Vídeo: Advogado e agropecuarista fala sobre o passado e o futuro de Ituverava

De família de advogados, Dr. Sérgio Quadros, seu pai e seu filho se formaram pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco

Meu nome é Antônio Sérgio Quadros Barbosa. Sou nascido em Ituverava/SP, filho de Dr. Francisco Basileu Barbosa e Dona Sinhá de Quadros Barbosa, casado com Rita de Cássia Alves de Oliveira Barbosa, filha do Dr. Paulo Borges de Oliveira e Isabel Alves de Oliveira. Tenho 75 anos, sou advogado, formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, minhas formações primária e secundária foram em Ituverava e depois fui para São Paulo. Lá ingressei na faculdade, onde tive uma vida acadêmica bastante agitada onde fiz muitos amigos. Foi lá que me aproximei do hoje deputado Barros Munhoz, do ex-ministro Aloísio Nunes, do presidente Michel Temer, onde vivemos juntos uma bela vida acadêmica. Depois abandonei a política e me dediquei à atividade profissional. Residi em São Paulo e advoguei até 1974, quando retornei para Ituverava.
Em Ituverava, estou na advocacia e também nas atividades agropecuárias. Minha principal atividade é a criação de gado, principalmente a engorda de bois, tenho um pouco de cana e sou criador de cavalo da raça mangalarga marchador, que além de ser um hobby, uma distração, fez com que eu fizesse muitos amigos pelo Brasil inteiro, porque fui diretor da Regional do Estado de São Paulo por quatro anos e depois vice- presidente da Associação Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador durante oito anos. Então, criou-se uma verdadeira rede de amigos, de norte a sul do Brasil, onde tive oportunidade de conviver com eles, durante esses doze anos de atividades.

Vida pessoal
Criamos a nossa família residindo na Fazenda Monte Alegre, próxima à cidade, até poucos anos atrás, depois a minha esposa Rita [de Cássia Borges de Oliveira] quis construir uma casa na beira da represa Paulo Borges de Oliveira/Joaquim de Menezes, e mudamos para lá.
Temos três filhos: Sérgio de Oliveira Barbosa, casado com a Raquel Chaebub, proprietários das Boutiques Nana; Flávio de Oliveira Barbosa, casado com a psicóloga Adriana Meirelles, ótima profissional, que viaja por todo o Brasil como treinadora de executivos, e o Rui de Oliveira Barbosa, administrador de empresas, que tem como atividade a corretagem de algodão, especialmente no mercado internacional, casado com uma grande advogada, Joana Prata Rezende, que exerce suas atividades em São Paulo. São nossos netos: o primeiro, João Francisco, filho do Sérgio e Raquel; Flávio, filho da Adriana e Flávio e Luísa e Ilka, filhas do Rui e Joana.
Temos uma convivência familiar muito agradável, pois somos uma família muito unida, sempre inspirada na liderança dos meus sogros Dr. Paulo Borges de Oliveira e Izabel Alves Borges de Oliveira (“Dona Belinha”), com os quais tivemos uma convivência muito agradável durante o período em que eles eram vivos, e depois fizemos questão de conservar, porque temos uma interação entre cunhados, cunhadas e sobrinhos. Estivemos reunidos na noite de 22 de julho pp, na casa do Fred, que é filho da Tereza Cristina Alves de Oliveira Ferreira e do Dr. Eugênio Américo Bueno Ferreira, comemorando o aniversário dela e do Dr. Paulo de Tarso Alves de Oliveira, que completaram 78 anos, de modo que desde que retornamos para Ituverava em 1974, até os dias de hoje, nós temos trabalhado e convivido com a família de uma maneira harmoniosa e agradável.

Lembranças
Quando era menino, residia na Rua Cap. Primo Augusto Barbosa, meu Avô, próximo a Praça 10 de Março, e acompanhei o desenvolvimento de Ituverava, que naquele momento ela era uma cidade que estava começando a desabrochar. Por exemplo, assisti os funcionários da Prefeitura fazerem o calçamento na minha rua. Naquela época, a Rodoviária de Ituverava ficava onde hoje é a Praça de Alimentação, da Praça 10 de Março, onde havia árvores muito grandes em que o pessoal ficava acomodado na sombra aguardando os ônibus.
Depois isso mudou. Na cidade, naquele tempo, havia pouco calçamento, era irrigada por caminhões que iam pegar água no Bicão, e passava em quase toda a cidade porque calçamento só tinha até a Casa Jardim, em frente onde hoje é o Posto Nagano, de lá para cima não havia calçamento, então a cidade era muito empoeirada.

