Prefeitura adia início das aulas devido à dengue

Já foram registrados no município este ano, 298 notificações, das quais 29 casos são positivos, 3 negativos e 266 aguardam resultado

Agentes de Saúde fazem nebulização

Uma epidemia de dengue em Ituverava não pode ser descartada devido ao crescimento vertiginoso do registro de notificações da doença. Preocupadas com a situação, a Prefeitura de Ituverava e a Secretaria Municipal da Educação adiaram o início das aulas da Educação Infantil Maternal 1, Maternal 2, Fase 1 e Fase 2; e as aulas do Ensino Fundamental Anos Iniciais e Ensino Fundamental Anos Finais da Rede Municipal de Ensino terão início no dia 11 de fevereiro. As aulas da Rede Municipal de Ensino estavam previstas para começar ontem, sexta-feira, 1º de fevereiro.
Ainda segundo o decreto “as entrevistas com os professores das EMEIS e CEMEIS que seriam realizadas nos 4 e 5 de fevereiro foram adiadas para o dia 11 e 12 de fevereiro. Nestes dias os pais devem comparecer nas Unidades Escolares no período em que seus filhos estiverem matriculados”.
“O adiamento fez-se necessário em razão do número de casos suspeitos de dengue no município. Por conta disso, a partir do próximo sábado, as CEMEIS, EMEIS e EMEFS da cidade e distritos terão mutirão de limpeza”. A administração explica ainda que que: “Nenhum aluno da Rede Municipal de Ensino será prejudicado com o adiamento do início do ano letivo, uma vez que as aulas serão compensadas no recesso escolar do mês de julho”.
Etec
A direção da Etec “José Inácio de Azevedo Filho”, “em virtude dos graves problemas relacionados à dengue, visando resguardar a Saúde Pública do Município de Ituverava e também resguardar a saúde dos alunos e toda comunidade escolar, comunica a suspensão do início do ano letivo, do dia 1º de fevereiro para o dia 11 e fevereiro”.
Números
No início de janeiro deste ano, o número de notificações era 75, agora já é 298, ou seja, quase 400% de aumento. Deste número, 29 são positivos (eram 21 casos), 3 negativos e 266 aguardam resultado (eram 99). Este ano também foi confirmado um caso de dengue com hemorragia.
A preocupação é maior devido às temperaturas elevadas e constantes chuvas – condições propícias para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença, o que pode fazer com que os números continuem a crescendo.

Nebulização
Segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, nessa semana os Agentes de Combate a Endemias da Vigilância em Saúde terminaram o trabalho de nebulização no bairro Benedito Trajano Borges e, deram início ao processo no bairro Cidade Universitária. Na sexta-feira, dia 1º de fevereiro, os Agentes de Endemias fizeram a nebulização da CEMEI “José Zeferino de Paula”, no Benedito Trajano Borges.
“É importante frisar, que segundo a SUCEN (Superintendência de Controle de Endemias) de Franca, esse é o método mais eficaz de combate ao mosquito Aedes aegypti, uma vez que, ao contrário do fumacê, o inseticida da nebulização não é disperso aleatoriamente nas ruas, mas diretamente onde há mais riscos do mosquito se proliferar”.

Bloqueio

No dia 30 de janeiro, os Agentes de Combate a Endemias deram início no Jardim Guanabara aos “bloqueios”, trabalho de conscientização da população a respeito do mosquito Aedes aegypti, e também a retirada de possíveis criadouros das residências.

