Novo modelo da prova do Enem entra em vigor a partir de 2021

O Ministério da Educação (MEC) anunciou, na última semana, um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com previsão para vigorar a partir de 2021.
A prova que serve de ingresso para o Ensino Superior passará a cobrar, no primeiro dia, os conteúdos gerais básicos, previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ainda em construção no Conselho Nacional de Educação (CNE).
No segundo dia, o candidato fará um exame de assuntos específicos, conforme a área que ele optar vinculada à graduação que pretende cursar. O formato atual prevê uma mesma avaliação para todos os participantes.
A mudança é um reflexo da reforma do Ensino Médio, aprovada no governo Temer, que definiu cinco itinerários formativos para ocupar 40% da carga horária dessa etapa escolar: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional. A ideia de flexibilização, portanto, deve chegar ao Enem, com o candidato optando pela área da prova específica.
Os campos de conhecimento que estarão disponíveis aos participantes do exame acompanharão o formato dos itinerários, mas ainda não existe um desenho definitivo.

Continuidade
O ministro da Educação, Rossieli Soares, afirmou que caberá ao governo Bolsonaro dar continuidade às mudanças. “Aquilo que é norma deve ser cumprido, como são as diretrizes a partir de hoje homologadas pelo ministro da Educação. Já a construção da métrica da avaliação, a construção real do Enem, vai ficar muito a cargo do novo governo logicamente”, afirma.
Rossieli fez o anúncio ao homologar as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. As mudanças no Enem dependem ainda da aprovação da aprovação da Base Nacional Comum Curricular, cujo texto está no CNE. Os conselheiros pretendem aprovar este ano a redação da Base para que o ministro da Educação possa homologá-la.
“Aguardamos a comissão (do próprio CNE que cuida do tema) entregar o texto em plenário para que possa haver a discussão”, disse Luiz Curi, presidente do CNE.

Modelo parecido com o da UERJ
Segundo Fellipe Rossi, vice-diretor acadêmico do Colégio de A a Z, embora ainda não haja detalhes sobre como será a prova, a proposta se aproxima dos vestibulares que eram aplicados por muitas instituições antes da implementação do Novo Enem, em 2009.
“Hoje, preparamos todos os alunos da mesma forma, porque há uma prova única. Mas havendo essa mudança, teremos que ajustar. Precisamos de uma definição maior do que será a prova para estabelecer essas mudanças”, afirma Rossi.
Para Rossi, o modelo de preparação provavelmente seguirá o que já é feito para provas como a UERJ, que atualmente tem um exame de qualificação que aborda conteúdos básicos e outra prova específica, com conhecimentos mais aprofundados em cada área.
A pesquisadora Ingrid Pinheiro, especialista pela UFMG no Enem, afirma que a mudança é prevista, mas receia de impactos em pontos positivos.
“Dois pontos positivos do Enem devem ser pensados nessa mudança: a questão da cobrança de habilidades e a nacionalização da prova. A primeira deve continuar a salvo de alguma grande mudança com o novo governo. Mas, a segunda é um ponto positivo que recebe muita pressão. Hoje temos universidades com mais pluralidade regional, mas isso é muito criticado por estudantes que acreditam que as vagas deveriam ficar restritas a sua região”, ressalta.
As diretrizes curriculares homologadas pelo ministro preveem oferta de ao menos dois itinerários formativos em cada município para os alunos do Ensino Médio. Eles podem cursar mais de um, se quiserem. A capacidade de as redes escolares ofertarem essa parte flexível prevista na reforma é uma das principais preocupações de educadores.

Parcerias
As diretrizes abriram a possibilidade de sistemas de ensino firmarem parcerias com instituições educacionais para ofertar conteúdos via educação a distância. Basta, segundo as normas homologadas, que a instituição seja reconhecida pelas Secretarias Estaduais de Educação e pelo Conselho Estadual de Educação.
Ficou permitido uso de educação à distância em até 20% do Ensino Médio diurno, 30% do noturno e 80% do Ensino de Jovens e Adultos, conforme noticiado quando o CNE aprovou o texto.
Rafael Lucchesi, diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e conselheiro do CNE, defende as parcerias e o ensino à distância afirmando que as diretrizes estabelecem que haja acompanhamento e coordenação de docentes na parte não presencial. Ele diz que existem empresas privadas e órgãos públicos com competência para atuarem e ataca o “preconceito” com novas tecnologias. “Pode ser uma empresa ou um portal público, não necessariamente uma é boa e outra é ruim”, defende.
O ministro da Educação destacou, também, o caráter “opcional” da educação à distância, que já causaram grande polêmica ao longo das discussões das diretrizes no CNE.
“Educação à distância é opcional. A rede fará ou não fará de acordo com seus interesses”, completa Rossieli.