Médicos podem optar entre dois procedimentos na cirurgia de Bolsonaro nesta segunda-feira

O presidente Jair Bolsonaro começou a ser operado na manhã desta segunda-feira (28) no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Agora, quatro meses depois, a bolsa de colostomia será retirada. A assessoria de imprensa da Presidência da República informou que o procedimento começou às 6h30.

Os médicos devem religar o intestino de Bolsonaro. Para isso, será preciso abrir o abdômen do presidente pela terceira vez. Essa cirurgia é considerada mais simples do que as anteriores porque, agora, não há emergência. O quadro é estável e o estado de saúde do presidente é bom.

Dois procedimentos podem ser usados.

Uma opção é unir as duas pontas do intestino grosso. A fixação pode ser feita com sutura – agulha e linha cirúrgicas – ou com um grampeador cirúrgico.

Mas, se o cirurgião avaliar que a parte do intestino grosso ligada à bolsa foi muito afetada pelas operações anteriores e pela colostomia, ele pode decidir retirar esse pedaço – que mede de 15 a 20 centímetros.

Nesse caso, a ponta que está isolada será diretamente ligada ao intestino delgado, que têm mais irrigação sanguínea do que o intestino grosso. Quanto mais sangue circulando, mais fácil e rápida é a cicatrização.

Esse segundo procedimento é o mais provável, porque ajuda a prevenir complicações futuras.

Jair Bolsonaro sofreu um atentado, no dia 6 de setembro, quando fazia campanha no centro Juiz de Fora. Ele levou uma facada na barriga. A expressão de dor anunciava a gravidade do ferimento.

Bolsonaro foi levado de carro para a Santa Casa de Misericórdia. O trajeto levou dez minutos. A rapidez para chegar ao hospital foi fundamental para salvar a vida do então candidato. Os médicos fizeram uma primeira avaliação e descobriram uma grande hemorragia interna.

No momento da facada, a lâmina – que media vinte centímetros – atingiu ramos da artéria e da veia mesentéricas. Bolsonaro perdeu muito sangue, que se espalhou entre os órgãos e ficou contido no abdômen

A pressão sanguínea de Bolsonaro caiu a níveis muito perigosos e ele teve que ser estabilizado. Recebeu quatro bolsas de sangue.

Os médicos abriram o abdômen em uma cirurgia de emergência. Eles descobriram que a faca provocou três perfurações no intestino delgado. Elas foram limpas e fechadas.

No intestino grosso, o dano foi maior. A lâmina atravessou de um lado ao outro e provocou vazamento de fezes. Foi preciso limpar todo o abdômen e retirar a parte atingida, que media dez centímetros. Uma extremidade do intestino grosso foi isolada. A outra foi ligada à bolsa de colostomia, que Bolsonaro usa desde então.

Segunda cirurgia

No dia seguinte, ele foi transferido para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. E, cinco dias depois, precisou passar por mais uma cirurgia.

Um bloqueio em uma das alças do intestino delgado impediu a passagem do suco entérico, que vem do estômago. O líquido começou a se acumular e a pressionar o intestino delgado de dentro para fora, até romper os pontos de um dos cortes. Uma pequena quantidade do suco entérico vazou.

O cirurgião conseguiu desbloquear a alça do intestino e liberar a passagem do líquido para normalizar o fluxo. Refez os pontos e limpou o local novamente.

Os outros cortes também foram checados e as suturas estavam em ordem. Bolsonaro teve alta no dia 29 de setembro, 23 dias depois do atentado.

Fonte: www.g1.globo.com