Secretária promove reuniões para reforçar o combate ao Aeds aegypti

Ainda segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, a secretária da Saúde, Janine Carvalho Ferreira Rokutan, se reuniu no dia 24 de fevereiro, com os médicos e enfermeiros da Atenção Básica para discutir estratégias para auxiliar no tratamento de pacientes diagnosticados com as doenças transmitidas pelo mosquito.
Na ocasião, foi definido que a partir de agora, as Unidades de Saúde terão disponíveis soros para reidratação oral, soro de bolsa e Dipirona, para agilizar o atendimento ao paciente.
No dia 25 de janeiro, representando a prefeita Adriana Quireza Jacob Lima Machado e a Secretária da Saúde, Janine Carvalho, a Diretora em Saúde, Cláudia Maria Carreira Frata e o coordenador de Controle de Vetores, Rodrigo de Mattos Silva Santos estiveram em Ribeirão Preto, onde participaram da 1ª reunião da 4ª Campanha Regional de Combate ao Aedes aegypti, promovida pela EPTV com a participação de todas as cidades da região.
Trabalho
A secretária da Saúde fala sobre o trabalho que está sendo realizado na cidade. “Estamos reforçando todas as atividades e traçando novas estratégias para agilizar o tratamento da doença e, principalmente, para combater o mosquito Aedes e, consequentemente, os casos das doenças causadas por ele”, diz.
“Agradeço aos funcionários da Secretaria da Saúde que estão contribuindo com esse trabalho”, diz a secretaria Janine Carvalho Ferreira Rokutan.
A prefeita Adriana Quireza Jacob Lima Machado ressalta a importância do combate ao Aedes aegypti. “A principal maneira de prevenir a dengue, zika e chikungunya, é combater o mosquito”, afirma.
“É importante que a população colabore com o trabalho realizado pela Vigilância e, não só permita que os agentes entrem em suas residências, como também mantenha suas casas, quintais e calçadas limpas e sem criadouros do mosquito”, diz Adriana.

Alerta

É fundamental a participação da população no combate ao Aedes aegypti, que causa doenças como a dengue, zika, Chikungunya e febre amarela. É bom lembrar que a dengue mata, e vítima pode ser você ou alguém de sua família, portanto os cuidados devem ser redobrados.
O número de notificações de casos de dengue aumentou 400% no município neste ano, e para evitar uma explosão ainda maior, cada um deve fazer a sua parte e adotar alguns hábitos simples que são fundamentais para combater o Aedes aegypti e, consequentemente, evitar uma epidemia.
Alguns deles são manter as casas e os terrenos limpos, eliminar os possíveis recipientes de água parada e, se necessário, denunciar vizinhos que estejam mantendo criadouros do Aedes aegypti à Vigilância Sanitária.

Dengue tipo 2 em 19 cidades
coloca São Paulo em alerta

A circulação do sorotipo 2 da dengue em 19 cidades foi detectado em São Paulo e colocou o estado em alerta. Desde 2016, apenas o sorotipo 1 da dengue circulava nos municípios paulistas. Pessoas infectadas por sorotipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais grave da doença. De acordo com o governo do estado, foram contabilizados 610 casos de dengue até o dia 15 de janeiro. O número é similar ao verificado no ano passado e, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, não representa um quadro preocupante.
Segundo o infectologista Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde, a dengue tipo 2 não é “especialmente pior”. O risco está relacionado à superposição do vírus. “Estava circulando o tipo 1 até agora, e quando circula um tipo e aparece um novo sorotipo do vírus, pode ser 2, 3 ou 4, no caso é o 2, aí pode ter uma evolução para maior gravidade para quem já teve dengue 1”, explica.
O infectologista esclarece que não é mais utilizada a nomenclatura dengue hemorrágica, pois nem todos os casos graves de dengue evoluem com hemorragia. As equipes de saúde das cidades em que a circulação do tipo 2 foi identificada estão sendo orientadas a dar uma assistência mais cuidadosa aos pacientes com suspeita da doença.
“Em um caso de dengue no ano passado, quando só circulava o tipo 1, se o paciente estava bem, tomava líquido pela boca, mandava para casa e, se tivesse alguma coisa, voltaria. Hoje, para fazer isso, eu tenho que ter convicção. Talvez ficar mais tempo com o paciente no hospital para acompanhar a evolução”, explicou.
O infectologista disse que não há uma explicação para o início da circulação do novo sorotipo. “É aleatório. Esses vírus circulam no mundo todo. Quando você tem o Aedes aegypti, que é o nosso caso, se vem uma pessoa que está com dengue 2 ou 3 e ele é picado pelo vetor, pode replicar esse vírus”, observa. A melhor forma de prevenção, portanto, independentemente do sorotipo, é evitar a proliferação do mosquito.
De acordo com Boulos, há quatro sorotipos de dengue, sendo que três deles circulam no Brasil. Em São Paulo, neste momento, circulam os sorotipos 1 e 2. “Hou- ve uma detecção do tipo 3 agora na região de Araçatuba, mas um caso só. Então se for causar problema, é daqui 2 ou 3 anos, agora não. Nós não temos o 3”, destacou.

Ribeirão Preto

Segundo o professor do Centro de Pesquisa em Virologia da USP, Benedito Antônio Lopes da Fonseca, Ribeirão Preto está em alerta para a dengue tipo 2, que é mais agressiva. Dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam 52 casos confirmados de dengue em janeiro – um terço deles é do tipo 2.