Economia
Naquele tempo, a cultura principal era a do café, os colonos residiam nas fazendas, e no final do mês, vinham à cidade fazer as compras, dessa forma o comércio convivia com essa estrutura, e era muito movimentado no final do mês, quando recebiam os pagamentos.
Depois que passou esse momento do café, fomos entrando para uma outra temporada, em meados dos anos 60, onde se estabeleceu a cultura da soja, que revolucionou completamente a nossa estrutura agropecuária, pois a soja é uma oleaginosas muito valiosa e se adaptou muito bem nos solos vermelhos, especialmente aqueles que já estavam tratados de calcário, e a produtividade era muito grande, fazendo com que os agricultores da nossa região tivessem um reforço de caixa muito grande nas colheitas com essa cultura. Esse “boom” durou até meados dos anos 80, quando começou a entrar no município a cultura da cana-de-açúcar.

Cana-de-açúcar
A cultura da cana veio incentivada pelo Proálcool e diversas usinas que se estabeleceram nas nossas proximidades, vinham buscar cana no município, que estava saindo do plantio de soja para os arrendamentos de cana, onde os proprietários rurais passaram a ter uma vida mais tranquila por causa da receita que era segura no final do mês ou ano. Muitos saíram do risco da agricultura do algodão, milho e café e entraram no negócio da cana, que tem uma situação financeira mais estável.
Com isso, mudamos o estande agrícola do município, transformando-o em um município extremamente baseado na cultura da cana. Foi uma pena que não aconteceu aqui em nossa cidade a instalação de uma usina, apesar de que até tivemos uma oportunidade, mas isso não ocorreu.
Nos municípios onde uma usina está instalada, a receita de participação em ICMS é brutal, haja vista o caso de nosso vizinho, Buritizal, que é uma das cidades que mais tem qualificação no índice IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Creio eu que esse tenha sido talvez o maior erro da cidade, de não ter conseguido trazer pra cá uma usina desse porte, desse gabarito.

Fundação Educacional de Ituverava
Depois que evoluiu essa situação e se consolidou, nós passamos a procurar uma saída econômica que pudesse viabilizar atividades paralelas à cultura da cana, onde os proprietários tinham uma vida mais estabilizada. Com isso foram surgindo as indústrias e empresas de prestações de serviços e, também, ao mesmo tempo, surgiu a Fundação Educacional de Ituverava.
A Fundação Educacional de Ituverava começou com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que foram os primeiros cursos, reconhecidos pelo MEC, graças ao trabalho e coordenação da Maçonaria e de mais alguns beneméritos, que facilitaram a sua instalação na cidade, a qual foi evoluindo graças ao rigor com que conduzem as atividades da FEI. Hoje, oferece diversos cursos de graduação e pós graduação, onde provavelmente, quando houver a possibilidade de ser instalada a Faculdade de Medicina, nós a transformaremos em uma Universidade de Ituverava. Graças ao rigor com que conduzem os trabalhos da educação ituveravense, os cursos de Agronomia e Medicina Veterinária são dos mais reconhecidos no país.
A área educacional fez com que a cidade se tornasse universitária, fazendo com que criasse uma nova atividade econômica, que foi a construção de prédios, apartamentos, residências e condomínios para abrigar estudantes de outras cidades, pois aqui são recebidos alunos de todo o Brasil, dos mais diversos cursos oferecidos pela Fundação Educacional de Ituverava.

Área da Saúde
Paralelamente à Educação, a área de saúde está muito bem dirigida, através da Santa Casa, Hospital São Jorge e AME, e seu conceituado corpo clinico, que fizeram com que nossa cidade se transformasse em um polo regional de atendimento à saúde, de milhares de habitantes das quinze cidades que giram na órbita de Ituverava.
A cidade passou a ser uma cidade universitária e também de assistência aos pacientes que vêm fazer tratamento. São essas duas vertentes que asseguram, na atualidade, a economia de Ituverava.

História
Meu pai [Francisco Basileu Barbosa], e meu sogro [Dr. Paulo Borges de Oliveira], eram muito próximos ao Sr, Adhemar Cassiano, pai do José Luiz Alves Cassiano. Durante esse período em que eles conviveram, participaram de todas as iniciativas de importância para Ituverava. Lembro-me aqui de uma foto histórica, quando ocorreu a assinatura da escritura de compra do terreno da FEI, onde estavam presentes o papai, Dr. Basileu, Dr. Paulo, Fábio Bombig, o prefeito Archibaldo Moreira Coimbra, e isso retrata um momento histórico que foi o embrião dessa potência de hoje que é Fundação Educacional de Ituverava.
Hoje, a FEI é a maior empresa de Ituverava, não só na quantidade de alunos, que recebe de toda região, mas também na economia. Eles conviveram em vários momentos importantes em Ituverava.

CTBC
Conversava com o José Luiz [Alves Cassiano] contando, que a CTBC veio se instalar aqui pelas mãos do Dr. Paulo [Borges de Oliveira], trazendo o desenvolvimento para a região da Mogiana, pois ela veio prestar um serviço no momento em que tínhamos, até então, um serviço de telefonia muito ruim, ela entrou na região e se transformasse nessa excelente prestadora de serviços.

