Mercearia vai fechar depois de frequentes assaltos

Mercearia Bom Jesus Olício Boneti funciona desde 1976 e foi assaltada 11 vezes nos últimos anos

Os proprietários Olício Boneti e esposa Lúcia Mantovani Boneti, em frente à mercearia

O aumento na criminalidade tem causado diversas consequências negativas, como prejuízo financeiro e constante sensação de insegurança. Os crimes frequentes fizeram até mesmo o comerciante Olício Boneti fechar seu estabelecimento, a Mercearia Bom Jesus Olício Boneti, que funciona há mais de 30 anos na cidade. O comerciante fala sobre os motivos que o levou a tomar esta decisão. “Depois de ter sido assaltado 11 vezes nos últimos anos, somente nos últimos 15 dias foram dois assaltos”.
“Em meio a todos esses assaltos, decidi fechar a mercearia, pois não tem como trabalhar sossegado nessa situação. Os criminosos sempre nos pegam desprevenidos e chegam anunciando o assalto, já colocando o revólver em nossa cabeça”, desabafa o comerciante.
“Agora penso em alugar o prédio para que no local funcione uma padaria ou um açougue”. No entanto, diante dos assaltos, ele não cogita a possibilidade de alugar o prédio para que funcione um bar ou uma mercearia no local. A situação preocupa e, ao mesmo tempo, entristece a população, que assiste a uma empresa tradicional sendo forçada a fechar as portas devido à violência.

Clientes e amigos
Ao longo desses mais de 30 anos, Olício Boneti conta que, mais do que uma clientela, ele fez verdadeiros amigos na mercearia, que está localizada à Rua Floriano Peixoto n° 619, próxima à loja Porta Aberta, funcionando das 7h às 19h, com venda de alimentos, bebidas e doces.
“Sempre tive uma clientela muito boa. Fiz muitos amigos e tenho vários fregueses que sempre me acompanharam, como os amigos da Retífica Modelo, dentre outros”, completa o comerciante, que está muito chateado por ter que interromper suas atividades profissionais por conta do aumento da violência.
Olício Boneti, 83 anos, é casado com Lúcia Mantovani Boneti, tem a filha Marta Aparecida Boneti Guerra e três netos: Igor Guilherme Boneti Guerra, Felipe Guilherme Boneti Guerra e Isabela Maria Boneti Guerra.

Clientes

“Eu e amigos frequentamos a mercearia por ser um ambiente de respeito, confortável e familiar. O senhor Olício é tranquilo, não gosta de som alto e respeitado por todos. Com os assaltos frequentes, ficou perigoso para e ele e sua família. A mercearia fará muita falta, pois é um ótimo lugar para reunir os amigos, entre eles o Devair Pereira”.
Marlon César de Lucca, 37 anos

“Ficamos muito tristes com a notícia do fechamento de um dos estabelecimentos mais tradicionais da cidade. É o caso do bar e Mercearia Bom Jesus Olício Boneti, que há trinta anos serve as donas de casas naquela área da cidade e que, nos finais de semana se torna um verdadeiro senado, onde ideias são lançadas e debatidas, conversas sempre regadas com cervejas geladinhas, consumidas com prazer pelos frequentadores que, na maioria, trabalharam duro ao longo da semana”.
“Ali se reúnem médicos, enfermeiros engenheiros, mecânicos, pedreiros, enfim, todos que são aceitos e respeitados nos debates. É lógico que tudo isso só é possível devido a quem está atrás do balcão, sempre uma figura séria e respeitada, os proprietários Olício Boneti e a sus esposa dona Lúcia, que por trinta anos estiveram à frente da mercearia, sempre nos proporcionando muito carinho e alegria. Boa sorte Olício Bonete e família na nova fase da vida. Obrigado por tudo que nos proporcionou”.
Luiz Caros Rodrigues (“Busa”)

“O senhor Olício é uma pessoa muito respeitosa com os clientes, honesto, um lugar muito agradável, confortável e com limpeza impecável. O bate papo com os amigos fica mais prazeroso debaixo de uma sombra boa, que tem no bar, tudo com preço justo. A mercearia do sr. Olício Boneti deixará saudade”.
Mauro Antônio de Lucca, 55 anos, proprietário da retifica Modelo

“Frequento a mercearia desde quando mudei para Ituverava, há 20 anos. O senhor Olício é uma pessoa sensacional muito amiga, a clientela dele o considera um verdadeiro amigo. Se ele abrir um outro estabelecimento em qualquer outro lugar, com certeza, nós estaremos com ele, pois é uma pessoa que merece toda nossa consideração, tanto ele como sua esposa dona Lúcia”.
José Renato Buck, 63 anos.