Unicamp divulga lista de livros obrigatórios para o vestibular

Valorizar pluralidade de ideias, empatia, exercício de ficção diante de uma “realidade árdua” e oposição a estereótipos estão entre os propósitos ligados às escolhas dos novos livros obrigatórios do vestibular 2021 da Unicamp, segundo José Alves de Freitas Neto, coordenador executivo da comissão organizadora do exame (Comvest).
As obras inseridas são “O seminário dos ratos”, de Lygia Fagundes Telles; “O Marinheiro”, de Fernando Pessoa; e “O Ateneu”, de Raul Pompéia.
O professor de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) explica que a universidade estadual, com campi em Campinas, Piracicaba e Limeira, propõe com as escolhas estabelecer um diálogo entre literaturas de língua portuguesa e ampliar o repertório dos estudantes, de modo a permitir que eles façam associações e reflexões.
“A aproximação da linguagem e do repertório é fundamental para despertar a sensibilidade, o olhar atento para múltiplos contextos. O principal objetivo da comissão ao incluir cada um desses livros tem a ver com gêneros diferentes, fazer com que os estudantes façam leitura de mundo pela mediação da literatura”, diz ao lembrar uso de metáforas e alegorias nos conteúdos. Ao ponderar sobre características específicas como as descobertas do personagem Sérgio em “O Ateneu”, o diálogo com noção de sonho em “O Marinheiro”, e aspecto de resistência indicada em “O seminário dos ratos”, Freitas Neto admite que há “um recado” da Unicamp com as novas obras.

Linguagem e interpretação

“Assim como as demais obras, clássicas ou a dos Racionais MC’s (Sobrevivendo no Inferno), queremos que os estudantes estejam atentos aos múltiplos sinais e caminhos da linguagem para interpretação da realidade”, afirma. Sobre a obra de Lygia Fagundes Telles, o professor ressalta que uma das contribuições é destacar o papel da literatura em instaurar dúvidas sobre discursos oficiais, sobretudo à época em que foi escrita. Já o trabalho de Pompéia, avalia, foi incluído entre outros fatores pelo princípio estético. “A maneira da recepção e leitura é dada pelo leitor. Essa é a parte bonita da literatura, afinal de contas ela nos dá essa noção de autonomia no exercício da interpretação. É preciso perceber os princípios básicos de entender o momento em que as obras circulam, as temáticas e quais são as ideias que os autores e autoras quiseram construir”, explica o coordenador.