Número de abusos de crianças e adolescentes cresce

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é neste sábado

No ano passado, foram recebidas mais de 36 mil denúncias sobre abuso sexual de crianças

Este sábado, 18 de maio, é marcado por ser o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Dados do Disque 100 apontam que, apenas no ano passado, foram recebidas mais de 36 mil denúncias desse tipo de crime, número quase duas vezes maior que o de 2017, quando foram cerca de 20 mil.
O agravante é que a maioria desses crimes não são denunciados, especialmente porque muitos casos são cometidos pelos próprios familiares, incluindo, sobretudo, pais e padrastos. Motivo pelo qual, as estatísticas não condizem com a terrível realidade.
No Brasil, a prevenção e o enfrentamento desse grave problema demandam a articulação de ações intersetoriais com o objetivo de proteger as vítimas e responsabilizar os agressores, bem como conscientizar a população sobre formas de identificar e denunciar os casos suspeitos.
A violência sexual pode ocorrer de diversas formas, entre elas: o abuso sexual e a exploração sexual. O abuso acontece quando a criança ou adolescente é usado para satisfação sexual de uma pessoa mais velha. Já a exploração sexual envolve uma relação de mercantilização, onde o sexo é fruto de uma troca, seja financeira, de favores ou presentes.

Vítima

A escolha da data é em memória do “Caso Araceli”, um crime que chocou o país na época. Araceli Crespo era uma menina de apenas 8 anos de idade, que foi violada e violentamente assassinada em 18 de maio de 1973. Este crime, apesar de hediondo, ainda segue impune.
O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído oficialmente no país através da lei nº 9.970, de 17 de maio de 2000. Normalmente, nesta data, são promovidas diversas atividades, sejam nas escolas ou espaços sociais, como por exemplo, palestras e oficinas temáticas sobre a prevenção contra a violência sexual.
No Brasil, o Disque 100 é um serviço gratuito disponibilizado pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República que registra denúncias anônimas de jovens que se sintam ameaçados ou que sofreram qualquer tipo de abuso ou exploração sexual.

Revista alerta que problema é recorrente em todo o mundo

A vulnerabilidade das crianças e dos adolescentes ao abuso sexual é uma “ameaça universal”, segundo um relatório publicado recentemente pelo setor de pesquisas da revista britânica The Economist:
“Ele ocorre na maior parte das vezes nas sombras, mas a violência sexual contra crianças está acontecendo em todo lugar, independente do status econômico do país ou de seus cidadãos”, diz o documento.
Analisando dados quantitativos e qualitativos de 40 países, o “Out of the Shadows Index” (em português, Índice Fora das Sombras), apoiado pelas fundações World Childhood Foundation e Oak Foundation mostra que os dez países melhor colocados em um ranking de combate ao abuso sexual infantil e exploração, segundo a metodologia do relatório estão entre os mais ricos do mundo. No entanto, apenas três deles (Reino Unido, Suécia e Canadá) têm uma pontuação acima de 75, em uma escala que chega a 100 pontos.

Países avaliados
Dos 40 países avaliados, o Brasil está em 11º colocação, com 62,4 pontos. Nesta pontuação geral, ele está acima da média do grupo: 55,4 pontos. O documento destaca o aparato legal do país na proteção às crianças, assim como o engajamento do setor privado, da sociedade civil e da mídia no tema. A título de comparação, o Reino Unido, melhor colocado, aparece com 82,7 pontos; já na lanterna está o Paquistão, com 28,3 pontos. Os países avaliados contêm 70% da população global de crianças (na maior parte dos dados utilizados, pessoas com até 18 anos). Já a pontuação é composta por 34 indicadores e 132 subindicadores.
Mas, diferente da riqueza de um país ou de sua população, há uma correlação que se sustenta e é destacada pelo relatório: quanto melhor a pontuação de um país no Índice de Democracia da Economist, maior a probabilidade de que as crianças sejam mais protegidas.

Formas de violência

O relatório considera diversas formas de violência sexual de menores, que configuram abusos e exploração. Isto inclui exposição a imagens e linguagem sexuais, casamento infantil, exploração sexual de crianças e estupros, entre outros. Historicamente, quando as vítimas são menores, isto é encoberto por omissões, tabus e pelo fato de a maior parte destes abusos serem cometidos dentro da própria comunidade e por pessoas conhecidas das crianças.

