Sobre os corações partidos

À noite, é possível ver mais corações partidos nas ruas do que estrelas no céu. E eu não sei o porquê disso. E também não tenho a intenção de descobrir. Seria muita ambição e irresponsabilidade para alguém que até hoje não entendeu bem o próprio coração.
Contudo, dá para perceber – mesmo sem grande esforço – que falta cuidado. Falta responsabilidade emocional com o outro e também consigo. Falta sinceridade, lealdade e poesia. Falta permitir-se, arriscar-se…falta tanta coisa, que acho que não caberia nesse texto nem que ele fosse um ensaio de 200 páginas.
Falta a coragem de admitir o erro, mas sobra o orgulho de apontar o equívoco alheio. Falta a segurança para dizer o que sente, mas sobra aquele medo bobo de as coisas darem errado e também o medo (ainda mais bobo) de as coisas darem certo e você ser realmente feliz.
É como se uma parte sua sabotasse todas as possibilidades de felicidade, por acreditar que você não a merece. E é sério que vai dar ouvido a isso depois de tudo que passou?
Pois bem, você merece sim a felicidade. E agora que sabe disso, desista de voltar para aquilo que te fere todos os dias.
E aqui não digo apenas no sentido de voltar para alguém. Não estou sendo tão simplista. Estou me referindo também àquele seu pensamento de que você não é capaz ou para tudo aquilo que te coloca para baixo, como aquele emprego que destrói o seu emocional.
E, por favor, não se torne aquilo que te feriu. Se alguém parte o seu coração e você parte o coração de alguém como forma de “equilibrar o universo”, você está levando adiante um ciclo negativo, em que o amor vai morrendo pouco a pouco.
Como eu disse, não sei porque há tanta gente com o coração partido por aí, mas essa teoria de que existem muitas pessoas tentando “equilibrar o universo” faz sentido, não acha? E que tal darmos um passo para tentar parar esse ciclo? Da mesma forma que não sei o motivo do problema, eu não tenho a fórmula para resolvê-lo. Mas sei que um coração partido pode ir se curando ao mesmo tempo em que ajuda outros a se consertarem.
Então, estenda a mão, diga o que tem vontade, dê aquele telefonema e toque outras almas da melhor forma que puder. Já pensou que bonito seria encontrar na noite mais corações se remendando do que estrelas no céu?

Bruno da Silva Inácio cursa mestrado na Universidade Federal de Uberlândia, é especialista em Gestão Cultural, Literatura Contemporânea e em Cultura e Literatura.
Ele Cursa pós-graduação em Filosofia e Direitos Humanos e em Política e Sociedade. É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto”, “Coincidências Arquitetadas” e “Devaneios e alucinações”, além de ter participado de diversas obras impressas e digitais.
É colaborador dos sites Obvious e Superela e responsável pela página “O mundo na minha xícara de café”.