Maio Amarelo conscientiza sobre acidentes de trânsito

Segundo o SUS, 80% das internações
por conta de acidentes estão ligados a choques envolvendo motos

Desde 2014, é promovido o Maio Amarelo, movimento mundial que surgiu para conscientizar a sociedade sobre o alto índice de mortes e feridos no trânsito, principalmente nas metrópoles. Durante o período, ações são feitas para alertar a população sobre a importância de manter uma relação de segurança e respeito no trânsito.
O fator humano é o principal causador de acidentes fatais em todo o país e no território paulista isso não é diferente. É o que lembra Ricardo Vanzetto, gerente médico do Grupo de Resgate (Grau), referência nacional em resgate médico e atendimento em catástrofes e a vítimas de acidentes.
Segundo ele, o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de estimulantes estão entre os principais responsáveis pelos acidentes com jovens do sexo masculino. “Dormir pouco, fumar demais e comer mal são combinações perigosas que colocam em risco à vida de jovens motoristas”, revela.
A embriaguez e a falta de educação no trânsito também são motivos para a grande quantidade de acidentes envolvendo ciclistas. “O número de acidentes graves continua alto porque as bicicletas precisam dividir cada vez mais espaço com os veículos. É preciso haver respeito mútuo e mais locais sinalizados e adequados aos ciclistas”, salienta Hassan Yassine Neto, médico socorrista do Grau. Mais comum que acidentes envolvendo ciclistas são fatalidades relacionadas a motociclistas. Segundo pesquisa feita pelo Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o principal motivo é a imprudência de quem dirige.
“A culpa divide-se igualmente entre motociclistas e motoristas. Há um despreparo dos condutores para direção veicular em ambiente congestionado das grandes cidades”, diz Júlia Greve, médica do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC.

Legislação

A Lei Seca é conhecida pela “Tolerância Zero”. Isso significa que não existe qualquer quantidade de bebida alcoólica aceitável pela legislação, nem mesmo uma ou duas latinhas de cerveja.
O álcool reduz os reflexos e a capacidade de reação do condutor e dirigir exige máxima atenção. E não adianta tentar “burlar” o bafômetro na hora de fazer o teste ao ser abordado em uma blitz.
A multa aplicada a quem for flagrado dirigindo alcoolizado é de R$ 2.934,70 e, se apresentar índice a partir de 0,34 miligramas de álcool por litro de ar expelido no teste, automaticamente comete crime de trânsito, mesmo que não tenha se envolvido em acidente. Além disso, o condutor multado por alcoolemia neste fim de ano tem a CNH suspensa pelo período de 12 meses.

Acidentes envolvendo motos são maior parte no Estado

Acidente entre carro e moto

O impacto dos acidentes de trânsito na saúde pública cresce anualmente, de acordo com especialistas. Desde 2013, houve aumento de 15,8% no número de internações em hospitais do SUS no Estado, decorrentes de ocorrências com carros e, sobretudo motocicletas, que lideram as estatísticas.
Segundo os dados, 80% das internações estão ligados a acidentes com motos. É o que mostra o balanço feito pela Secretaria de Estado da Saúde para o Maio Amarelo, movimento que busca conscientizar a população sobre responsabilidade e segurança no trânsito.
Em 2018, foram realizadas 26.229 internações de pessoas envolvidas em acidentes. Do total, 22.581 (86%) eram motociclistas, enquanto as outras 3.818 envolveram carros. Em 2013, ocorreram 22.644 internações, das quais 18.608 (85%) relacionadas a motocicletas e 4.036 a veículos.
Considerando os acidentes com ambos os tipos de veículos, as vítimas são predominantemente na faixa etária de 20 a 59 anos, em ambos os sexos. Os homens são as vítimas mais frequentes: nos últimos seis anos, cerca de 80% dos acidentados eram do sexo masculino, com uma média de 20 mil internações por ano, dos quais aproximadamente 17 mil casos relacionados a motos. Observa-se diminuição no número de internações relacionadas a acidentes de carro. No ano passado, foram 3.648 atendimentos desse tipo, uma queda de 9,6% em relação a 2013, quando ocorreram 4.036 internações.
Embora também predominem as vítimas do sexo masculino, as mulheres responderam por um terço dos acidentados internados em hospitais públicos por esse motivo. Tradicionalmente, os principais motivos dos acidentes de trânsito estão relacionados ao desrespeito às leis, abrangendo excesso de velocidade, ingestão de álcool, direção perigosa e uso de celular.
“A imprudência ao dirigir são as maiores causas dos acidentes nos últimos anos. O excesso de velocidade misturado com o consumo de álcool e uso de celular no volante ainda acontecem com frequência e é necessário a conscientização do motorista para poder evitar esses graves acidentes”, revela Cecília Damasceno, coordenadora do Grupo de Resgate.

Equipe

O acionamento das equipes é feito pelo telefone 193, Central de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom), com encaminhamento dos casos com suporte pré-hospitalar para o direcionamento aos serviços de referência para cada tipo de atendimento.
O Grau integra o Sistema de Resgate, ligado às secretarias de Estado da Saúde e de Segurança Pública, com o Corpo de Bombeiros e o Grupamento de Radiopatrulha Aérea, que contam com cerca de 450 viaturas e 23 aeronaves. Anualmente, as equipes realizam cerca de 230 mil atendimentos em todo o Estado.

Meios alternativos de transporte também necessitam de proteção

A campanha Maio Amarelo, que promove a conscientização da população em busca da diminuição de acidentes de trânsito, tem reforços para este ano. O avanço da mobilidade urbana alternativa (bicicleta e patinetes) é inquestionável, mas também é um desafio porque, consequentemente, as chances de um acidente aumentam já que nem sempre é possível utilizar a proteção mais adequada. Por isso, saber como prestar socorro a esse tipo de vítima é muito importante.
“Infelizmente, é raro vermos pessoas de bicicleta e patinete que usam acessórios de segurança como o capacete, mas esses são itens de extrema importância para esse tipo de transporte”, afirma o Dr. Renato Poggetti, cirurgião e coordenador do Centro de Trauma do Hospital 9 de Julho.
“Com estes meios de transporte, há maior chance de colisão na cabeça, dependendo da força da batida pode chegar a um traumatismo craniano, leve ou até mais grave”, comenta.
Ainda não existem estudos no Brasil sobre o comportamento dos adeptos desse tipo de transporte, mas recentemente o JAMA Network Open, periódico científico americano, publicou um artigo com dados de um levantamento realizado em alguns hospitais da Carolina do Sul (EUA) e constatou que, dos casos analisados, 40% dos pacientes sofreram traumatismos na cabeça e que apenas 4,4% dos acidentados usavam capacete.
“Em casos de acidentes, o mais importante é que o socorro seja prestado o mais rápido possível para aumentar as chances de sobrevivência e diminuir os riscos de possíveis sequelas”, explica o médico.
Saber o que fazer
É preciso, porém, saber o que pode ser feito para não agravar o caso. Por isso, o Dr. Poggetti relaciona dicas do que fazer em caso de acidente.
O primeiro passo, segundo ele, é manter a calma, apesar da situação delicada. Também é importante sinalizar a região do acidente para evitar novas colisões e identificar se a vítima está com alguma parte do corpo presa, ou se há um produto tóxico no local.