Jovens têm consumido menos fibras do que o necessário

Uma recente pesquisa de mestrado da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp analisou a ingestão de fibras alimentares de 891 adolescentes, com idade que varia de 10 a 19 anos. A constatação é inquietante: o consumo dos jovens está bem abaixo da quantidade recomendada.
Além disso, 25% das fibras ingeridas são provenientes de alimentos ultraprocessados, como bolachas recheadas, refrigerantes, salgadinhos, achocolatados, pães de forma, bolos prontos, entre outros.
O estudo foi conduzido pela nutricionista Rafaela de Campos Felippe Meira e orientado pela pesquisadora Daniela de Assumpção. Os dados para a pesquisa são do Inquérito de Consumo Alimentar e Estado Nutricional (ISACamp-Nutri).
O consumo adequado de fibras alimentares é muito importante para a saúde, pois pode prevenir o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, de câncer em diversas localizações, de obesidade e diabetes. “De um modo geral, a queda no consumo de cereais, leguminosas e raízes e tubérculos a partir da década de 1970, com gradativo aumento do consumo de produtos alimentícios ultraprocessados ajuda na compreensão dos dados obtidos na pesquisa em relação à ingestão de fibras alimentares pelos jovens brasileiros”, afirma a mestre Rafaela de Campos Felippe.
A pesquisadora Daniela Assumpção concorda. “A alimentação tem piorado muito e os ultraprocessados ganham cada dia mais espaço nas mesas dos brasileiros. Isso gera danos graves para a população. Apesar da correria diária, a questão da saúde tem que fazer parte e ser uma das prioridades do dia a dia das pessoas”, diz.

Dados do estudo
Segundo dados do estudo, os adolescentes apresentaram consumo de fibras alimentares inferior à média atualmente recomendada pelo Ministério da Saúde. Da quantidade ideal de 12,5g a cada 1.000 calorias, eles ingeriram apenas 6,4g, ficando, ainda, abaixo da média nacional, de 7,6g.
“A indústria alimentícia adiciona fibras alimentares aos alimentos ultraprocessados para atuarem como estabilizantes e espessantes. No entanto, tais alimentos não podem ser considerados saudáveis. As fibras da alimentação devem ser provenientes de alimentos in natura”, diz Rafaela.
A nutricionista faz ainda um alerta. “Vale sempre lembrar que os bons hábitos começam ainda na infância e refletem na adolescência e na vida adulta. Tenho o objetivo de trabalhar a prevenção de doenças na vida adulta, mas atualmente os adolescentes já estão desenvolvendo doenças crônicas como colesterol, obesidade, diabetes logo cedo”, lembra.
“É muito importante conscientizar os adolescentes e suas famílias da importância e o incentivo no consumo de alimentos fontes de fibras alimentares, pelos familiares e na escola com programas de educação nutricional”, completa Daniela.

Alimentos do bem

Uma dieta saudável para crianças e adolescentes deve conter regularmente as fibras alimentares que presentes em alimentos como frutas, hortaliças (cruas e cozidas), leguminosas (feijão, grão de bico, lentilha, ervilha), cereais, especialmente os integrais (arroz, farelo de trigo, aveia), raízes e tubérculos (mandioca, batata-doce, batata-baroa, cenoura) e oleaginosas (castanhas).