Transição da adolescência para a vida adulta traz dificuldades

A transição entre a adolescência e a vida adulta não é fácil. A fase de mudança ganhou o nome de “adulting” (comportando-se como um adulto, em tradução livre) e intriga pesquisadores e anunciantes.
O Buzzfeed Global, em parceria com as empresas Culture Co-Op e Alter Agents, realizou uma pesquisa com mais de quatro mil norte-americanos, australianos, britânicos e brasileiros com idades entre 18 e 45 anos para entender quais são suas visões em torno desse processo.
Em uma época em que tanto se fala dos jovens millenials — os nascidos entre o início da década de 80 e o fim da de 90 — e a forma como lidam (ou não) com o mundo, o estudo mostra que a nova geração não deve ser subestimada.
“A vida adulta hoje parece dramaticamente diferente do passado”, disse Edwin Wong, vice-presidente de pesquisa e insights do Buzzfeed. “Eles não podem mais confiar tanto em adultos ou nos marcos tradicionais. No entanto, nós vimos que quase três quartos dessas pessoas querem ser auto-suficientes e autônomos — eles só precisam das ferramentas para isso”, afirma.
Segundo ele, na pesquisa foi constatado que o processo de se tornar adulto começa muito antes do que se pensava, com muitos dando início a esse processo na adolescência.
“A vida adulta hoje parece dramaticamente diferente do passado. Os indicadores históricos e cronogramas para se tornar um adulto não existem mais e estão sendo substituídos por um conjunto de marcos e comportamentos não padronizado em constante evolução”, explica.

Mudanças
“As instituições do passado são irrelevantes para quem está se tornando adulto hoje: 74% dos jovens acreditam que o casamento não é permanente e 40% acreditam que não é possível se sustentar com um emprego tradicional de 9h às 17h”, relata.
A pesquisa ainda aponta que 80% dos entrevistados afirmam ter mais opções do que seus pais, no entanto, 64% dizem que é mais difícil se tornar um adulto hoje em comparação com a geração deles.
“Sem um caminho claro para a vida adulta, a insegurança e até mesmo a ansiedade podem surgir. 41% relatam que se sentem incompetentes em habilidades básicas da vida e questionam qual caminho é o ideal para eles quando há infinitas opções e múltiplos parâmetros”, destaca.
Tecnologia
O mundo digital vai ter um papel importante — se não for o mais importante — nas vidas dessas pessoas. “Fontes digitais, como busca e resenhas online, têm credibilidade no mesmo nível que as pessoas que mais nos conhecem: nossa família e nossos amigos, sobre informações sobre nossas coisas, como nosso dinheiro e nós mesmos”, diz.
“Na realidade, 85% dos entrevistados admitiram que eles procuram no Google regularmente quando querem aprender a fazer algo e 56% concordam que eles aprenderam a maioria de suas habilidades pela internet”, destaca.