Pixar chega ao 20º filme com lançamento de ‘Os Incríveis 2’

Talvez nenhuma marca do cinema contemporâneo de Hollywood tenha tanto prestígio quanto a Pixar. De Toy Story (1995), primeiro longa da produtora, ao recente Os Incríveis 2, 20º filme do selo, o estúdio se especializou em mesclar fantasias genuinamente infantis (brinquedos com vida própria, família de super-heróis, ratinho cozinheiro, emoções de uma garotinha) com temas que conversam com o público adulto (criação de filhos, perda da inocência, dores do amadurecimento, medo da morte).
Praticamente toda produção da Pixar vai bem de bilheteria – os fracos O Bom Dinossauro (2015) e Carros 3 (2017) representam as exceções. Duas cruzaram a barreira do bilhão, Toy Story 3 (2010) e Procurando Dory (2016).
No Oscar, a história vem desde o primeiro longa, quando Toy Story ganhou estatueta especial em uma época em que ainda não havia prêmio para a categoria. São 15 troféus ao todo – 18 se levados em conta os curtas ganhadores. Toy Story 3 e Up: Altas Aventuras (2009) chegaram a competir pela honra máxima, de melhor filme.
Dá para dividir a história da Pixar em mais ou menos três fases não oficiais, mas completamente distintas. Na primeira, saíram Toy Story (1995), Vida de Inseto (1998) e Toy Story 2 (1999), longas que marcaram a transição da animação clássica para a digital no cinema.

Produtora
O longo auge da produtora se deu de Monstros S.A. (2001) a Toy Story 3, período em que o selo solidificou sua presença no Oscar, passou a articular de maneira mais potente a já admitida influência do estúdio japonês Ghibli, de A Viagem de Chihiro (2002) e Túmulo dos Vagalumes (1988), e conquistou a cinefilia com Procurando Nemo (2003), Os Incríveis (2004), Ratatouille (2007), Wall-E (2008) e Up (2009).
Entre uma coisa e outra, a Pixar virou subsidiária da Disney em uma transação de US$ 7,4 bilhões e passou a impactar o tradicional segmento de animação do estúdio (a Walt Disney Animation), notadamente em Detona Ralph (2012) e Zootopia (2016). Curiosamente, foi quando houve um momento de crise artística e a necessidade de conciliar obras originais com franquias.
O conto de fadas Valente (2012) teve produção conturbada, com demissão de Brenda Chapman, até hoje a única diretora a comandar um longa do estúdio, por diferenças criativas. Essas tensões puderam ser percebidas na própria irregularidade do filme.
Antes de Valente, estreou Carros 2 (2011), a produção Pixar mais mal recebida pela crítica. Depois, veio Universidade Monstros (2013), sequência insossa e esquecível de Monstros S.A. O selo recuperou a forma em Divertida Mente (2015), mas emendou três filmes pouco inspirados, O Bom Dinossauro (2015), Procurando Dory e Carros 3 (2017).

Equilíbrio
A produtora só parece ter conseguido equiparar a balança recentemente, com Viva: A Vida É uma Festa e Os Incríveis 2. O primeiro se tornou o quarto filme da Pixar a ganhar dois Oscars e virou um sucesso talvez inesperado de público – quinta maior bilheteria da marca.
O segundo, recentemente chegado aos cinemas, sustenta pressões de franquia com liberdade autoral graças à direção de Brad Bird, responsável por Os Incríveis e Ratatouille.

Bilheteria
Os Incríveis 2 já é um dos maiores sucessos da Pixar e após se tornar o terceiro filme de 2018 a conseguir alcançar a marca de US$ 400 milhões arrecadados nos Estados Unidos, o filme obteve uma nova conquista: a obra superou a bilheteria total do filme original.
De acordo com dados do Box Office Mojo, Os Incríveis 2 já arrecadou mundialmente cerca de US$ 646 milhões, enquanto o filme original da família Pera obteve US$ 633 milhões em sua passagem pelo mundo. Nos Estados Unidos, o filme voltou a ficar em segundo lugar na bilheteria local este fim de semana.

O Filme 

Em Os Incríveis 2, Helena (Holly Hunter) é chamada para liderar uma campanha que pede a volta dos super-heróis, enquanto Beto (Craig T. Nelson) se embrenha pelo dia a dia da vida de dono de casa com Violeta (Sarah Vowell), Flecha (Huck Milner) e o bebê Zezé, cujos superpoderes estão prestes a serem descobertos.
A missão dos heróis acaba sofrendo uma reviravolta quando um novo vilão surge com um brilhante e perigoso plano que ameaça todo o mundo.
Mas os Pera não fogem do desafio, ainda mais com Gelado (Samuel L. Jackson) ao seu lado.
Isabella Rossellini, Sophia Bush, Catherine Keener, Bob Odenkirk e Jonathan Banks completam o elenco de vozes originais.