Ituveravenses contam experiência de correr na São Silvestre em São Paulo

Eles participaram da principal corrida de rua do país, no dia 31 de dezembro 

Ituverava foi representada por diversos atletas na tradicional Corrida Internacional de São Silvestre, em São Paulo. A prova de 15 km, como de costume, foi realizada no dia 31 de dezembro, como despedida do ano que termina e boas-vindas ao ano que começa.
Em sua 93ª edição, a mais famosa corrida de rua do país reuniu sob um clima chuvoso mais de 30 mil corredores inscritos, segundo os organizadores. Participaram da prova, conhecida por atrair corredores de todo mundo e não apenas profissionais, competidores ituveravenses, que mesmo sem conquistar um lugar no pódio, deram um bom exemplo de garra e superação, ao concluírem a prova com êxito. 

Luciana Morais Rego

O grupo ituveravense de corrida Born To Win, também levou seus atletas para a competição paulista, sendo um deles a artesã Luciana Morais Rego, 40, que nos descreveu a sensação de correr pelas ruas da Terra da Garoa.
A artesão Luciana Morais Rego fala sobre os motivos que a levaram participar da corrida. “O ano de 2017 foi de criação, e queríamos fechá-lo participando da corrida mais importante do Brasil. Aliás, participamos de mais de vinte corridas ao longo do ano”, destaca.
A atleta se submeteu a treinamentos mais estruturados – ideal para o formato da prova, aumentando o ritmo dos treinos, com distâncias maiores em torno de três vezes por semana, além de reforço muscular com aulas de musculação.
“Vivi uma experiência incrível, pois a prova realmente é linda, da concentração até o final, é tudo muito fantástico. A energia dos corredores e das pessoas que assistem, gritando palavras de incentivo e os pontos históricos de São Paulo que conhecemos, mesmo que por alguns segundos, tornam a corrida ainda mais atraente”, observa. 

Dificuldade
Uma das principais dificuldades que encontrei, quiçá a principal, foi justamente o fato de estar percorrendo pela primeira vez um trajeto tão longo – 15 km, rodeada por uma quantidade enorme de pessoas, e claro, os quilômetros finais de subida na tão temida Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Mas no final deu tudo certo, e mesmo exaustos, ficamos felizes e tomados por uma euforia por estar no último dia do ano, concluindo o nosso objetivo”, destaca.
Se recuperando, mas já com disposição para o próximo desafio, a artesã ainda revela planos para a próxima edição da competição. “Já iniciamos os preparativos para mais uma vez participar da São Silvestre, e com certeza estaremos lá no final do ano e dessa vez, com toda a equipe Born To Win reunida”, completa Luciana Morais Rego, 40 anos, casada com o delegado de Polícia Jucélio de Paula Silva Rego, e tem os filhos Jorge Morais Rego Neto, Maria Eduarda Morais Rego e Giovanna Morais Rego. 

Elizabeth de Ávila Holanda Oliveira 

Inspiração para o tio e figura conhecida nas corridas de rua, a Educadora Física Elizabeth de Ávila Holanda Oliveira, 31, também marcou presença em mais uma edição do evento. Na adolescência, a ituveravense apaixonou-se por corridas, o que a fez participar de uma competição regional e conquistar uma vaga para a final estadual na cidade de Tietê (SP). Desde então, não parou mais de competir.
“A energia da população paulista e das pessoas nas ruas, é sensacional e os 15 km de prova, parecem ser o percurso mais rápido do mundo, de tão ‘mara’ que é, mesmo diante de todos os contratempos, como a falta de água e a presença excessiva de ‘pipocas’ (atletas não inscritos oficialmente)”. 

Preparação
Seguindo o mesmo panorama de treinamento de 2016, a atleta se preparou para sua segunda São Silvestre, correndo religiosamente 20 km, na vicinal que liga Ituverava à Capivari aos fins de semana, e paralelamente batendo ponto na academia, para melhorar o condicionamento físico, otimizar a frequência cardíaca, exercitar e enrijecer a musculatura para encarar as subidas do percurso
“Assim que tive a confirmação que iríamos correr lado a lado em 2017, eu e meu tio, como bons educadores físicos e representantes da ‘#famíliaÁvilaFitness, iniciamos os treinos tendo a consciência que correr em família e amigos seria muito melhor”, relata.
“Indo além das expectativas, o evento foi muito organizado. A energia da torcida do Corinthians que estava em peso nos assistindo mesmo debaixo de chuva, nos fazia acreditar a cada passo, que não havia outro lugar melhor para estar, a não ser ali. E olha que não sou corintiana (risos)”.
Satisfeita após mais uma passagem bem-sucedida pela corrida paulistana, Betinha relata como foram os últimos minutos de prova. “Foi emocionante vencer a ladeira Brigadeiro, e ver pessoas que deixaram o conforto de seu lar, foram torcer e nos motivar a cruzar a linha de chegada sorrindo. Foram 15 km de muita felicidade e energia positiva, que só a São Silvestre pode proporcionar. A São Paulo e toda sua população, meus sinceros aplausos”, completa.
Elizabeth de Ávila Holanda Oliveira, 31 anos, é filha de Sanda de Ávila Holanda Oliveira e Wanderley de Oliveira, e são seus irmãos Camilla de Ávila Holanda de Oliveira e Letícia Holanda de Souza. 

