Médico ituveravense realiza primeira angioplastia robótica do hemisfério sul

Dr. José Mariani Júnior atua na cidade de São Paulo, como cardiologista intervencionista

Ao longo de sua história, Ituverava tem revelado um número significativo de pessoas que são destaque em suas áreas de atuação, não só por serem bons profissionais, mas, sobretudo, por serem cidadãos exemplares. É o caso do cardiologista Dr. José Mariani Júnior. Ele realizou o primeiro procedimento de angioplastia coronária robótica do hemisfério sul.
Dr. José Mariani formou-se pela XIX Turma da Faculdade de Medicina de Catanduva, em dezembro de 1993, iniciou residência de Clínica Médica na Santa Casa de São Paulo e residência de Cardiologia Clínica pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP) e depois de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista nesta mesma instituição.
Em 2018, terminou a pós-graduação e obteve o título de Doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP”, ressalta.
Hoje ele atua na cidade de São Paulo, como cardiologista intervencionista. “Sou coordenador do Serviço de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista da Santa Casa de São Paulo; cardiologista intervencionista sênior do Serviço de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista do InCor-HCFMUSP e do Centro de Intervenções Cardíacas Complexas do Hospital Israelita Albert Einstein”, explica.
“Dentro desta especialidade, meu foco principal é no Tratamento de Coronariopatias Complexas, Métodos de Imagem Intracoronária, Tratamento Percutâneo de Cardiopatias Estruturais do adulto e, mais recentemente, em Angioplastia Robótica”, destaca.

Sistema robótico
Ele fala sobre como surgiu a ideia da angioplastia coronária robótica no Brasil. “Este fato bastante marcante ocorreu há cerca de 2 anos, quando nossa equipe trouxe a ideia para o Hospital Israelita Albert Einstein de um sistema robótico para realização de angioplastia coronária, em fase inicial de utilização comercial nos Estados Unidos naquele momento. Angioplastia é uma das modalidades de tratamento das obstruções das artérias do coração, as artérias coronárias, através de sua dilatação e implante de pequenas próteses intravasculares para mantê-las abertas, os stents”, explica.
Segundo o médico, este sistema robótico, da empresa Corindus Robotics, denominado CorPath GRX, é constituído por duas subunidades: uma que é o braço robótico e fica posicionado ao lado da mesa onde fica o paciente e um console. “O braço robótico é controlado à distância (distância máxima de 30 metros) pelo médico, que fica diante de um console que contém os controles e joysticks deste sistema operacional”, diz.
Precisão “Assim, além do médico fazer o procedimento confortavelmente sentado (e não mais em pé com uma avental de chumbo de 4,5 Kg para protegê-lo da radiação emitida pelo aparelho de cateterismo), este sistema é dotado de algoritmos de Inteligência Artificial e Machine Learning que tornam o procedimento muito mais preciso (precisão submilimétrica), seguro e rápido, permitindo também não só a utilização de menor quantidade de contraste, como também, em um futuro muito breve, a realização deste tipo de procedimento a longas distâncias, com o paciente em uma sala de cateterismo onde estiver o braço robótico, e o médico controlando o robô através da manipulação do console em outro hospital ou até mesmo em outra cidade, dando início à era da intervenção à distância ou tele-intervenção”, enfatiza.

Benefícios

Ainda segundo ele, o procedimento permite ainda redução na dose de radiação para o paciente na ordem de cerca de 20%; para os enfermeiros na ordem de 50% e para os médicos na ordem de 95%.
“Atualmente, são 64 sistemas robóticos para este tipo de procedimento em todo o mundo, todos no Hemisfério Norte, sendo 55 apenas nos Estados Unidos. No mês passado mês, nossa equipe teve privilégio de realizar a primeira angioplastia robótica do Hemisfério Sul aqui no Hospital Albert Einstein, que passa a integrar este dispositivo em seu parque de equipamentos”, conta.
“Estamos trabalhando e nos preparando para, em breve, realizarmos também a primeira tele-intervenção deste Hemisfério, que foi realizada apenas uma vez, em 2018, na Índia”, completa o médico.

Médico fala sobre relação com a sua terra natal

Nascido em Ituverava em 1970, ele é filho do médico Dr. José Mariani e da assistente social Elisete Capi Mariani (ambos falecidos) e são seus irmão de Alexandre Capi Mariani e Renata Capi Mariani. Ele é casado com Adriana Murad Barison Mariani e tem quatro filhos: Gabriela e Frederico, gêmeos com 14 anos, e Carolina e Felipe, gêmeos com 7 anos.
Em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava, ele, que hoje reside em São Paulo, fala sobre sua trajetória profissional. “Estudei na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus ‘Capitão Antônio Justino Falleiros’ e depois no COC.
Ele também fala sobre sua ligação com Ituverava. “Para mim, Ituverava sempre foi a minha casa. Era para onde eu vinha e encontrava minha família, meus pais e meus grandes e eternos amigos. Sinto, portanto, muitas saudades de todos, em especial de meus pais, que tanto me ensinaram, me apoiaram e estimularam a seguir está difícil carreira”, diz.

Amigos
“Apesar de infelizmente ir muito pouco para Ituverava, tenho sempre recebido notícias de queridos amigos que guardamos em nossos corações e orações”, destaca.
O médico também afirma estar muito impressionado com a evolução e o crescimento da medicina em Ituverava. “Os hospitais, amigos e colegas especializaram-se muito rapidamente e tornaram a cidade um polo regional em atendimento médico-hospitalar, o que não poderia ser diferente pela qualidade dos profissionais que aí atuaram a ainda atuam”, enfatiza o médico.

Tribuna de Ituverava

O médico Dr. José Mariani Júnior parabeniza o jornal pelo aniversário de 70 anos de fundação. “Parabenizo a Tribuna de Ituverava pelos seus 70 anos de circulação ininterrupta. Muito me honra e me orgulha ser entrevistado em uma data tão especial por um jornal da minha cidade, que certamente é um dos mais antigos do Estado”, completa.