Em meio a pandemia, iPAI continua dando assistência a pacientes do AME

iPAI continua dando
assistência em meio a pandemia

Entre os principais desafios que a iPAI faz para driblar a pandemia é o contato diário com os pacientes

Além da ameaça da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, muitas pessoas ainda enfrentam diariamente a luta contra outras comorbidades, que podem agravar ainda mais o quadro dos infectados pelo vírus.
Com o objetivo de oferecer assistência a pacientes que fazem tratamento no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Ituverava e em unidades hospitalares da cidade de Franca, em 2018 foi criado o iPAI (Instituto Pacientes Atendidos por Ituveravenses), que diariamente oferece café da manhã, sopa e, principalmente, atenção.
Entretanto, assim como diversas outras, a entidade tem encontrado algumas dificuldades nos últimos meses para prosseguir com suas atividades em decorrência da crise causada pela Covid-19.
Segundo o idealizador do projeto, Ronaldo Garcia Pinheiro, a redução nos atendimentos realizados pelo AME devido à pandemia, consequentemente também refletiu no número de pessoas que a iPAI recebia diariamente.
“Já houve dias que atendíamos mais de 100 de pacientes, e hoje esse número não passa de 30. Entretanto, todos são muito bem recebidos e atendidos com o mesmo profissionalismo e zelo de sempre”, disse.
“Há três meses estamos vivendo os efeitos dessa pandemia, sendo que, no primeiro mês, suspendemos as nossas atividades em respeito ao decreto municipal que determinou o fechamento do comércio. Entretanto, como a entidade se enquadra na categoria de serviço essencial, após esse período, voltamos com as nossas atividades”, ressalta o voluntário.

Medidas de proteção
Contudo, a retomada exigiu que medidas sanitárias recomendadas pelas autoridades de saúde fossem adotadas para garantir a segurança de todos. Na entrada da casa de apoio está sendo disponibilizado álcool em gel para higienização das mãos e o acesso ao local também é condicionado a um determinado número de pessoas por vez, mantendo o distanciamento recomendado de dois a três metros.
“Cada paciente que entra na casa faz a higienização, toma o seu café e sai para dar lugar a outras pessoas. Muitos procuram pela sopa que é oferecida, o que implica em uma tolerância maior dentro da sede. Outros hábitos que também foram suspensos são as formas de cumprimento, como apertos de mãos e abraços, gestos que eram muito comuns entre todos nós”, afirma Ronaldo.

Desafios
Entre os principais desafios que a iPAI tem encontrado para driblar a pandemia, Garcia destaca o contato diário com os pacientes, tendo em vista que assim como ele, os voluntários fazem parte do grupo de risco da Covid-19.
“Todos já tiveram ou têm enfrentando alguma comorbidade. São pessoas que dedicam o seu tempo à entidade como uma forma de contribuir com o próximo e se distrair das dificuldades enfrentadas. Portanto, o nosso cuidado é redobrado, no entanto, temos vivido esse momento com muito amor e caridade”, ressalta.
“Como as vendas no comércio caíram devido à pandemia e o segmento é um dos principais agentes para a manutenção da entidade, não podemos esperar ou pedir muito dos comerciantes. Então, uma forma de arrecadar fundos encontrada foi a Feijoada Solidária. Além disso, também comercializamos roupas que recebemos através de doações e os alimentos que oferecemos são totalmente provenientes também de doações”, afirma Ronaldo.

Feijoada Solidária
Para ter condições de dar continuidade as suas atividades, a entidade tem investido em diversas ações, como a Feijoada Solidária, que aconteceu no último domingo, 21 de junho, na sede da iPAI.
“O prato foi muito elogiado por todos que nos prestigiaram. E para que isso acontecesse, contamos com a ajuda de voluntários que começaram a trabalhar na manhã de sábado para preparar os ingredientes, deixar o ambiente higienizado para que, no domingo, tudo estivesse pronto”, conta o instrutor de trânsito.
“Inclusive, não posso deixar de agradecer a minha mãe, Dulcinéia e a dona Maria do Carmo, que se dispuseram a cozinhar, e o apoio das voluntárias Roberta, Cida, Helen, Laura e Gisele, pessoas que trabalharam e deram o seu melhor para que o evento acontecesse. A feijoada repercutiu muito bem entre a população e esse dia ficará marcado pelos inúmeros elogios”, afirma.
O valor arrecadado foi empregado em despesas da entidade, como aluguel e consumo de água e energia elétrica. “Começaremos o mês de julho em dia com todas essas despesas”, comemora Garcia.

Recursos
Outra ação desenvolvida para arrecadar recursos é um carnê de arrecadação, onde os voluntários doam mensalmente um valor.
“A casa de apoio está há dois anos servindo a população, entretanto, ainda não possui uma identidade jurídica. Temos interesse em regularizar essa situação, pois dessa forma teremos a oportunidade de receber mais doações e consequentemente investir em melhorias para os pacientes”, observa.
“Pretendíamos realizar mais eventos, mas, neste momento, não podemos pensar em nada que envolva aglomeração”.
O filantropo ressalta a importância da contribuição da população neste momento, uma vez que a única fonte de recursos para manter o funcionamento do instituto são as doações.
“Uma forma da população dar a sua contribuição é participando das ações que promovemos, como o Arroz Carrreteiro e a Feijoada Solidária. Ao buscar as encomendas, as pessoas acabam conhecendo o trabalho que vem sendo realizado. E mesmo após dois anos da fundação da entidade, ainda há pessoas que não conhecem a Casa de Apoio”, destaca.
“Estamos de portas abertas para as pessoas que querem conhecer a entidade. E os que já estão familiarizados com o nosso trabalho devem reivindicar a prestação de contas, pois trabalhamos com muita seriedade”, convida.

Doações

Para quem quiser fazer uma doação, o iPAI aceita itens que vão desde alimentos, como café, leite, açúcar, macarrão, extrato de tomate, até roupas. Para maiores informações, basta entrar em contato pelo telefone (16) 99107-5555. “No comércio de Ituverava, por exemplo, temos estabelecimentos que são exemplos de colaboradores fieis, como a Padaria Vipão, o Vanderlei do Varejão, o Supermercado Fartura, a Rede Liberdade de Supermercados, além de outras mercearias”.
“Aproveito a oportunidade para reforçar o convite a população para conhecer a iPAI, pois é muito mais fácil fazer uma doação para alguém ou um trabalho que conhecemos”, convida Ronaldo.

Voluntariado

A redução de atendimentos também refletiu no número de voluntários que integram a equipe da iPAI. Além de Ronaldo, a entidade conta atualmente com a presença de quatro voluntários: Paulo César Martins, Aparecida Fátima de Oliveira, Roberta Maria Vaz, Hellen Massarioli e Laura Massarioli.
“Alguns estão afastados em decorrência da pandemia e por possuírem comorbidades, como é o caso da senhora Maria Sanzoni. Também é importante destacar a generosa colaboração de cerca de 20 voluntários que, diariamente contribuem com a entidade no oferecimento do lanche da madrugada, que é destinado para pacientes que fazem tratamento em Franca”, completa o fundador do iPAI, Ronaldo Garcia.