Ituverava já registrou 7 casos de abuso somente em 2019

Conselho Tutelar de Ituverava

No município, os casos de abuso sexual de crianças e adolescentes também têm sido frequentes. Procurado pela Tribuna de Ituverava, o presidente do Conselho Tutelar de Ituverava, João Luiz dos Santos Júnior, fala sobre o assunto. “Temos recebido muitas denúncias nos últimos anos. Só no ano de 2018, por exemplo, foram confirmados oito casos de abuso sexual de crianças e adolescentes. Em 2019, até o momento, já foram registradas 7 denúncias”, afirma. “Nós, conselheiros tutelares, que trabalhamos na defesa da garantia dos direitos da criança e do adolescente, determinados pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), temos como um dos nossos maiores desafios o abuso sexual, pois ele deixa marcas irreparáveis na criança e no adolescente”, ressalta. Segundo ele, estas marcas podem permanecer em quem foi abusado por muitos anos ou até mesmo a vida toda. “Muitos não denunciam por medo de se expor, pelo constrangimento e, principalmente, pelas ameaças do abusador, causando assim um trauma muito grande nas vítimas”, destaca.
“São vários os motivos que podem levar à violência sexual, como desestrutura familiar, como pais separados ou que não acompanham, educam e orientam seus filhos. Há ainda os perigos das redes sociais, das bebidas alcóolicas, das drogas, entre outros”, relata.
O presidente ainda alerta sobre os meios de denunciar casos de abusos sexuais de crianças e adolescentes. “Basta entrar em contato pelo telefone, através do disque denúncia 100, ou pelo telefone direto do Conselho Tutelar, 3839-7633”, diz. “Também é possível denunciar na sede do conselho, à Rua Cel. José Nunes da Silva, 396; na Polícia Militar e no Fórum da Vara de Infância. O sigilo é absoluto e você não precisa se identificar”, completa.

Escritora alerta sobre abusos em história autobiográfica

Fabiola Melo, que foi vítima de abuso

Youtuber, palestrante e digital influencer cristã, Fabiola Melo foi vítima de abuso por uma pessoa de confiança da família: um homem que frequentava a mesma igreja e a tocou indevidamente. Como ela era criança, não entendeu a violência que havia sofrido, então sem denunciar seguiu com as marcas dessa violação.
Anos depois, após um pesadelo, a palestrante se recordou do ocorrido e a angústia veio à tona. Incentivada pela própria dor e pelos inúmeros pedidos de socorro que recebe diariamente nas redes sociais, a jovem influenciadora escreveu seu novo livro, “A culpa não é sua”, lançamento da Editora Mundo Cristão. Nessa obra, ela ajuda vítimas a superarem o passado, se curar e descobrir o seu valor.
Experiência
Além da própria experiência, em “A culpa não é sua”, Fabiola revela relatos marcantes de diversas mulheres que também sofreram com a agressão, seja na infância ou na vida adulta. Além disso, nesse livro, a autora expõe que Deus sempre está nos olhando e mostra que ninguém deve ficar preso no que aconteceu. A publicação traz ainda uma série de complementos importantes, como explicações acerca dos mitos e realidades relacionados ao abuso sexual de crianças e adolescentes, informações úteis sobre os meios de denunciar o crime e dados sobre abuso no Brasil. Fabiola é uma voz muito forte na luta contra o assédio, sua obra é um aliado para todas as pessoas. Vítima ou não, “A culpa não é sua” é um verdadeiro guia instrutivo para quem deseja levantar a voz e lutar contra esse mal.

A youtuber

Fabiola Melo é youtuber, com mais de um 1,7 milhão de seguidores em seu canal, digital influencer, palestrante e escritora. Fabiola criou programas sociais, como o Projeto Oiapoque, que mobilizou seus seguidores e, com eles, arrecadou fundos para a doação de um barco para missionários indígenas. Também participou da criação do projeto Escola Expandindo o Reino, que dá treinamento sobre mudança de mente no Nordeste do Brasil, recebendo jovens de todo o país de forma totalmente gratuita, com o auxílio voluntário de jovens de Chorozinho (CE). Membro da Igreja Poiema, em Taubaté (SP), é casada com Samuel Cavalcante.