Versão de Liga da Justiça dirigida por Zack Snyder sairá em 2021

Liga da Justiça estreou em 2017. Seguindo os eventos de Batman vs Superman, lançado no ano anterior, o filme marcou o encontro de alguns dos principais heróis da DC Comics: Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa), Ciborgue (Ray Fisher) e, claro, Batman (Ben Affleck) e Superman (Henry Cavill).
Mas ficou por isso mesmo. O filme recebeu críticas negativas e fracassou nas bilheterias: arrecadou US$ 657 milhões, pouco mais que o dobro do seu orçamento. O valor não é apenas abaixo do que filmes da Marvel costumam faturar, mas também dos próprios filmes da casa: Homem de Aço, de 2013, fez US$668 milhões.
Liga da Justiça pode não ter sido um longa marcante, mas ele faz parte do que talvez seja uma das histórias mais curiosas do cinema nos últimos anos – e, provavelmente, mais interessante que o enredo do filme em si.
Desde o seu lançamento, fãs argumentam que os defeitos de Liga da Justiça têm uma simples explicação: a versão que foi para o cinema não é a que o diretor, Zack Snyder, idealizou, e que, em algum lugar, existiria uma segunda versão. Esse novo corte, mais longo, sombrio e com ideias que foram descartadas do material final, ficou conhecido como “Snyder Cut”.

Nova versão
Na última semana, a Warner Bros anunciou que uma nova versão de Liga da Justiça – o “Snyder Cut” – chegará às telinhas em 2021, na telinhas, e não telonas: o filme sairá no HBO Max, plataforma de streaming da empresa que estreou nos Estados Unidos nessa semana.
Depois de dirigir filmes como 300 e Watchmen, duas adaptações de quadrinhos, Zack Snyder foi chamado para comandar Homem de Aço, que recontou a origem do Superman. O filme saiu em 2013 e, apesar das críticas mistas, foi bem na bilheteria.
Isso permitiu que, naquele ano, a Warner anunciasse um ambicioso projeto: um filme do Superman enfrentando o Batman. Seria épico: o primeiro encontro dos grandes personagens da DC nas telonas. O anúncio, feito na San Diego Comic-Con, foi empolgante.

Expectativas
Inicialmente previsto para 2015, Batman v Superman foi adiado para 2016. As expectativas para o filme eram altas: com Snyder na direção, o tom seguiria rumos sombrios e realistas – isto é, o máximo de realismo que uma história com superseres pode ter. Ele era extremamente importante para a Warner, pois seria base para a construção de um universo cinematográfico (assim como sua rival, a Marvel) e, consequentemente, para um futuro filme da Liga.
O filme estreou, e fez US$ 873 milhões no mundo todo. Mas a recepção não foi como planejado: segundo o agregador Rotten Tomatoes, apenas 27% das críticas foram positivas.
A partir daí, começou a rolar algo que se repetiria em Liga da Justiça – Snyder alegou que uma parte considerável do material do filme não foi para a versão final, prejudicando a história. De fato: a versão estendida, com 30 minutos a mais, amarra diversas pontas soltas do roteiro, e constrói melhor o ódio que os heróis sentem um pelo outro.
Vale dizer que que BvS e Liga não são os únicos filmes de Snyder que possuem uma versão do diretor: Madrugada dos Mortos, Sucker Punch e Watchmen também entram na lista.

Os bastidores de Liga
A produção de Liga da Justiça foi conturbada. Embora todos os atores tivessem retornado para interpretar seus papeis, a Warner, depois da recepção de BvS, olhava a direção de Snyder com insegurança. Em janeiro de 2017, o diretor entregou uma versão bruta, com quatro horas de material. A Warner, em contrapartida, queria que o filme tivesse duas horas de duração. Snyder entregou uma primeira versão, com 2h20min – mas é claro que, com esse corte, vários ajustes ainda precisariam ser feitos. Mas seu trabalho foi interrompido por uma triste notícia: a morte de sua filha, Autumm.
Com isso, Snyder se afastou da produção. Para terminar o filme, a Warner chamou Joss Whedon – o diretor por trás dos dois primeiros Vingadores. Os produtores apostavam que o humor e os diálogos de Whedon, que deram certo na Marvel, poderiam, de alguma forma, consertar o que estava dando errado no universo da DC.
Segundo o New York Times, Whedon criou 80 novas páginas de roteiro para o filme. Ele adicionou momentos para a Mulher-Maravilha, Lois Lane (Amy Adams) e Martha Kent (Diane Lane), a mãe do Super. Em contrapartida, reduziu o tempo de tela do Flash e do Ciborgue, além de cortar a personagem da atriz Kiersey Clemons, que viveria o par romântico de Miller.
Mas as refilmagens mais controversas envolvem o Superman. Na época, Henry Cavill estava rodando outro filme, Missão Impossível: Efeito Fallout, e graças a uma cláusula de contrato, ele não poderia tirar o bigode. Solução: a equipe de Liga da Justiça o removeu digitalmente – mas o resultado não é dos melhores (além de ter custado US$ 25 milhões).

O que vem a seguir?
Assim que o filme foi lançado, fãs do mundo todo iniciaram a campanha #ReleaseTheSnyderCut (“Liberem o Corte do Snyder”, em inglês). A Warner recebeu centenas de mensagens, e 180 mil pessoas assinaram uma petição pela versão estendida. O movimento chegou até os telões da Times Square, em Nova York, durante a Comic-Con que acontece na cidade.
Além do público, Snyder e os atores também alimentaram a campanha – que acabou virando praticamente um meme. Segundo o Hollywood Reporter, as conversas entre Snyder, sua esposa, Deborah (que é produtora de cinema) e o presidente da Warner, Toby Emmerich, começaram em novembro de 2019. Zack e Deborah planejaram uma exibição do material, em preto e branco, para alguns executivos da Warner, do HBO Max e da DC na casa do casal na Califórnia.
Até agora, pouco se sabe sobre o projeto. A Warner dará entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões para que Snyder finalize a produção – que pode ser lançada na íntegra, com quatro horas de duração, ou dividida em uma série com seis episódios.
“A melhor parte disso é que podemos explorar esses personagens de maneiras que você não consegue em uma versão mais curta”, disse Snyder ao Hollywood Reporter. “O retorno desse filme nesse formato e duração, é um movimento corajoso e sem precedentes”, ressaltou.
Fora isso, há rumores de que o “novo” Liga da Justiça terá a aparição do vilão Darkseid, dublado pelo ator Ray Porter (que comemorou o anúncio do Snyder Cut com uma foto do seu personagem). Mas ninguém sabe se será possível refilmar cenas envolvendo o Batman, já que Ben Affleck desistiu do papel.
A notícia também reacendeu outro movimento: #ReleaseTheAyerCut, que pede para que a Warner libere a versão original de Esquadrão Suicida que o diretor, David Ayer, defende ser melhor do que a que foi para os cinemas. As chances, no entanto, são mínimas.