Entenda o conceito dos filmes chamados de ‘B’ por cinéfilos

As pessoas chamam de filmes B obras que não gostam, usam a expressão de forma pejorativa, mas a história desse tipo de filme é bem mais benigna e interessante, tem muito mais a ver com espírito, estilo e entusiasmo do que com qualidade. Os chamados filmes B surgiram por causa da Grande Depressão na Década de 1930. Quando nem comida a pessoa tem, ninguém quer diversão e arte, e um terço das plateias dos cinemas desapareceu. A solução que os estúdios e cinemas encontraram foi aumentar a oferta de filmes e manter o preço do ingresso. O filme principal, chamado de Filme A, era a produção de sempre dos grandes estúdios. Já o segundo filme, o Filme B, era um filme de orçamento menor, servindo como treinamento para novos diretores, técnicos e atores.
Em termos de qualidade, ocorria um fenômeno interessante: embora a maioria dos filmes fosse mais simples, seguindo fórmulas seguras de westerns, filmes de gangsters e romances açucarados, como havia bem mais liberdade, pois os estúdios não ligavam para o que estivesse sendo produzido, alguns diretores e roteiristas faziam experimentações. Os filmes B funcionavam como cinema independente bancado por grandes estúdios.
Muitos diretores e atores vieram dos filmes B, os seriados de faroeste com Roy Rogers, os westerns do começo de carreira do John Wayne, os primeiros filmes de Francis Ford Coppola, James Cameron e toda a carreira de gente como Roger Corman e Ed Wood.
Com o tempo, os filmes B saíram de moda nas sessões duplas, mas continuaram a existir em cinemas de subúrbio, com a dúbia honra de serem filmes B mesmo sem nenhum filme A na sessão. Foi a era de ouro do bezões, entre os anos 60 e 80, com toneladas de filmes de horror como os da produtora Hammer.

Baixo orçamento
Nessa época, os filmes B eram vistos como filmes de baixo orçamento que não competiam com os lançamentos principais dos estúdios, focavam em histórias mais apelativas, com sexo e nudez sempre que possível, com pérolas como Ilsa, She-Wolf da SS e o clássico Shaft.
Os Anos 80 viram nascer uma nova modalidade de filmes B, os filmes direto para VHS . A Troma Entertainment, produtora fundada em 1974, se tornou referência no mundo dos filmes B, tendo produzido, comprado ou distribuído mais de mil títulos, servindo como começo de carreira para gente como Carmen Electra, Billy Bob Thornton, Kevin Costner , J. J. Abrams , Samuel L. Jackson, Marisa Tomei , James Gunn e Oliver Stone.
A Troma, entre outros filmes B, é responsável pelo fantástico Surfistas Nazistas Devem Morrer. Uma característica fundamental dos filmes B é que apesar de falharem miseravelmente, nenhum tem a intenção de ser ruim. Isso mudou no final da década de 1990, quando a demanda por conteúdo nas TVs por assinatura acabou criando produtoras como a Asylum, especializadas no estilo quanto pior, melhor, mas com isso eles perverteram a pureza dos filmes B.
A Asylum começou a produzir conteúdo original, filmes metalinguísticos que reconheciam sua condição de filmes B, e assumiam o título com orgulho. O mais conhecido é o igualmente inacreditável Sharknado.

Franquia Sharknado

É a essência dos filmes B. Orçamento risível, atores iniciando ou encerrando a carreira, roteiros que carecem de um tratamento de um profissional mais experiente, mas filmes que entregam exatamente o que o público quer ver. Tanto que, no final, a franquia rendeu seis filmes, cada um mais exagerado e absurdo que o outro, conquistando uma simpatia com o público que atraiu toda sorte de celebridades que toparam na hora fazer pontas nos filmes, como Neil DeGrasse Tyson.