Davi Edson de Ávila Holanda 

Sobre a emoção de cruzar a linha de chegada, o professor de Educação Física e fotógrafo Davi Edson de Ávila Holanda, foi enfático ao descrever a sensação como única e indescritível. “Como todos sabem, sempre fui da área de esportes, mesmo antes de me tornar um profissional, e o que me motivou a participar do evento, foi justamente o contato que tive com a São Silvestre em 2016, ao acompanhar a minha sobrinha Elizabeth Ávila”, conta.
“Naquele momento, disse a ela que na próxima corrida estaríamos juntos, e 3 meses antes da prova, esquematizei meu treinamento alternando treinos de rua e esteira. Assistindo a prova de perto no ano retrasado, foi muito emocionante e estando dentro dela, foi de arrepiar da largada até a chegada”, enfatiza Ávila. 

Desafios
O atleta também fala sobre os desafios superados durante o percurso. “A primeira dificuldade que nos deparamos, foi a numerosa quantidade de participantes que nos fez esbarrar e tropeçar algumas vezes. Depois, algumas subidas ao longo do trajeto, sendo a maior delas a temível subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, que tornaram a prova com grau de dificuldade ainda maior”, detalha o professor.
“Após correr 12 km, enfrentar 1,5 km de subida no final de prova é bem desgastante, no entanto, a emoção não tem explicação, só sabe quem viveu tudo aquilo”, completa Davi Edson de Ávila Holanda, que é casado com Daniela Gonçalves de Ávila Holanda e tem os filhos Manoela de Ávila Holanda Gonçalves e Miguel de Ávila Holanda Gonçalves. 

Desirée Emmanuelle Gomes dos Santos 

Ela que já havia participado de várias provas ao longo de 2017, só tinha mais uma meta a cumprir para fechar o ano em grande estilo, correr a São Silvestre. “Quando iniciei o ano, defini como meta fazer uma meia maratona – concluída em agosto – e disputar a São Silvestre”.
“É uma corrida muito tradicional, e faz com que qualquer corredor tenha vontade de viver a magia que existe em estar lá. O simples fato de ver todos os anos aquele mar de gente, já me motivava a querer estar lá um dia, e quando comecei a correr, coloquei como meta fechar o ano correndo os 15 km da prova”, afirma.
“Assim, comecei minha preparação em fevereiro, junto com o treinamento para a meia maratona. Participo de uma Assessoria que me deu todo respaldo necessário. Após a passagem da meia maratona, começaram os treinos específicos para a São Silvestre, que consistiam em fazer muitas subidas, por conta da famosa Avenida Brigadeiro”, conta.
“Durante a preparação tive alguns contratempos que não me deixaram treinar da maneira que deveria, entretanto, o fato de ter completado a prova sem dor, me trouxe a certeza que estou de volta às provas longas”, destaca a especialista em Direito Desportivo.
A experiente atleta amadora, ainda fala sobre a emoção de correr levada pela energia das pessoas. “A experiência e a sensação de participar dessa prova, é difícil de descrever ou colocar em palavras, mas, ainda assim nos arriscamos às vezes, para motivar outras pessoas a também terem essa meta na vida”, salienta.
“É indescritível estar em meio a Avenida Paulista, com 30 mil pessoas com o mesmo objetivo: correr a São Silvestre. Minutos antes da largada, fui surpreendida por um senhor que me perguntou: “é a sua primeira São Silvestre?”. Diante da resposta afirmativa, ele disse: “é a minha 15ª”. Aquilo me fez entender que a São Silvestre é mais que uma simples prova de corrida de rua, é também uma motivação para encerrar um ciclo e iniciar outro”, declara emocionada.
“São Paulo para, para viver aquela prova, desde o hotel (que presenteava com mimos quem iria correr) até os atendentes dos restaurantes. No dia, é indescritível a sensação de ao longo dos 15 km, ter pessoas gritando, incentivando, te dando a mão para parabenizar. Em determinado momento, brinquei, ‘existe amor em São Paulo’, e existe mesmo”, destaca em tom de bom humor. 

Bicho Papão
Acostumada a provas de menor quilometragem, Desirée também aponta a ladeira da Av. Brigadeiro Luís, como o bicho-papão da maior prova de rua da América Latina. “É a parte mais difícil do percurso, porque são quase 2 km de subida, os dois últimos. Claro que chegando lá, já sentia um desgaste pulmonar, porém foram os quilômetros que nunca passaram tão rápido”.
“A multidão que te incentiva naquele trajeto é surreal. As pessoas te puxam, te empurram, não te deixam parar. Ali está o verdadeiro sentido da São Silvestre: ajudar o seu companheiro a concluir a prova e seus objetivos, afinal falta tão pouco, descreve a atleta, que ainda deixa escapar o desejo de voltar a corrida no final deste ano.
“Planejo correr a São Silvestre esse ano novamente, e em todos os anos que me forem permitidos. Não será a mesma coisa, encerrar os próximos anos sem correr aquela prova”, completa Desirée Emmanuelle, 28 anos, é filha dos José Cláudio dos Santos e Cleuza Helena Gomes dos Santos.