Setembro Verde lembra sobre a importância da doação de órgãos

Serão realizadas diversas ações para esclarecer e conscientizar sobre o impacto desse gesto de amor ao próximo

O mês de setembro chegou e estampa a cor verde para sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos para salvar vidas. O Dia Nacional da Doação de Órgãos é celebrado em 27 de setembro.
Por meio da campanha “Setembro Verde” são realizadas diversas ações e eventos pelo país, para esclarecer e conscientizar sobre o impacto desse gesto de amor ao próximo, na vida de quem aguarda na fila por um transplante.
Para ser um potencial doador não é necessário deixar por escrito, mas é importante comunicar à família o desejo de doar, já que os parentes são os únicos que podem autorizar a doação em caso de morte encefálica. Essa simples conversa permitirá aos familiares tomar uma decisão rápida e consciente, caso a situação se apresente.
As doações acontecem quando há morte cerebral e há perda irreversível das funções vitais que mantêm a vida, como a perda da consciência e da capacidade de respirar.

Órgãos

As pessoas podem ser potenciais doadoras de córneas, rins, fígado, coração, pulmão e pâncreas, entre outros órgãos e tecidos, que são retirados e utilizados para transplante. Ou seja: um único doador pode salvar cerca de oito vidas.
Também é possível ser doador em vida, sem comprometer a saúde. Nesses casos, a pessoa doa tecidos, rim e medula óssea. Ocasionalmente, também é possível doar parte do fígado ou do pulmão.

Doação de órgãos foi impactada pela pandemia

O Brasil realiza atualmente transplantes diversos, como os de córnea, fígado, pâncreas, coração, rim, pulmão e intestino. E a demanda é expressiva. A fila de espera para transplante renal, por exemplo, é de quase 25 mil pessoas e mais de mil cidadãos aguardam por um fígado.
Em março, logo que foi determinada a quarentena, foi anunciada também a suspensão dos transplantes por doador vivo, tendo como objetivo protegê-los do risco de contaminação com o coronavírus.
No entanto, sabe-se que a doação de órgãos de pessoas falecidas é fundamental para pacientes em lista de espera, pois somente 17% dos transplantes renais e 5,7% dos transplantes de fígado são realizados por doador vivo.
As doações vinham crescendo gradativamente nos últimos anos no Brasil. Em 2019, atingiu o índice inédito de 18,1 pmp (por milhão de população), sendo que, no primeiro trimestre de 2020, ainda sem a influência da pandemia, atingiu o índice de 18,4 pmp. Na Espanha, para se ter uma ideia, o índice é de 48 doadores pmp.

Queda
Houve queda de 32% nas doações de órgãos entre o primeiro óbito registrado por Covid-19 até o final de junho de 2020, impactando negativamente em 43% o número total de transplantes de todos os órgãos no mesmo período.
Com a decretação de calamidade pública pela transmissão comunitária do vírus Sars-CoV-2 no território nacional, a Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes emitiu uma Norma Técnica estabelecendo os critérios para a seleção de candidatos a doadores de órgãos e tecidos.

Dados
De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, o número de doadores caiu 6,5% no Brasil no primeiro semestre de 2020 em relação ao ano passado.
Segundo o professor Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque, da Faculdade de Medicina (FM) e diretor do Serviço de Transplantes de Órgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas (HC) da USP, a pandemia de coronavírus teve um efeito muito ruim nas taxas de doação pelo País, mas com algumas diferenças regionais. “No Norte, Nordeste e Sul, tivemos um grande impacto da Covid-19 e uma diminuição de até 40% das doações”, disse.
“Porém, na região Sudeste, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, o número de doações se manteve estável em relação a 2019 e até aumentou um pouquinho, para a nossa surpresa”, observa.
“Entretanto, no geral, tivemos uma grande redução no número de transplantes. Considerando que deveríamos aumentar o número de doações em quase 15% e acabamos tendo uma diminuição da mesma proporção, isso é bem negativo”, afirmou.

Lista de espera
Dados de junho deste ano indicavam que mais de 40 mil pacientes estavam na lista de espera de doação de órgãos. Cada tipo de transplante possui diferentes características, sendo que alguns deles podem ser postergados, caso o clima não seja favorável, como no caso da pandemia.
Por outro lado, para outras pessoas necessitadas, o risco de não fazer o transplante é o preço da vida. Por isso, D’Albuquerque comenta que as atividades de transplante feitas no HC foram transferidas para um hospital covid-free, o Instituto do Coração (InCor), tornando possível a continuidade dos programas. Nessas condições, já foram realizados 44 transplantes de fígado, ao passo que no ano passado foram feitos 38.

Dado positivo

Um dado positivo é que a recusa das famílias para a doação caiu significativamente, para cerca de 20%, de acordo com o professor. “Esse dado é considerado como uma contrapartida em relação à queda do número de doadores, balanceando seus efeitos”, destaca.
“A doação é um ato de solidariedade e, nesta situação de Covid-19, esse sentimento veio muito à tona. Isso só reforça a importância da doação, de deixarmos nossa vontade explícita a nossos familiares. Uma recusa de doação pode significar a perda de até 14 vidas nessa cadeia de benefícios”, completa o professor Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque.