Número de motos aumenta 3% em Ituverava em 2018

Veículo é o que mais faz vítimas fatais no país, além de ser o responsável pela maior parte das indenizações do DPVAT 

Motos estacionadas na Av. Dr. Soares de Oliveira

O número de motocicletas e motonetas aumentou cerca de 3% em Ituverava entre os anos de 2017 e 2018, de acordo com o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).
Em 2017, segundo o Denatran, eram 4.437 motocicletas e 1.844 motonetas, totalizando 6.281 veículos. No ano passado, o número subiu para 4.544 motocicletas e 1.922 motonetas, totalizando 6.466 veículos. O aumento de 3% acompanha o aumento geral da frota no município, que passou de 26.027 em 2017 para 26.856 no ano passado.
Em todo o país, o índice de crescimento foi bem próximo ao de Ituverava: ou seja, 3,19%. Em 2017 eram 21.608.568 motocicletas e 4.147.822 motonetas, totalizando 25.756.390 veículos. No ano passado, os números passaram para 22.239.110 motocicletas e 4.339.226 motonetas, somando 26.578.336 veículos.
No Estado de São Paulo, o aumento foi um pouco maior: 3,45%. Em 2017, eram 4.493.255 motocicletas e 864.997 motonetas, totalizando 5.358.252 veículos. No ano de 2018, passaram a ser 4.634.274 motocicletas e 908.868 motonetas, totalizando 5.543.142 veículos.
O aquecimento no mercado de motos, de acordo com a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Motonetas, Bicicletas e Similares), está diretamente ligado ao aumento da confiança do consumidor, flexibilidade no crédito por parte das financeiras, busca dos consumidores por produtos mais ágeis, econômicos e flexíveis.

Outros motivos

O Brasil é o oitavo maior produtor mundial de motos, segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes). A recessão dos últimos anos fez com que muitos condutores aderissem à motocicleta como meio de locomoção. “Houve crescimento da frota de motos pelo seu papel social e por sua flexibilidade”, afirma José Eduardo Gonçalves, diretor da Abraciclo.
Para o consultor de trânsito Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre em transportes pela USP, a população tende a escolher o que tem de opção.
“Se tivéssemos um sistema de transporte público eficiente, um planejamento urbano melhor, a realidade seria diferente. Em São Paulo, a moto virou necessidade. Os jovens foram empurrados para as motos, e o custo da destruição familiar é intangível”, enfatiza.

Motos são os veículos que mais fazem vítimas fatais no Brasil 

Acidente envolvendo moto

No contraponto dos números, há também questões preocupantes. Das 37,3 mil mortes que ocorreram no trânsito no país em 2016 (os números de 2018 e 2019 não forma divulgados), as motocicletas foram responsáveis por 12,1 mil, o que representa 32%, de acordo com as informações mais recentes do Observatório Nacional de Segurança Viária.
Os automóveis vêm em segundo lugar, com 24% das vítimas. E em 21% dos casos de morte no trânsito não há registro oficial sobre o meio de locomoção da vítima. Apesar de serem causadoras de tantas fatalidades, as motos são apenas 27% do total da frota de veículos do país (97 milhões), segundo dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).
E mesmo sendo apenas um terço da frota, no ano passado, as motocicletas foram responsáveis por 74% de todas as indenizações do DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre).
“No mundo todo, independentemente de quem seja o condutor, o risco de acidente grave com motocicleta é cinco a dez vezes maior do que com um veículo de quatro rodas”, diz Horácio Augusto Figueira, especialista em transportes e segurança do trânsito.

Causas
A falta de habilitação, a má conservação dos veículos e das vias públicas, a impaciência de motoristas, condutores e pedestres e a não utilização de equipamentos de segurança, como capacetes, são apontadas pelos especialistas como as principais causas de acidentes.
“Para uma pilotagem segura, é preciso que o motociclista conheça os pontos cegos, faça a frenagem de maneira adequada, combinando freios dianteiro e traseiro, respeite as leis de trânsito e faça a manutenção preventiva de sua moto”, afirma José Eduardo Gonçalves, diretor da Abraciclo. Educação e fiscalização são as políticas apontadas como solução para refrear o número de acidentes com motociclistas. “A mudança de comportamento, tanto de motoristas como de motociclistas, com investimento em educação para o trânsito, tende a diminuir esses índices”, propõe Maxwell Vieira, diretor-presidente do Detran-SP.

Vítima

Cenas de acidente com motociclistas fazem parte do cotidiano da cidade de São Paulo. O eletricista Francisco do Nascimento Júnior, 45 anos, foi uma das vítimas. “Era de manhã e chovia. Eu estava a uns 40 km por hora, quando, com o sinal verde, uma motorista, que parecia perdida, parou o carro na pista. Não consegui parar e, para não bater, desviei. A moto tombou em cima da minha perna e fraturei o pé”, conta.
Ele foi operado e teve de colocar quatro parafusos, uma placa e dois pinos. Para Nascimento, é preciso mais atenção dos condutores. “O ser humano perde a concentração no trânsito. Há muita distração, com o GPS e com o celular”, destaca.

Abraciclo anuncia que produção de motocicletas volta a crescer  

Produção de motocicletas

Após sete anos seguidos de queda, a produção de motocicletas no Brasil voltou a crescer, em 2019, a um ritmo de 17,4%, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Só este ano, 84.106 motocicletas foram fabricadas no mês de janeiro. O anúncio foi feito na manhã do dia 19 de fevereiro, na Fábrica da Moto Honda da Amazônia, no Distrito Industrial, pelo presidente da fábrica Izo Mizoguichi. A Moto Honda, maior empresa do Polo de Duas Rodas atuando no Polo Industrial de Manaus (PIM), anunciou que nos próximos três anos, cerca de R$ 500 milhões devem ser investidos na fábrica em Manaus, aplicados na renovação de equipamentos e construções de novas instalações que devem ser entregues até 2021. O investimento, entretanto, não deve significar geração de empregos.

Nova fábrica
Entre os investimentos, a nova fábrica de motores, que já está sendo construída, terá mais 14 mil metros quadrados, contando com equipamentos de ponta. Em comemoração aos números, a empresa atingiu, em 2019, a marca de 26 milhões de veículos produzidos, desde o início da sua operação no polo industrial de Manaus, há 42 anos.
Alfredo de Menezes superintendente da Suframa, destacou que “temos muito a fazer no Polo Industrial de Manaus, não temos tempo a perder” e celebrou os investimentos no setor de duas rodas.

Produção

A fábrica da Moto Honda produz 3.700 motocicletas por dia. A cada 20 segundos, sai uma nova moto. A volta do crescimento da produção, segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, é reflexo da retomada da confiança por parte do consumidor, da recuperação econômica e do aumento da oferta de crédito, além do número significativo de lançamentos.
Para este ano, a companhia anunciou investimentos contínuos em inovação e tecnologia que devem ser aplicados, minimizando os impactos ao meio ambiente e melhorando a segurança do consumidor no polo de duas rodas.