Igrejas fazem quermesses virtuais e entregam delícias aos fiéis em casa na região de Ribeirão Preto

Pratos doces e salgados podem ser encomendados, enquanto jogos, brincadeiras e missas são realizados pelas redes sociais. Ideia tem se espalhado e bispo incentiva ações para manter isolamento

Igreja de Córrego Rico (SP) venderá o tradicional frango assado de quermesse via delivery por conta do coronavírus — Foto: Cedoc/EPTV

Para não deixar as quermesses passarem em branco, as igrejas da região de Ribeirão Preto (SP) estão se organizando para fazer as celebrações à distância por conta do coronavírus. Enquanto as comidas podem ser encomendadas e entregues a domicílio, os jogos e brincadeiras serão feitos por meio das redes sociais.

A pedagoga Anita Carvalho diz que junho é um dos meses mais esperados pela família dela, que não perde uma quermesse nas igrejas de Ribeirão Preto e, devido à quarentena, estava com receio de que fosse ser obrigada a quebrar a tradição.

Foi então que a pedagoga descobriu que a Basílica de Santo Antônio de Pádua, nos Campos Elíseos, fará uma comemoração adaptada, com entrega dos pratos juninos por delivery no próximo dia 13. A igreja enviará ainda aos fiéis um pão abençoado pelos padres.

“Fiz minha encomenda e estou vivendo a expectativa de receber esse kit. Vou poder fazer minha pequena quermesse em casa, com os meus, não correndo risco e também não oferecendo risco a ninguém. Meu coração está batendo mais forte, quando lembro que está se aproximando o dia”, diz.

Outras comunidades da cidade também farão quermesses adaptadas. É o caso da Paróquia São Francisco de Assis, no Castelo Branco, cujos pratos doces e salgados, que estão à venda na internet, custam entre R$ 4 e R$ 30.

[Correção: anteriormente, o G1 informou que a Paróquia Santa Teresinha Doutora, na Ribeirânia, também realizaria uma quermesse virtual. Essa informação foi corrigida às 10h38]

Além de entregar a comida em casa, a Paróquia São Francisco de Assis fará uma live no Instagram para reunir e divertir os fiéis, além de homenagear Santo Antônio, São João e São Pedro, de acordo com o padre Luís Gustavo Tenan Bezi.

“Faremos a nossa brincadeira com sorteios de prêmios. As cartelas podem ser adquiridas também pelo site ou na secretaria paroquial. Em casa, as pessoas poderão, através da live, participar e, quem sabe, ganhar valiosos prêmios”, adianta.

Região

A ideia tem se espalhado pela região de Ribeirão Preto. A comunidade católica de Córrego Rico, distrito de Jaboticabal (SP), já aderiu à iniciativa. A celebração à distância será no dia 23, véspera de São João Batista.

O padre Éder Soares diz que, há cerca de 100 anos, os fiéis se reúnem para a missa, cruzam as ruas em procissão e finalizam as comemorações com uma festa com direito à queima de fogos e uma grande fogueira.

“À meia-noite, temos a tradicional passagem pela fogueira, que este ano não vai acontecer por causa da aglomeração. São muitas pessoas. Reunimos em torno de cinco a sete mil pessoas na praça para participarem desse momento”, diz.

Carro-chefe da quermesse de Córrego Rico, o frango assado será entregue na casa dos fiéis. Já a missa será celebrada com a igreja de portas fechadas e transmitida ao vivo pela página da paróquia no Facebook, ainda de acordo com o padre.

Quebra de tradição

As iniciativas são aprovadas pelo arcebispo metropolitano de Ribeirão Preto, Dom Moacir Silva, que gravou e publicou um vídeo nas redes sociais para incentivar os fiéis a manterem o distanciamento social e a saírem de casa somente quando houver necessidade.

“Começou uma flexibilização e, vendo o noticiário, fiquei assustado com o número de pessoas nas ruas, nas lojas, nos shoppings. Não vamos criar aglomerações, não vamos ser cúmplices desse vírus que continua afetando as pessoas. É um ato de caridade”, disse.

O padre Paulo Henrique Martins também orienta os fiéis a ficarem em casa. Com esperança de um futuro melhor nos próximos meses, ele vê ainda na pandemia de coronavírus a chance de as pessoas evoluírem.

“O mundo todo está passando por uma transformação. Todas as vezes que a humanidade passou por uma pandemia ou pragas, sempre resultou em melhorias e revisão das medidas sanitárias”, diz.

Fonte: www.g1.globo.com