Apae
Nós tivemos também a instalação da Apae, fruto de uma ação benemérita da Dona Belinha [Isabel Alves de Oliveira], do Dr. Paulo [Borges de Oliveira], que doaram uma área de um alqueire dentro da cidade para que nela fosse instalado, naquele momento, um Centro de Recepção de Crianças Abandonadas, que depois se transformou na APAE, que hoje é um sucesso aqui em nossa cidade e na região. A APAE hoje atende diariamente quase 130 crianças.

Vocação agrícola

Mas temos que reconhecer a nossa vocação agrícola e que não é fácil transformar essa vocação em industrial de repente. Creio até que seja mais fácil e melhor se estabelecer aqui empresas de prestação de serviços.
Hoje temos na vicinal para Rodovia Anhanguera um loteamento novo, de uma empresa de Ribeirão Preto, que está locado no terreno do João Augusto. Temos em direção à Fafram dois novos loteamentos; na direção da represa, também temos dois loteamentos prontos em fase de conclusão, e próximo à Cachoeira, tem mais um.
Isto vai fazendo com que a cidade progrida em diversas direções e atrás disso venha a construção das indústrias e pequenas empresas. Tem um caso muito interessante na cidade. Em frente ao Parque Recreio, criou-se. de repente, um bairro, misto residencial e industrial com muitas oficinas e pequenas indústrias, entre a Chácara Guanabara e os loteamentos.
É a iniciativa privada que vai comandar essa evolução que possa vir a acontecer. Acho que se a Fundação Educacional caminhasse para instalação de outros cursos, como os de engenharia Mecânica e de Produção, seria criada uma base científica para que as empresas se interessassem por Ituverava, semelhante ao que ocorreu em São Carlos, que começou com pequenas escolas e hoje se transformou numa cidade industrial baseada na formação de seus alunos nas faculdades. É uma sugestão que pode caminhar nessa direção, a faculdade formar engenheiros industriais, mecânicos etc que, futuramente, poderiam trabalhar na região.
Na região de Itajubá, no sul de Minas, um grupo de cidades se dedicou exclusivamente ao estudo da informática, transformando aquela região em uma área semelhante ao Vale do Silício, nos Estados Unidos. Acho que isso vai acontecer com a iniciativa privada tomando à frente desses movimentos para que ocorram aqui as modificações que a população espera.

70 anos da Tribuna de Ituverava

O jornalista Adhemar Cassiano fez o registro de toda a nossa história. Em número anterior, a Tribuna de Ituverava, trouxe capítulos correspondentes aos seus 70 anos, onde estão registrados fatos históricos, que aconteceram durante todo esse tempo. É muito difícil dar sequência a uma empresa do mesmo ramo por 70 anos consecutivos. E isso, se deve graças aos esforços do jornalista Adhemar Cassiano, e seus sucessores José Luiz e família, que conseguem dar prosseguimento a esse conceituado Jornal, que é o melhor de toda a região, de modo que, a expectativa de todos nós da cidade, é que isso ocorra por mais 70 anos, para que tenhamos sempre, noticias atualizadas de Ituverava e região.

Indústria

Estamos esperando que na próxima etapa caminhemos em direção à indústria e empresas de prestação de serviços, pois acredito que, existam possibilidades de aqui se estabelecer empresas de grande porte, como é o caso da Indústria Santa Maria, que é um orgulho da cidade, uma das maiores empresas do ramo no pais.
Entendo que a Administração Municipal há de favorecer a instalação dessas empresas e incentivar as prestadoras de serviços para que gerem empregos para muita gente daqui e da região.
A perspectiva da história é que Ituverava tem que retomar o crescimento e caminhar para conseguirmos fomentar atividades, que desenvolvam e gerem muitos empregos e renda.
Para que consigamos indústrias de transformação e prestação de serviços na cidade é preciso que haja possibilidade de se criar áreas, não só em distritos industriais, mas também em locais com espaços próprios. Nós já tivemos aqui, por exemplo, aquela área paralela à Rodovia Anhanguera, na fazenda Monte Alegre, que hoje está totalmente ocupada, onde estão instalados a Indústria Santa Maria, a Madeireira Rondônia e agora, recentemente o Fausto Sandoval Neto, e posto de gasolina com restaurante.
É preciso que se abram outros locais semelhantes a esse, especialmente às margens da Rodovia Anhanguera e William Amin, para que outras empresas possam se instalar, mas acredito principalmente na iniciativa privada, acho que não adianta a prefeitura e uma única pessoa abrir o distrito industrial e esperar que empresas venham correndo se instalar do dia para noite. Nós conseguimos fazer aquele distrito industrial abrindo aquele terreno e empresas foram comprando áreas, locando, e acabaram construindo um verdadeiro distrito industrial em Ituverava. As margens da Rodovia Anhanguera e também na estrada que liga a Miguelópolis, onde está estabelecida a UPL, existem terrenos próprios para construir novas empresas. Essa é a esperança de todos.