Hábitos alimentares no Brasil serão monitorados em pesquisa

Pesquisadores vão monitorar 200 mil brasileiros pelos próximos dez anos. O objetivo é identificar características da alimentação que aumentam ou diminuem o risco de doenças crônicas.
Hoje, quase 56% dos brasileiros estão com excesso de peso, segundo o Ministério da Saúde, e isso é fator de risco para doenças.
No meio de tanta diversidade, o que está afetando a saúde dos brasileiros? Que tipo de dieta, de alimentos, devemos consumir mais ou menos? O que evitar, o que incluir? É para responder perguntas assim que um grupo de pesquisadores está começando um estudo que vai conhecer e acompanhar os hábitos alimentares no país durante dez anos.
É uma pesquisa ambiciosa, só possível por causa de uma tecnologia, o celular, e só vai ter sucesso com a ajuda de 200 mil voluntários.
“Eu preciso de um grande número de pessoas que tenham uma alimentação muito contrastante em relação seja a carne vermelha, seja em relação aos alimentos industrializados, seja em relação a um tipo de alimento especial como o peixe, por exemplo”, diz Carlos Augusto Monteiro, coordenador científico do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP (Nupens-SP).
“É dessa forma que nós vamos poder fazer os estudos que vão trazer para o Brasil a informação de que padrões de alimentação a gente deve promover no país”, ressalta.

Cadastro
Participar é simples, basta se cadastrar no site do estudo Nutrinet Brasil e gastar uns cinco minutos com o questionário. A cada três meses, os voluntários vão receber uma mensagem para responder a novas perguntas.
Cientistas de sete instituições, liderados pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP, acreditam que os primeiros resultados não devem demorar muito.
“A partir do terceiro ano do estudo, nós já vamos ter algumas análises que vão nos mostrar quais são os padrões de alimentação no Brasil que protegem as pessoas, por exemplo, do ganho de peso excessivo”, relata.
“Vamos precisar de um pouco mais de acompanhamento, certamente mais de cinco anos, para identificar os padrões de alimentação que protegem as pessoas contra doenças do coração ou contra casos de câncer. Mas, a partir do terceiro ano da pesquisa, nós já vamos começar a ter informações que vão poder orientar as políticas públicas no Brasil”, destaca.