Enem será aplicado nos dois próximos domingos

Candidatos fazem a prova do ENEM

Prova se tornou o principal meio de acesso às universidades, além de avaliar qualidade do Ensino Médio  

Em 20 anos, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou de uma avaliação de desempenho ao fim da educação básica para se tornar o maior vestibular do país – e o segundo do mundo.
Depois de muitas mudanças e milhões de inscritos, a prova que ocorre nos próximos dois domingos está em amadurecimento, com nova matriz curricular e alterações na aplicação sendo estudadas.
Em Ituverava, a prova será aplicada na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), Escola Estadual “Capitão Antônio Justino Falleiros” e Escola Municipal de Ensino Fundamental “Humberto França”.   O Enem começou a caminhar para a atual amplitude já em 1999, ano seguinte ao de sua criação, quando importantes instituições do país, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), passaram a usar a nota do exame como um dos critérios para seleção de ingressantes.  A partir de 2009, o exame firmou sua importância, com a criação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), substituindo os vestibulares das instituições federais para selecionar alunos.
Atualmente, é o exame que seleciona os estudantes para 240 mil vagas em 130 instituições públicas brasileiras, além de particulares e de outros países, como Portugal.

Melhorias
Presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) na época da criação do Enem, Maria Helena Guimarães de Castro afirmou que o exame se firmou como uma das principais políticas educacionais do país e não corre riscos, mas ainda precisa de melhorias.
Para ela, a nova matriz curricular (que estabelece os conteúdos cobrados na prova) que está sendo desenhada é fundamental para o aperfeiçoamento. “Até 2009 era mais uma prova de conhecimentos gerais, mas, quando se transformou em vestibular, ficou mais conteudista por uma demanda dos reitores. O problema é que, a cada pedido das faculdades, a matriz do Enem foi virando uma colcha de retalhos”, avalia.
Idealizadora do Enem e atual presidente do Inep, Maria Inês Fini diz que a nova matriz vai seguir as orientações da Reforma do Ensino Médio e da Base Nacional Comum Curricular – ainda em discussão – que só devem ser implementadas em 2021.

Visão mais abrangente
“Vamos fazer os ajustes de acordo com o que a base nos indicar, que é uma visão mais abrangente de aprendizado. Não podemos só pensar nos conteúdos tradicionais e como avaliá-los, mas também associá-los a outras habilidades e competências adquiridas pelos alunos”, ressalta.
Para Maria Inês, a discussão atual sobre a matriz curricular marca o início da “terceira onda” do Enem. “Temos uma avaliação forte e importante, reconhecida internacionalmente. Agora, ela vai ser aprimorada”, destaca.
Com 5,5 milhões de inscritos para a edição deste ano, o Enem é a segunda maior prova de acesso ao ensino superior do mundo, atrás apenas do Gaokao, o vestibular chinês, que tem anualmente cerca de 9 milhões de inscrições.

logística 

Para as duas educadoras, uma mudança importante para os próximos anos é a forma de aplicação do exame – e elas defendem que seja feito online. Maria Inês explica que, mesmo com o investimento em tecnologia, a aplicação seria mais barata e segura.
Em 2017, a prova custou R$ 505,5 milhões – apenas 25% dos gastos são cobertos pelo valor da taxa de inscrição, de R$ 82 – e envolveu mais de 600 mil pessoas na elaboração, distribuição, aplicação e correção do exame.
“É muito espetaculoso e hoje já temos tecnologia que poderia tornar o processo mais simples e seguir o exemplo de grandes vestibulares do mundo, como o SAT nos Estados Unidos”, diz Maria Helena.
Para ela, essa alteração deveria ser uma das prioridades do próximo ministro da Educação, já que a transição para uma prova totalmente online pode demorar alguns anos. A digitalização também possibilitaria realizar o Enem mais de uma vez ao ano.

ENEM terá 180 questões de múltipla escolha no total; redação deve ter o mínimo sete e no máximo 30 linhas

Prova tem 180 questões de múltipla escolha e redação  

Cada prova objetiva tem 45 questões. São, portanto, 180 questões de múltipla escolha no total. A redação deve ter o mínimo sete e no máximo 30 linhas.
A redação é um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, segundo a Cartilha do Participante do Enem 2018. São cobradas cinco competências, que recebem pontuação de 0 a 200.
São elas: domínio da norma da modalidade escrita formal; compreensão da proposta de redação; organização, interpretação de fatos e argumentos em defesa de um ponto de vista; demonstração de conhecimentos dos mecanismos linguísticos; e elaboração de proposta de intervenção.
Os temas são sempre sobre assuntos de “ordem social, científica, cultural ou política”, de acordo com a cartilha.

