Multas pelo uso de celular cresce de 663% no Natal

Números foram levantados pela Polícia Rodoviária em estradas federais do Estado de São Paulo

Dirigir falando ao celular foi o tipo de infração que mais cresceu no ano passado

Levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que as multas para quem dirige falando ou manuseando o celular aumentaram 663% no último Natal em relação ao mesmo período do ano d 2017 nas estradas federais do Estado de São Paulo. Foram 84 casos neste ano, contra 11 em 2017.
Este tipo de infração foi o que mais cresceu no ano passado. Ao todo, a PRF registrou 4.709 infrações no feriado de Natal em São Paulo. A maior parte delas foi provocada por motoristas dirigindo acima da velocidade permitida.
O índice dos detidos por dirigirem embriagados aumentou 600%. Transportar crianças sem a cadeirinha também teve crescimento alto nas estradas federias do estado, de 483,3%.
Já os casos de motoristas sem cinto de segurança aumentaram 215,2%, enquanto as infrações dos passageiros que não usaram cinto de segurança aumentaram ainda mais, 360,7%.
Por outro lado, há índices que melhoraram, como o número de mortes, que caiu 33,3%. O número de acidentes graves também diminuiu: ano passado foram 104 acidentes e este ano, 89, o que representa queda de 14,4%.

Legislação

Segundo o Detran de São Paulo, o celular só pode ser usado pelo condutor quando o carro estiver estacionado. Ou seja, nem mesmo durante a parada no semáforo vermelho o uso é permitido.
Na prática, no entanto, a situação é bem diferente. Mesmo em Ituverava a cena é comum. Para confirmar o fato, basta observar por em algum ponto de fluxo de veículos, como a Avenida Dr. Soares de Oliveira.
Com apenas alguns minutos de observação é possível notar motoristas utilizando o celular enquanto dirigem. Esse gesto coloca em risco a segurança não apenas de quem está dirigindo, mas de outros motoristas, cíclistas e pedestres.

Uso de celular ao volante mata mais de 50 mil pessoas por ano     

Levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego aponta que o uso de aparelhos celulares é a terceira maior causa de acidentes no trânsito, atrás somente de embriaguez ao volante e excesso de velocidade. Ao todo, são cerca de 150 mortes por dia e quase 54 mil por ano no país.
Segundo o Denatran, o número de multas para motoristas que usam celular ao volante foi de 268,3 mil no primeiro semestre de 2018, 167% a mais em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os números do segundo semestre ainda não foram divulgados.
Uma pesquisa do Cesvi Brasil indica que, em média, o condutor fica quase três segundos sem olhar para a via quando usa o aparelho. Parece pouco, mas esse tempo é suficiente para causar acidentes graves, pois os motoristas não percebem a mudança repentina dos semáforos, freada mais brusca do carro à frente ou até mesmo invadem a faixa ao lado.
Desde 2016, o CTB passou de média a gravíssima as infrações por uso de celulares. Com isso, o condutor recebe 7 pontos na CNH e paga multa de R$ 293,47. As leis mais severas até ajudam, mas alguns órgãos como o Denatran acreditam que investir na educação dos motoristas pode gerar mais conscientização e ajudar a reduzir o número de infrações.

Falta de atenção

Roberta Torres, porta-voz do Grupo Tecnowise e especialista em segurança e saúde no trânsito afirma que a falta de atenção é sem dúvida uma das principais causas das colisões e atropelamentos.
“E se considerarmos a faixa etária que tem o maior envolvimento que é entre 18 e 34 anos, então, podemos dizer que os jovens estão entre os que mais utilizam o celular enquanto dirigem”, afirma.
Ainda segundo ela, são várias ferramentas pedagógicas que auxiliam os professores na formação dos condutores novatos e daqueles que precisam de atualização.
“Além do simulador de direção, existem Softwares de apoio pedagógico na sala de aula, ferramentas de Realidade Virtual que podem levar o aluno para dentro do motor de um carro para que ele compreenda a importância da manutenção preventiva”, lembra.
“As próprias Redes Sociais e os Aplicativos por onde você consegue interagir com os alunos e desenvolver um processo educativo”, ressalta.

Especialista diz que simuladores conscientizam novos motoristas  

A porta-voz do Grupo Tecnowise e especialista em segurança e saúde no trânsito, também defende que simuladores estimulam conscientização de motoristas sobre fatores de risco no trânsito.
“O objetivo principal do simulador de direção é possibilitar a condução reproduzindo a sensação de conduzir um veículo, porém, com a vantagem de se ter o controle das variáveis do estudo sem colocar os usuários em risco. O instrutor poderá, por exemplo, reproduzir um período chuvoso, com neblina, com excesso de veículos ou pedestres, dentre outros”, destaca Roberta Torres.
“Na prática isso funciona muito bem. Inclusive vários estudos estão sendo desenvolvidos aqui no Brasil demonstrando uma melhoria no índice de aprovação e na taxa de sucesso nos primeiros exames”, diz.
Ela ainda defende que para haver uma mudança no comportamento do motorista é preciso investir em três frentes: educação, engenharia e fiscalização. “Especificamente na área da educação, é importante que tenhamos o tema sendo debatido dentro das escolas de maneira transversal. Precisamos melhorar a formação dos condutores e o simulador é um elemento importante para isso e investir também em campanhas educativas permanentes”, relata.

Dispersão

Por fim, Roberta lembra que a dispersão é um dos principais motivos de acidentes e atropelamentos, e que é justamente o uso de celular no trânsito que potencializa esses acontecimentos.
“Imagine que você esteja dirigindo a uma velocidade de 50 km/h e toca uma mensagem do WhatsApp. Então você pega o celular para ver quem te mandou a mensagem. Só de pegar o celular e olhar, você vai gastar em torno de uns 3 segundos”, diz.
“A essa velocidade, o carro vai percorrer 42 metros sem você enxergar o que está acontecendo à sua frente. Praticamente cego. Só a título de comparação isso dá quase meio campo de futebol no padrão Fifa. É muita coisa”, completa a especialista.