3298 Fake News podem confundir eleitores em suas escolhas

De acordo com especialistas, assim como ocorreu nos EUA, notícias falsas podem impactar as eleições no Brasil 

Segundo levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo (USP), somente no mês de junho deste ano, cerca de 12 milhões de pessoas compartilharam fake news no Brasil.
O levantamento, que monitorou 500 páginas digitais de conteúdo político falso ou distorcido, indica que tais notícias têm potencial para alcançar grande parte da população brasileira se considerada a média de 200 seguidores por usuário.
A influência das fake news (notícias falsas, em tradução literal) sobre o voto nas eleições de outubro é dada como certa para especialistas como a diretora da agência de checagem Lupa, Cristina Tardáguila. “A probabilidade é 1.000% de notícias falsas permeando as campanhas de presidente e de governadores. Aconteceu com nossos vizinhos, na Argentina e Colômbia”, alerta.
O principal impacto das fake news é tumultuar o processo pelo qual as pessoas recebem as informações sobre questões de interesse público, com efeitos de intensidade imprevisível. “A unidade básica da tomada de decisão é a informação. Se você está mal informado, você tomará más decisões”, afirma.
Durante a disputa para presidente dos Estados Unidos, em 2016, a editora do site de checagem Politifact Angie Holan trabalhou rebatendo declarações falsas ditas pelos candidatos à presidência — especialmente Donald Trump.
Desde que o agora presidente americano começou a ser checado pelo veículo, apenas 4% de 474 falas foram categorizadas como verdade. “Acho que as pessoas se importam com a verdade, mas a verdade é apenas um fator dentre vários em uma eleição”, diz Angie. “Os eleitores americanos, e todos os eleitores na verdade, se preocupam mais com a personalidade de uma pessoa”, destaca.

Tendenciosa
O linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky afirma que quando os pronunciamentos de Trump são regularmente expostos como pura invenção, isso geralmente é usado para mostrar que as elites são tendenciosas contra seu herói.
Para Chomsky, isso confirma a teoria de que as invenções espalhadas nas redes sociais são populares especialmente entre as pessoas que percebem o poder estabelecido como hostil e se sentem vitimadas pelas políticas prevalecentes.
“Elas desconfiam do que vem das fontes da elite e procuram por algo que possam interpretar como favorável às suas atitudes e interesses”, diz o filósofo americano.

Indústria de desinformação

Ainda não se sabe quais serão as forças por trás das matérias enganosas em 2018. Tai Nalon, cofundadora da agência de checagem Aos Fatos, lembra que existem sites que se travestem de veículos jornalísticos e enganam os leitores, usando nomes de marcas consolidadas para dar seriedade ao conteúdo veiculado. “Esses sites podem se tornar um problema à medida que geram dinheiro e viram uma indústria de desinformação”, destaca.
Os novos canais de comunicação, como WhatsApp, podem ampliar a disseminação de conteúdo de origem duvidosa. Correntes, memes e vídeos, por exemplo, descontextualizam informações e amplificam esse problema. “Boatos e notícias falsas sempre existiram. A questão hoje é a distribuição delas”, observa.
Para o professor do Departamento de Informática da PUC-Rio Daniel Schwabe, a preocupação é como o eleitor irá se comportar diante das fake news. “Não temos como saber se as pessoas já estão criando seus próprios filtros para as questões políticas. Dá menos trabalho repassar do que parar e dizer ‘não vou compartilhar isso’”, explica.

O ex-presidente do TSE, ministro Luiz Fux, durante evento sobre fake news

Tribunal Superior Eleitoral  tem combatido fake news

Para tentar frear esse fenômeno e seus efeitos na próxima eleição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já prepara ações com Ministério da Defesa, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Exército.
Enquanto o TSE se encarrega da parte jurídica do processo, de punição e interpretação dos conteúdos divulgados, as outras instituições trabalham na parte tecnológica, de verificação de vulnerabilidade de sistemas e detecção de robôs responsáveis por disseminar notícias falsas.
De acordo com o Ministério, as experiências positivas de cibersegurança durante as Olimpíadas do Rio, em 2016, estão servindo como base para as iniciativas.
Em paralelo, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei apresentado em fevereiro de 2017 que propõe criminalizar a produção de notícias falsas.
De autoria do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), o texto prevê pena de detenção de 2 a 8 meses para quem produzir fake news. “As mentiras ultrapassaram todos os limites”, acusa o deputado.
Exemplo
A fala do deputado faz bastante sentido. O Movimento Brasil Livre (MBL), por exemplo, surgiu na época do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, se apresentando como uma organização apartidária que buscava um país livre da corrupção.
Entretanto, em pouco tempo o grupo se tornou um dos maiores propagadores de fake news do Brasil, como aponta pesquisas da Universidade de São Paulo (USP).
Além disso, foi constatado que o MBL recebia dinheiro de alguns partidos. Mesmo assim, o grupo segue impune, tendo conseguido eleger um vereador em São Paulo nas últimas eleições municipais. Neste ano, o Movimento Brasil Livre tem candidatos aos cargos de deputado estadual e deputado federal pelo DEM.

