Sobre recomeços e finitude

Escrever sobre recomeços é clichê, ainda mais nessa época do ano. Mas às vezes, escrever sobre recomeços se torna tão necessário quanto recomeçar… Porque no fundo as coisas são finitas e é difícil saber lidar com isso.
É desafiador enfrentar términos, mortes ou despedidas. É estranho voltar para casa sabendo que aquela pessoa não estará mais ali… Dói pegar o celular esperando ver aquela mensagem de bom dia que antes era rotineira, mas hoje não é mais enviada.
E em janeiro, quando você olha para o ano que acabou de terminar, tudo isso se torna ainda mais evidente. É quando você nota com mais clareza os seus erros e quando se dá conta de que teve que lidar com muitas perdas nesse período.
E por mais que você se prometa o contrário, o ano que está começando também trará novas despedidas. O universo está em constante movimento e não há muito a ser feito. Mas isso não quer dizer que o seu jeito de lidar com elas precisa ser o mesmo.
Um bom primeiro passo é entender que o fim não anula uma trajetória. Uma morte, um término ou uma despedida não destroem tudo o que foi construído até aquele ponto. O final não apaga sorrisos, aprendizados ou memórias.
O tempo é complexo e relativo, então ainda não aprendemos a lidar muito bem com ele. Ainda não compreendemos a importância dos ciclos, das chegadas, das partidas e, claro, dos recomeços.

Eternidade
Ainda patinamos na busca pela eternidade sem entendermos que é a finitude que capta com clareza, beleza e exatidão a preciosidade dos momentos.
Insistimos em buscar o “pra sempre”, quando tudo o que precisamos é viver o real e intenso, seja pelo tempo que for. Alguns eternos são maiores do que outros. E não há problema nenhum nisso.
Que as pessoas que partiram de alguma forma em 2018 estejam dentro de você em 2019 (se assim você desejar), na forma de amor e aprendizado. Porque, afinal de contas, é isso que vive para sempre.

Bruno da Silva Inácio cursa mestrado na Universidade Federal de Uberlândia, é especialista em Gestão Cultural, Literatura Contemporânea e em Cultura e Literatura.  Ele Cursa pós-graduação em Filosofia e Direitos Humanos e em Política e Sociedade. É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto”, “Coincidências Arquitetadas” e “Devaneios e alucinações”, além de ter participado de diversas obras impressas e digitais. É colaborador dos sites Obvious e Superela e responsável pela página “O mundo na minha xícara de café”.