R$ 200 bilhões serão injetados na economia brasileiro graças ao pagamento do décimo terceiro, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Para não cair nas armadilhas de final de ano e acabar gastando mais do que ganha, é preciso ter muita cautela. De acordo com pesquisa divulgada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), 42,9% dos brasileiros pretendem usar a primeira parcela do décimo terceiro para o pagamento de dívidas.
O número de brasileiros endividados chegou a 58,4% em 2017, segundo a Pesquisa de Inadimplência do Consumidor (Peic). Esse é o maior índice dos últimos sete anos. Quitar as dívidas deve ser prioridade ao receber o 13º salário, especialmente as que os juros são mais altos, como cartão de crédito e cheque especial e, muitas vezes, elas se tornam uma bola de neve. Então utilizar o décimo terceiro para livra-se dessas dívidas é o mais sensato. O início do ano também é significado de gastos extras: matrícula e material escolar, IPVA, IPTU, Imposto de Renda, frequentemente tiram o sono de muitos brasileiros. Guardar o dinheiro recebido agora para pagar as contas extras do primeiro trimestre do ano que vem, também é uma opção. Mesmo que o valor não cubra o montante total, já pode ser uma ajuda importante.

Gastos de emergência

O carro quebra, o celular é roubado, um eletrodoméstico mais caro eventualmente precisa ser trocado. Por conta desses gastos emergências, é sempre importante ter uma quantia que você possa dispor imediatamente, sem necessidade de se endividar.
Atualmente, com a queda do Selic, a poupança apresenta um rendimento baixo. Mas, por conta da liquidez, ela pode ser vista como um fundo de emergência.
Para muitos brasileiros, títulos do tesouro direito ainda soam como um investimento distante. Mas, para quem pensa em rendimentos em longo prazo, existem opções mais interessantes e vantajosas que a poupança.

A primeira deve ser depositada na conta do trabalhador até o dia 30 de novembro

Trabalhadores com carteira  assinada tem direito ao 13º 

Quando chega o final do ano, todo colaborador registrado pela CLT espera ansiosamente pelo décimo terceiro salário. O benefício nasceu como gratificação de Natal em 1962, pela Lei nº 4.090. Em 1965, foi regulamentado pelo decreto nº 57.155 e, desde então, é um direito garantido por lei aos trabalhadores brasileiros.
Muita gente, de fato, usa o décimo terceiro para as compras de Natal, mas esse dinheiro extra também pode ser destinado a investimentos, pagamento de dívidas ou quitação de impostos de início de ano, como IPVA e IPTU.
Em um país de baixa renda, como o Brasil, esse benefício serve como desafogo para o orçamento de muitas famílias, por isso, não pode e nem deve ser negligenciado pelos empregadores.
Além de ser obrigatório para as empresas, o pagamento do décimo terceiro deve seguir algumas regras.

Qual é o prazo para pagamento?
A lei determina que o empregado faça o pagamento do décimo terceiro em duas parcelas. A primeira deve ser depositada na conta do trabalhador até o dia 30 de novembro, e a segunda deve ser agendada para até 20 de dezembro. Caso as datas caiam no domingo, o acerto deve ser antecipado para o último dia trabalhado.
A empresa também deve oferecer aos colaboradores a opção de receber a primeira parcela do décimo terceiro junto ao pagamento das férias.
É proibido pagar a gratificação em uma única parcela, assim como atrasos não são tolerados. A perda do prazo rende à empresa uma multa administrativa de R$ 170,25 por colaborador contratado. O valor é pago ao Ministério do Trabalho, e não aos colaboradores.

Como fica o valor quando  há reajuste salarial?

O décimo terceiro é pago com base na remuneração recebida pelo trabalhador. Logo, em caso de aumento de salário, o cálculo deve ser feito considerando os valores atuais dos vencimentos dele.

Confira dicas para organizar os gastos e investimentos 

Não é muito difícil encontrar pessoas que não têm ideia de quanto gastam por mês. A água e chocolate comprados no trajeto de casa para o trabalho, a cerveja ou refrigerante com os amigos no fim do expediente e a pizza com a família aos finais de semana compõem a lista de despesas não contabilizadas durante o mês.
A maioria das pessoas costuma anotar apenas as despesas mais básicas, como a conta de luz, água e internet, por exemplo. Esse costume configura erro, pois, os pequenos gastos podem se transformar em valores exorbitantes quando calculados.
A solução para manter tudo em ordem é colocar na planilha todos os gastos, pequenos ou grandes. Após somados, eles precisam ser debitados da quantia líquida arrecadada por mês e o saldo final precisa ser positivo.
Se ao contabilizar você perceber que só conseguirá pagar o valor mínimo das compras com o cartão de crédito, deixando parte da dívida para o mês seguinte, sentimos informar que seu orçamento não fecha e, talvez, a solução seja deixar de fazer compra com essa modalidade de pagamento. Na dúvida prefira pagamentos em dinheiro, mas somente se estiver sobrando. Tentar não cair na ilusão do cheque especial é outra dica importante.

Cartão de crédito não significa mais dinheiro
Algumas pessoas entendem o cartão de crédito como complemento de renda. É essa mentalidade que leva o consumidor a ir ao supermercado e utilizar o crédito como forma de pagamento, por exemplo.
É preciso entender que os gastos com alimentos se repetirão todos os meses, portanto, se houver necessidade de usar a modalidade de crédito, evite parcelar, deixando parte da dívida para o mês seguinte.
Segundo especialistas, cerca de 40% da renda mensal é gasta com a compra de alimentos e esse valor deve estar incluso no orçamento mensal. Se o valor destinado às compras de mês não for suficiente, o ideal é rever a lista de compras e evitar o que for dispensável.
Refrigerantes, salgadinhos e aperitivos podem ser deixados de lado, nesse caso. Se houver a possibilidade de mudar para uma marca mais barata, mas com qualidade similar, não hesite em mudar. Outra opção é ir atrás das promoções agendadas que alguns mercados fazem e, quem sabe, ir em mais de um supermercado ou ir também no dia das promoções mais vantajosas.

Imponha limite  ao orçamento
A planilha de gastos é a única forma de saber se seu salário cobre todas as despesas. Feito isso, você poderá saber onde você pode reduzir gastos ou em que área você pode investir mais dinheiro.
Se você planeja viajar no final do ano, determine previamente um valor para gastar enquanto estiver viajando. Isso evitará surpresas e aperto financeiro ao retornar.
Além disso, você precisa estar ciente que a chegada de um novo ano é sinal de reajuste. Aumento na mensalidade do colégio ou da faculdade e até mesmo reajuste nos serviços prestados por companhias de água e luz precisam ser previstos antes de gastar demais no passeio.