Obra Abaporu volta ao Brasil para exposição em São Paulo

A obra Abaporu, a mais emblemática da carreira de Tarsila do Amaral, pintada em 1928, volta a São Paulo após 11 anos. Desde a última quinta-feira, 4 de abril, a mostra ‘Tarsila Popular’ reúne cerca de 120 obras da artista, incluindo pinturas e desenhos, no Museu de Arte de São Paulo (Masp).
O quadro estava no Museu de Arte Latino-Americano, em Buenos Aires, na Argentina. Além do Abaporu a mostra contará com as obras, A Cuca, Operários e Manacá, entre outras.
A exposição fará parte do circuito “Histórias das mulheres, histórias feministas”. Além de exposições, o Masp receberá palestras, workshops e a exibição de filmes sobre o tema.
Simultaneamente, o museu também recebe a mostra “Lina Bo Bardi: Habitat”, com as principais obras da arquiteta responsável pelo Sesc Pompeia, o Teatro Oficina e a atual sede do Masp, na avenida Paulista
A obras de Tarsila ficarão expostas até dia 28 de julho, no primeiro andar do Museu. Às terças-feiras as visitas são gratuitas. De quarta a domingo, as entradas custam de R$ 20,00 (meia entrada) a R$ 40,00 (inteira).

A obra

Abaporu é uma clássica pintura do modernismo brasileiro, da artista Tarsila do Amaral. O nome da obra é de origem tupi-guarani que significa “homem que come gente” (canibal ou antropófago), uma junção dos termos aba (homem), pora (gente) e ú (comer).
A tela foi pintada por Tarsila em 1928 e oferecida ao seu marido, o escritor Oswald de Andrade. Os elementos que constam da tela, especialmente a inusitada figura, despertaram em Oswald a ideia de criação do Movimento Antropofágico.
O Movimento consistia na deglutição da cultura estrangeira, incorporando-a na realidade brasileira para dar origem a uma nova cultura transformada, moderna e representativa da nossa cultura.
Esta obra marca a fase antropofágica da pintora Tarsila de Amaral, movimento artístico que ocorreu entre 1928 e 1930.
É possível identificar traços característicos da artista, como a escolha de cores fortes e inclusão de temas imaginários ou alteração da realidade.
Na pintura há um homem com grandes pés e mãos, e ainda o sol e um cacto. Estes elementos podem representar o trabalho físico que era o trabalho da maioria naquela altura.
A cabeça pequena pode significar a falta de pensamento crítico, que se limita a trabalhar com força, mas sem pensar muito, sendo então uma possível crítica para a sociedade daquela época.