Prazo para solicitação de isenção da taxa do Enem termina amanhã

Foi prorrogado para até amanhã, domingo, 15 de abril, o prazo dado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) para que estudantes façam solicitação de isenção da taxa de inscrição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A data final, inicialmente, estava marcada para 11 de abril.
O prazo também vale para os candidatos que tiveram isenção no ano passado e faltaram aos dois dias de prova justificarem sua ausência, para continuar tendo o benefício.
Tanto o pedido de isenção como a justificativa de ausência devem ser feitas na Página do Enem 2018. Todos os interessados em fazer o Enem 2018, isentos ou não, deverão fazer a inscrição no exame entre 7 e 18 de maio.
Têm direito à isenção os estudantes que estejam cursando a última série do Ensino Médio neste ano em escolas da rede pública, ou que tenham cursado todo o Ensino Médio em escola da rede pública ou como bolsista integral na rede privada e tenham renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio.
Também pode solicitar isenção o participante que declarar situação de vulnerabilidade socioeconômica por ser membro de família de baixa renda e que esteja inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
Neste ano, também são isentos os participantes do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) do ano passado, que tenham atingido a nota mínima do exame.
O resultado da solicitação de isenção será divulgado no próximo dia 23. Caso o pedido seja negado, a partir deste mesmo dia e até 29 de abril, o interessado poderá apresentar novos documentos.
O resultado do recurso será divulgado no dia 5 de maio e, se for negado, o interessado em fazer o Enem 2018 ainda terá a opção de fazer a inscrição e pagar a taxa de R$ 82. Até o momento, o número de pedidos de isenção já ultrapassa 1 milhão, de acordo com o Inep.

Modelo inédito 

Em 20 anos de Enem, essa é a primeira vez que a solicitação de isenção é feita antes da inscrição e que é exigida a justificativa de ausência. O objetivo das mudanças é reduzir o gasto público “desnecessário”. Desde 2013, os ausentes no exame geraram prejuízo de R$ 962 milhões. Desses, a maioria não paga a inscrição.
Para todos os casos de solicitação de isenção da taxa de inscrição, o participante deverá ter documentos que comprovem a condição declarada. A falta deles implica na eliminação do exame e em ter que responder por crime contra a fé pública.

Escolas em SP já oferecem até 78 disciplinas optativas 

Que tal ir para a escola e estudar física quântica, cosmologia, crítica teatral e biotecnologia? Em São Paulo, colégios particulares estão oferecendo até 78 disciplinas eletivas para os alunos do Ensino Médio só neste ano. Alguns programas têm mais de uma década, mas com a reforma aprovada pelo Governo Federal o formato vem mudando, ampliando a oferta ou aprofundando o conteúdo.
A reforma do Ensino Médio prevê que o aluno tenha 40% da carga horária reservada a disciplinas optativas. Os alunos poderão escolher percursos formativos em uma área (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza ou Ciências Humanas) ou formações técnicas.
No Colégio Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, os alunos sempre tiveram a possibilidade de fazer atividades extracurriculares. Mas, neste ano, a escolha de pelo menos uma eletiva por semestre se tornou obrigatória a partir do 2º ano. A cada seis meses, haverá escolha entre 20 opções, independentemente da área.
“Nossa preocupação era de que o aluno tivesse liberdade, que a primeira opção não o deixasse amarrado em uma área até o fim do Ensino Médio”, diz a diretora pedagógica, Mayra Lora.

Ideia
Apesar de a mudança ter começado em 2018, a ideia surgiu há alguns anos, quando o colégio decidiu não separar mais os alunos por áreas (até 2016, eles escolhiam entre as turmas de Exatas, Humanas ou Biológicas). “Muitos optam por eletivas de áreas diferentes. Essa curiosidade faz parte da adolescência e é reforçada no mundo em que vivemos, onde recebem muita informação”, afirma.
No Band, todas as eletivas são interdisciplinares. A matéria de biotecnologia, com 5 turmas e 200 alunos, é um exemplo. “Como montamos um curso bastante interdisciplinar e com aulas práticas, atraímos tanto os que têm interesse pela área da Saúde, quanto os que querem Engenharia”, diz a professora Lucianne Aguiar.
Em uma das aulas, a proposta era encontrar solução para um problema: uma escola queria vacinar os alunos, mas enfrentava a resistência de uma família. “Eles debateram, simularam estar em um lado e no outro, encontraram argumentos para defender a posição. No fim, muitos imaginaram como seria ser um advogado ou um médico”, relata.

Liberdade
O amplo interesse dos adolescentes também fez o Colégio Dante Alighieri, na região central, mudar e ampliar o número de eletivas oferecidas. Neste ano, havia 78 opções disponíveis, como gastronomia italiana, física quântica, astronomia, mercado de ações. “Mais da metade dos alunos escolheu disciplinas de áreas diferentes, poucos se restringem a apenas um campo. Desde o planejamento, nossa ideia era permitir que os alunos explorassem, experimentassem. Não queríamos criar itinerários formativos que prendessem o jovem em uma única área”, diz a coordenadora Sandra Tonidandel.
No Dante, o aluno também escolhe as optativas a cada semestre. Cada uma delas é avaliada pelos estudantes para que o colégio identifique a necessidade de mudanças na grade, conteúdo ou metodologia. “É mais trabalhoso oferecer novas opções a cada semestre, mas nossa intenção é que eles vivenciem novas áreas, aprendizados. Para só depois decidirem o que fazer na faculdade”, diz Sandra.

Diferentes vivenciais 

A chance de diferentes vivências, antes de escolher a carreira, também foi o que motivou o Colégio Santa Maria, na zona sul, a ampliar o número de eletivas. Elas passaram de 4 para 13 – vão de geopolítica e relações internacionais a linguagem teatral ou condicionamento físico.
No 3º ano do médio do Santa Maria, Paula King, de 16 anos, já fez eletivas de redação, xadrez, italiano e geopolítica. “Gosto muito do formato porque a cada seis meses aprendemos sobre um assunto novo, estamos em uma turma diferente, com outros professores. Cada semestre temos uma nova experiência”, diz.
Apesar de gostar da mudança, ela diz que em alguns cursos sentiu vontade de aprofundar mais o estudo, como no aprendizado da língua italiana.