Tema de redação do Enem tem bastante complexidade

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 – Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet – é atual e foi trabalhado em muitas escolas, além de ter sido abordado em reportagens do Tribuna Teen.
Para a professora de redação Carol Achutti, do curso online Descomplica, o assunto deste ano, dada a repercussão do Enem, atinge toda a sociedade e coloca em discussão o tema da manipulação intensamente vivido no Brasil no último processo eleitoral. “É uma inovação. Colocaram um dedinho na ferida. Por isso, achei importante levantar essa discussão”, diz.
Segundo Carol, a escolha tem um caráter diferente dos anos anteriores. “O recorte escolhido é quase político. Não é social como estamos acostumados. É perigoso o estudante confundir com fake news [divulgação de notícias falsas], que podem aparecer na argumentação, mas não é só isso”, relata.
Abordagem delicada
Conforme a professora, o texto do aluno poderá tratar, dependendo dos textos de apoio da prova, de questões mundiais, envolvendo redes sociais, marketing dirigido, entre outras questões. “Quem for muito partidário e se inflamar pode ser parcial e tangenciar o tema”, acrescenta.
“Achei o tema complexo. Acho que pode causar dúvida nos alunos, porque eles são muito inteirados. Quase todos sabem minimamente sobre segurança da rede, podem confundir um pouco. A abordagem, imagino, seja manipulação das notícias, cuidado que se deve ter”, ponderou Tatiana Nunes, professora de redação e língua portuguesa do Colégio Mopi, no Rio de Janeiro.
De acordo com Tatiana, o tema era “mais do que aguardado. A questão seria o tipo de abordagem”. Na avaliação da professora, a abordagem escolhida foi “muito bem feita, mas bastante delicada. O estudante terá de estar bem preparado para fazer essa leitura crítica do que está sendo pedido no tema”.
Coordenador pedagógico do Vetor Vestibulares, Rubens César Carnevale, que foi corretor da redação do Enem por três anos seguidos, de 2014 a 2016, disse acreditar que, ao escrever sobre o tema, os estudantes precisam tomar cuidado para não fugirem de discussões atuais e não usarem dados falsos na hora de argumentar.
“Os candidatos precisam tomar cuidado com aquilo que chama de coerência externa. O aluno que citar alguns dados, alguns fatos que não sejam pertinentes ao contexto e que não sejam verdadeiros poderá perder pontos”, acrescenta Carnevale.

Enem
No último domingo, 4 de novembro, os estudantes fizeram provas de linguagem, ciências humanas e redação em mais de 1,7 mil municípios brasileiros, inclusive Ituverava. O exame segue amanhã, 11 de novembro, quando serão aplicadas as provas de ciências da natureza e matemática.
A nota do exame poderá ser usada para concorrer a vagas no Ensino Superior público pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a bolsas em instituições privadas, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), e para participar do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Balanço final do primeiro dia de Enem aponta menor taxa de abstenção desde 2009 

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 teve a menor taxa de abstenção desde 2009. Esse é o principal destaque do balanço final realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do primeiro dia de provas do exame. No total, 24,9%, o que representa cerca de 1,4 milhão de estudantes, dos inscritos não compareceram aos locais de provas (ou não conseguiram chegar a tempo).
A taxa de abstenção do Enem 2018 mais baixa do que nas edições anteriores é um dado importante e mostra que a comunicação do Exame foi efetiva e bem sucedidade já que a data deste primeiro dia de prova coincidiu com o adiantamento do relógio em dez estados do Brasil e no Distrito Federal em uma hora por conta do início Horário Brasileiro de Verão.

Coincidência
A coincidência chegou a ser alvo de um pedido do Ministério da Educação (MEC) para que o presidente Michel Temer adiasse novamente a data do início do Horário Brasileiro de Verão que já havia sido modificada por conta da coincidência com um evento ainda maior do que o próprio Enem: o segundo turno das eleições 2018. Temer chegou a anunciar que atenderia o pedido, mas depois voltou atrás e, felizmente, os números divulgados mostram que os candidatos não foram prejudicados.
Até então a menor porcentagem de ausentes tinha sido registrada em 2011, quando 26,4% dos inscritos não fizeram a prova. De acordo com o ministro da Educação, Rossieli Soares, o número final de faltantes será divulgado no segundo dia do exame, 11 de novembro. Ele fez questão de ressaltar que o índice oficial deve cair ainda mais porque, segundo os critérios do ministério, só é considerado ausente o candidato que não compareceu nos dois dias de prova.