Qual o horário de aplicação das provas?
As provas começam sempre às 13h30, pelo horário de Brasília. Porém, é preciso ficar atento, porque exatamente no dia da primeira prova, em 4 de novembro, entra em vigor o horário de verão. Dez Estados, além do Distrito Federal, deverão adiantar o relógio em uma hora.

É possível deixar a sala de prova a qualquer momento?
Não. Nenhum candidato poderá deixar o local de prova antes das duas primeiras horas, segundo o Inep.
Caso seja um dos três últimos participantes presentes na sala de provas, só poderá sair juntamente com os outros dois candidatos, depois de assinar a ata de sala. Concorrentes só podem sair da sala para ir ao banheiro a partir das 13h, após o fechamento dos portões

O que é preciso levar para o dia para prova?
É necessário levar caneta esferográfica de tinta preta e fabricada em material transparente e documento oficial de identificação original com foto.
Para não ter problemas, leve mais de uma caneta. Também é recomendado levar água e pequenos lanches, como barras de cereais.

O que eu não se pode levar?
Nenhum dispositivo eletrônico como relógio, alarme, calculadora, além de itens como borracha, caneta de material não transparente, fones de ouvido, lápis, lapiseira, livros ou manuais.
Também não é permitida a entrada de candidatos com óculos escuros, boné, chapéu, viseira, gorro ou qualquer acessório que cubra os cabelos ou as orelhas.

Quando saem os gabaritos? E os resultados?
Os gabaritos serão divulgados até o dia 14 de novembro, segundo o Inep. Já os resultados, só em janeiro de 2019. Logo depois das provas, cursinhos pré-vestibulares costumam fazer correções extraoficiais.
Por meio delas, o candidato pode ter uma ideia de como foi na prova – mas só vale para tentar conter a ansiedade, porque este resultado não é oficial.

Se eu o candidato acertar muitas questões, ele terá uma boa nota?
Nem sempre. Para calcular as notas, o Enem utiliza uma metodologia chamada Teoria de Resposta ao Item (TRI), que não leva em conta somente o número de acertos, e sim o nível de dificuldade de cada questão correta. Por isso, candidatos que tiveram o mesmo número de acertos podem ter notas diferentes.

Conheça as características do  exame e tire as suas dúvidas  

Criado em 1998, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) tinha 63 questões, era aplicado em apenas um dia e registrava pouco mais de 150 mil inscrições.
Ao longo de sua vida, ele foi reformulado, ganhou importância, acumulou funções e tornou-se o segundo maior exame de acesso ao ensino superior do mun- do. Confira algumas im- portantes informações sobre o exame e tire suas dúvidas:

Por que o Enem ficou tão importante? Afinal, para que serve a prova?
O Enem se tornou o principal acesso ao Ensino Superior do Brasil. A maioria das universidades públicas abandonou o tradicional vestibular e utiliza as notas do Enem para selecionar alunos, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
O Ministério da Educação também aproveita o desempenho dos candidatos no Enem para distribuir as bolsas de estudo nas universidades particulares, por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni), e para preencher as vagas do Financiamento Estudantil (Fies).

Quando vai ser a prova? Por que ela é aplicada em dois domingos?
Nos dias 4 e 11 de novembro, pelo segundo ano consecutivo ela será aplicada em dois domingos. Até então, as provas aconteciam em um fim de semana seguido, no sábado e no domingo.
A mudança ocorreu após uma consulta pública feita pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) no início do ano passado. Mais de 600 mil pessoas responderam às perguntas do Governo Federal, e 42% optaram por mudar a prova para dois domingos.

Como é possível saber qual será meu local de prova?
É preciso acessar o cartão de confirmação de inscrição na Página do Participante (https://enem.inep.gov.br/participante), com CPF e senha.
O cartão contém informações como número de inscrição, endereço do local onde o aluno fará as provas, número da sala e outros detalhes como a língua estrangeira escolhida pelo candidato – inglês ou espanhol.
Antigamente, o MEC enviava estes cartões pelos Correios, mas, para economizar, optou somente pela versão digital.

O que cai em cada um dos dias de provas?
No primeiro dia são as provas de linguagens, ciências humanas e redação. São cinco horas e trinta minutos de duração. No segundo dia é a vez de ciências da natureza, que compreende as disciplinas de química, física e biologia, além de matemática. São cinco horas de duração.