Estados Unidos
As últimas eleições americanas foram um exemplo para o mundo sobre a influência de conteúdo enganoso sobre o voto. O compartilhamento de fake news e de textos extremistas, sensacionalistas, conspiratórios e de opinião disfarçados de notícias jornalísticas ganhou força frente a reportagens escritas por profissionais.
Um levantamento do Projeto de Propaganda Computacional da Universidade de Oxford analisou os compartilhamentos feitos por usuários do Twitter no Estado de Michigan durante o período eleitoral.
Os pesquisadores descobriram que 46,5% de todo o conteúdo apresentado como noticioso sobre política era composto por notícias falsas, documentos não verificados do WikiLeaks e matérias de origem russa. Recentemente, descobriu-se que 126 milhões de internautas dos EUA no Facebook foram expostos ao conteúdo produzido na Rússia sobre a eleição americana.
Nas audiências realizadas em novembro no Congresso americano sobre a influência russa no pleito dos Estados Unidos, executivos do Google, Facebook e Twitter admitiram que operadores da Rússia usaram as plataformas online para dividir o país.
As gigantes de tecnologia se comprometeram a divulgar, com transparência, quem paga por anúncio nas redes.

Notícias falsas também podem  impactar em questões sociais

A internet é uma ferramenta poderosa, que permite com que pessoas ao redor do mundo possam ter acesso a notícias e fatos em qualquer outra parte do globo em questão de segundos.
No entanto, também é através da internet que as fake News costumam se espalhar. Além das questões políticas, o perigo também vem em questões sociais e até comportamentais. Esse tipo de propagação de mentiras pode manipular a opinião de muitas pessoas e até mesmo ser ferramenta para golpes.
Muitas fake news são relacionadas a assuntos bobos como boatos sobre assombrações ou bizarrices no mundo, mas existem muitas notícias que se levadas a sério geram ódio e até mesmo retaliações.
Um exemplo muito triste que chocou todo o Brasil do quanto essas mentiras podem gerar tragédias foi o que aconteceu com Fabiane Maria de Jesus em 2014. Após sua foto ser compartilhada em redes sociais como sendo uma sequestradora de crianças, a moça foi linchada e espancada até a morte por moradores de Guarujá, em São Paulo.
Infelizmente esse tipo de coisa acontece com frequência. Pessoas comuns que têm suas fotos compartilhadas como criminosas e acabam pagando por isso ou precisando se esconder, como foi o caso de Carlos Luiz Batista, em 2016.

Famosos

E os famosos também sofrem com as fake news, principalmente aqueles que já são visados e já sofrem algum tipo de preconceito como por exemplo a cantora Pablo Vittar. No ano passado uma notícia falsa afirmou que a artista teria um programa infantil patrocinado pela Lei Rouanet (que aliás é um alvo constante de notícias falsas no Brasil) para ensinar crianças sobre ideologia de gêneros.
E um caso mais recente ainda é sobre a vereadora assassinada Marielle Franco. O deputado Alberto Fraga e o Movimento Brasil Livre (MBL) divulgaram algumas denúncias muito sérias sobre a parlamentar sem antes averiguar a procedência dessas informações. Na ocasião, disseram que ela teria sido casada com um traficante, engravidado aos 16 anos e eleita pelo Comando Vermelho.

