Nova pesquisa aponta riscos do consumo de fast food por jovens

A rotina dos jovens universitários é corrida e o tempo, quase sempre escasso. Eles ainda precisam encontrar espaço para preparar e comer as refeições. Por conta disso, não é raro ver os jovens sucumbirem às opções saborosas e acessíveis, como fast foods e comidas processadas.
No entanto, além do alto teor de gordura e sódio, essas opções trazem efeitos ainda mais indesejáveis. Uma pesquisa da Universidade Harvard mostrou que o consumo desses alimentos prejudica a fertilidade masculina.
O trabalho revelou, pela primeira vez, o impacto da nutrição nas dificuldades de se tornar pai. Quase 3 mil homens dinamarqueses participaram do processo, divididos entre quatro padrões de alimentação: o chamado ocidental, rico em carnes vermelhas e processadas, além de açúcares e gorduras, como fast food; o prudente, com preferência por carnes brancas, frutos do mar, legumes, frutas e alimentos antioxidantes; o “smorrebrod”, baseado em um consumo ligeiramente mais saudável do que o ocidental, mas ainda rico em laticínios e condimentos; e, por fim, uma dieta vegetariana. O estudo concluiu que a dieta prudente foi a mais benéfica para os homens, seguida pela vegetariana e smorrebrod. A ocidental produziu os piores resultados. Os pesquisadores também mostraram que as células produtoras de espermatozoides foram esgotadas nos homens jovens que consumiram junk food com frequência.
Acredita-se que não é possível recuperar estas células mortas pelo estresse oxidativo, o que tem implicações para a quantidade de espermatozoides que podem produzir a qualquer momento.
Apresentação
A pesquisa foi apresentada na conferência anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE, na sigla em inglês), em Viena, na Áustria. Maria Cecília Erthal, diretora-médica da Clínica Vida – Centro de Fertilidade, que esteve presente no evento, destaca que a comunidade científica tem se debruçado sobre os impactos na fertilidade humana.
A perspectiva comportamental introduziu novas hipóteses para as mudanças nas taxas de fertilidade, antes atribuídas à pílula anticoncepcional e à entrada das mulheres no mercado de trabalho.
“Cada vez mais a gente tenta vincular o comportamento do ser humano com as mudanças da fertilidade. Percebemos que houve mudanças nas taxas de gravidez vinculadas tanto à fertilidade masculina, quanto feminina”, afirma Maria Cecília.
“É um estudo muito robusto, dá muita credibilidade. Quando a questão da fertilidade chamou atenção da pesquisa científica, vinculávamos às alterações das mulheres. Com o tempo, fomos percebendo que todos os homens também sofrem efeitos, embora mais tardiamente e não com tanta intensidade”, ressalta.

Bactérias ruins

Ainda segundo a médica, os resultados do estudo estão muito relacionados aos probióticos. O consumo intenso de fast foods, carboidratos e açúcares, no entanto, estimula o crescimento de bactérias que fazem mal ao nosso organismo na nossa flora intestinal, gerando uma reação inflamatória que prejudica as células produtoras de espermatozoides, no caso dos homens, e os óvulos, entre as mulheres. “Uma saída é a alimentação saudável com fontes antioxidantes, com selênio, zinco, magnésio, vitamina A e vitamina C, nas frutas, verduras, legumes ou ômega 3 suplementar. São substâncias que encontramos em alimentos no nosso dia a dia. É importante para contrabalancear”, completa Maria Cecília.