Erro em correção do Enem gera insegurança entre os candidatos

A preocupação dos candidatos a uma vaga no Ensino Superior aumentou desde que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, reconheceu, no último sábado, 18 de janeiro, que houve “inconsistências” na correção dos gabaritos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019. Segundo Weintraub, a falha ocorreu na transmissão das informações – quem fez prova de uma cor teve o gabarito corrigido como se fosse outra cor.
O ministro da Educação afirmou que até o problema será resolvido e reforçou que o Inep segue apurando os erros e descartou que qualquer candidato possa ser prejudicado. “A equipe do Inep continua trabalhando na apuração das inconsistências nas notas individuais do Enem 2019. Reafirmo: nenhum candidato será prejudicado”, disse.
O desempenho no Enem é critério para concorrer no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece 237 mil vagas em universidades federais em todo o país. O período de inscrições foi mantido e terminou ontem, dia 24.
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, 3,9 milhões de pessoas fizeram as provas em 3 e 10 de novembro. A princípio o erro havia atingido apenas a correção de gabaritos do 2º dia, quando houve provas de ciências da natureza e matemática. O Inep criou um e – mail para os candidatos que se sentirem prejudicados. O endereço é enem2019@inep.gov.br. Virgínia Medina, 20 anos, tenta pela quarta vez entrar em Medicina – o primeiro ano foi como “treineira”. “Meu medo é o erro não ser corrigido e eu ser prejudicada no Sisu. Foi um ano inteiro de investimento. Eu morei em outra cidade para fazer cursinho, paguei as aulas, estudei bastante e agora comecei a me preocupar, porque aquela nota não condiz com a minha preparação”, ressalta. Segundo Weintraub, o erro atingiu “alguma coisa como 0,1%” dos candidatos que prestaram o exame – o equivalente a 3,9 mil candidatos. Depois, Alexandre Lopes, presidente do Inep, falou que o erro poderia ter afetado “até” 1% – 39 mil pessoas. Ao fim, afirmou que “não chega a 9 mil”.
“Quando vi a nota baixa, achei que era erro e seria atualizado. Depois, vi que não foi. A gente confia na nossa educação e no preparo dado pelos professores. Sabíamos que estava errado. É uma sensação de descaso absurda, uma desvalorização de tudo que estudamos este ano”, destaca Lívia Costa, 19 anos, que tenta Medicina na UFV.

Correção

O Ministério da Educação informou que as falhas foram corrigidas e abriu as inscrições para a edição do primeiro semestre de 2020 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) na terça-feira, 21 de janeiro. Mas ao longo do dia, candidatos relataram nas redes sociais lentidão e falhas para se inscrever no sistema.
Internautas publicaram prints de uma mensagem que apontava um erro inesperado e pedia para que eles tentassem se inscrever mais tarde. Outros contaram que o sistema anunciou que as inscrições estavam encerradas. O Sisu chegou a ser o tema mais comentado do Twitter no Brasil por conta desses problemas. O ministro Abraham Weintraub informou, no entanto, que esse problema também foi resolvido