Tribuna Teen inicia especial sobre alimentação dos jovens

Com a ascensão dos fast foods, a alimentação dos jovens no mundo todo parece estar cada vez pior. Pensando nisso, a Tribuna Teen inicia, nesta semana, uma série de reportagens especiais sobre a alimentação dos adolescentes, em especial aqueles que se mudam de cidade para cursar o Ensino Superior e têm que aprender a cozinhar e a ter uma alimentação balanceada. A cada semana, um novo tema será abordado e o primeiro já é um grande alerta: um levantamento feito com 75 mil brasileiros de 12 a 17 anos, em escolas públicas e privadas, aponta que apenas um em cada três adolescentes coloca salada no prato. Aponta ainda que só um em cinco ingere pelo menos uma fruta ao dia.
Os profissionais de saúde se preocupam com as consequências dos maus hábitos no dia a dia. “Entre crianças e adolescentes, a incidência de obesidade cresce exponencialmente, e em todas as classes sociais”, afirma Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “Há 40 anos, atendíamos um adolescente obeso a cada 100. Hoje, são de seis a oito”, estima.
Números da Organização Mundial da Saúde refletem essa realidade. Em 1975, calcula-se que 11 milhões de adolescentes eram obesos. Em 2016, o número saltou para 124 milhões.

Infância
A infância é um período determinante na aquisição de hábitos à mesa. Mas mesmo aquela criança que venerava brócolis pode virar o adolescente que rejeita qualquer vegetal. Não há uma explicação biológica para isso, mas, sim, comportamental: é nessa fase da vida que os filhos ganham mais independência, fazem refeições longe dos pais e recebem dinheiro para escolher o que vão comer.
Sem falar na influência dos amigos. Quem vai optar por salada quando a turma toda vai de fast food? Por isso é essencial manter o equilíbrio nas refeições em família”, diz a nutricionista Renata Faria Amorim, da All Clinik, no Rio de Janeiro.
Escola
A profissional alerta sobre o papel da escola nesse cenário. Mesmo que as cantinas não possam vender guloseimas (alguns Estados têm leis para regulamentar isso), biscoitos, doces e bebidas açucaradas são as estrelas nos intervalos. E proibir não é solução definitiva.
Uma pesquisa feita pela marca Capricho e pela área de Inteligência de Mercado do Grupo Abril, com 1.724 garotas — 1.046 delas com 14 a 17 anos —, mostra que 34% não resistem a um docinho.
Elas poderiam sucumbir menos a essas gulodices caso tivessem aulas que ensinassem porque outras opções são mais vantajosas, por exemplo. “É preciso conscientizar”, resume Adriano Segal, diretor de Psiquiatria e Transtornos Alimentares da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Colaboração dos pais

Diante disso, é essencial que os pais também colaborem e conscientizem os filhos sobre os riscos de uma alimentação inadequada. Esse, inclusive, será o tema da próxima reportagem especial do Tribuna Teen sobre o assunto.
Em seguida, serão publicados textos sobre o mito do corpo ideal, quais alimentos devem ser tratados como prioridade pelos jovens, como se preparar para sair de casa, entre muitos outros tópicos relevantes relacionados ao tema.

Hábitos preocupantes dos jovens

Prato sem cor

menos de 40% dos jovens incluem verduras e hortaliças nas refeições, que acabam pobres em micronutrientes e ricas em carboidratos e gordura.

Doçura demais

enquanto 40% dos jovens comem algum doce todo dia, menos de 20% ingerem frutas, que têm açúcar natural, vitaminas, minerais e fibras.

Energia poupada

só três em cada dez brasileiros entre 10 e 18 anos não são sedentários — isto é, fazem uma hora
de atividade física cinco dias por semana.