Saiba como distinguir o que é verdadeiro do que é falso

A internet é uma ferramenta poderosa, que permite com que pessoas ao redor do mundo possam ter acesso a notícias e fatos em qualquer outra parte do globo em questão de segundos.
No entanto, também é através da internet que as fake News costumam se espalhar. Além das questões políticas, o perigo também vem em questões sociais e até comportamentais. Esse tipo de propagação de mentiras pode manipular a opinião de muitas pessoas e até mesmo ser ferramenta para golpes.
Muitas fake news são relacionadas a assuntos bobos como boatos sobre assombrações ou bizarrices no mundo, mas existem muitas notícias que se levadas a sério geram ódio e até mesmo retaliações.
Um exemplo muito triste que chocou todo o Brasil do quanto essas mentiras podem gerar tragédias foi o que aconteceu com Fabiane Maria de Jesus em 2014. Após sua foto ser compartilhada em redes sociais como sendo uma sequestradora de crianças, a moça foi linchada e espancada até a morte por moradores de Guarujá, em São Paulo.
Infelizmente esse tipo de coisa acontece com frequência. Pessoas comuns que têm suas fotos compartilhadas como criminosas e acabam pagando por isso ou precisando se esconder, como foi o caso de Carlos Luiz Batista, em 2016.

Algumas dicas simples podem fazer com que as fake News deixem de ser espalhadas. A primeira delas é muito importante: sempre procure saber qual é a fonte da notícia. Quando o site é mais conhecido as chances de ser uma fake news são menores, mas ainda assim investigue. É preciso tomar cuidado porque alguns sites falsos utilizam nomes muitos parecidos com os de sites sérios para tentar se fazer passar por eles. É importante conferir a página, se está tudo escrito certo e se aquele é o site original.
A segunda dica é: leia a matéria inteira. Às vezes as pessoas fazem títulos tendenciosos, ou pegam uma frase que está mesmo na matéria, mas que fora de contexto ganha um outro sentido. Nunca compartilhe uma notícia só pelo título ou pela imagem. Sempre leia tudo até o final para ter certeza do que ela está dizendo.
Em terceiro lugar vem a dica de procurar mais sobre o autor. Essa dica é um pouco mais complicada, porque sabemos que os sites geralmente têm vários autores que não são conhecidos. Mas quando é uma notícia muito importante, ela sempre veio de alguém também importante e capacitado.  

Origem à notícia
Verificar o autor do texto que deu origem àquela notícia muitas vezes já ajuda a saber que ela tem pouquíssimas chances de ser uma fake news.
Uma das formas seguras de identificar uma notícia falsa é fazer uma pesquisa no Google. Caso seja uma notícia falsa, não haverá quase nada sobre o assunto, e se houver provavelmente será falando coisas totalmente diferentes.
Quando a notícia é verdadeira, ela é vinculada pelos principais meios de comunicação com os mesmos detalhes, mudando apenas o contexto. Se você achou a notícia em vários sites importantes e verdadeiros, pode ficar mais tranquilo.

Procure por pistas
Outra dica simples é checar a data de toda notícia que ler. Isso porque pessoas mal-intencionadas pegam notícias velhas ou até mesmo que já foram esclarecidas e postam como se fossem coisas novas.
O assunto é tão sério que as grandes empresas e principais meios de compartilhamento de notícias já estão começando a tomar medidas para tentar evitar que as fake news se espalhem. O Facebook, já conta com um sistema para detectar publicações que são consideradas suspeitas desde o ano passado.
O WhatsApp, por ser uma das ferramentas mais perigosas, também está trabalhando para isso. Além de golpes através de falsas promoções, o aplicativo facilita a propagação de notícias, imagens e áudios falsos e tendenciosos por não oferecer nenhuma opção de fonte confiável e ser compartilhado de forma muito fácil e rápida.

Compartilhamento
Um exemplo recente disso aqui no Brasil foi o compartilhamento desenfreado de conteúdo no WhatsApp a respeito de supostas reações à vacina contra a febre amarela. Fotos, imagens e até áudios de falsos médicos foram compartilhados por milhões de pessoas com mentiras sobre efeitos adversos do medicamento, fazendo assim com que muitos deixassem de se proteger da doença.
Mas o aplicativo já está tendo um recurso testado, que vai avisar ao usuário quando alguém compartilhar um conteúdo que já foi repassado muitas vezes.
O Google é uma das principais armas para combater as fake news na internet. Além de servir como uma ferramenta para buscar mais fontes para uma notícia, a empresa está focada em se tornar cada vez mais precisa.

Enquete
Para saber se os ituveravenses verificam a veracidade de notícias, especialmente relacionadas às eleições, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. Confira: